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A Bíblia e os unicórnios

Quando lemos as Escrituras Sagradas, encontramos termos interessantes que despertam a curiosidade. Às vezes, são simples problemas de tradução ou palavras que têm duplo significado. Um problema desses é referente ao “unicórnio bíblico”. “Salva-me da boca do leão; sim dos chifres dos unicórnios… tu me respondeste”, diz o Salmo 22:21. E em Salmo 29:6 lemos: “E os faz saltar como um bezerro, O Líbano e o Siriom como um filho de unicórnio.” Esses textos foram tirados da versão King James em inglês e mostram a descrição de um animal que era chamado de “unicórnio”. Porém, seria o animal mitológico que tinha a forma de um cavalo com um único chifre em espiral e possuía poderes mágicos?
Detalhe de um antigo mosaico do assoalho da Basílica de San Giovanni Evangelista, Ravenna, datado do ano 1213
O erro está na tradução para outras línguas. As Escrituras originais mencionam nove vezes um animal pelo termo hebraico re’ém, רֶאֵם (Isaías 34:7; Jó 39:9,10; Números 23:22; 24:8; Deuteronômio 33:17; Salmos 22:21; 29:6; 92:10).
A Bíblia Septuaginta grega trocou o termo re’ém para monokeros (mono = um; keros = corno ou chifre) dando o sentido de “um só chifre”, ou “unicórnio”.
A Bíblia Vulgata latina frequentemente traduz o termo re’ém para “rinoceronte”.
A Bíblia traduzida de Lutero (Luther Bibel 1545) traduz o termo re’ém para einhörner (ein = um; horner = chifre), que também significa único chifre, ou unicórnio.
Então, como vemos, o termo “unicórnio”, na Bíblia, se referia a alguma espécie que tinha apenas um chifre. Poderia ter sido o rinoceronte ou alguma outra espécie extinta. O elasmotherium pode ter dado origem ao mito moderno do unicórnio, como descrito por testemunhas na China e na Pérsia.
Ilustração do elasmotherium
Ahmad ibn Fadlan, viajante muçulmano cujos escritos são considerados uma fonte confiável, diz ter passado por locais em que homens caçavam o animal. Fadlan, inclusive, afirma ter visto potes feitos com chifres do unicórnio.
Em 1663, perto de uma caverna na Alemanha, foi encontrado o esqueleto de um animal que, especulava-se, seria um unicórnio. As ossadas encontradas na Alemanha eram possivelmente de mamute com outros animais, montados por humanos de forma equivocada. A caveira estava intacta e com um chifre único no meio, preso com firmeza. Cerca de 100 anos depois, uma ossada semelhante foi encontrada perto da mesma caverna. Os dois esqueletos foram analisados por Gottfried Leibniz, sábio da época, que declarou que (a partir das evidências encontradas) passara a acreditar na existência de unicórnios.
A conclusão óbvia é que animais de um chifre só existiram e podem ter povoado a mente e as histórias de muitos. Sem nada místico ou mágico, apenas um animal.