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Tema 3: INTOLERÂNCIA E DISCURSO DE ÓDIO CONTRA MINORIAS

TEXTO I

                  Sobre a intolerância e o ódio

[…] A intolerância é uma indisposição diante do outro; uma variedade da impaciência que autoriza a separação, a não convivência, o isolamento e o desprezo. O ódio vem depois. O ódio é uma escada na qual se sobe ou não. O problema é que, depois que subimos, é difícil descer. Para vencer o ódio é preciso impedir que se suba o primeiro degrau da escada. O ódio pode ser definido como uma disposição favorável à destruição do outro. Ele tem parentesco com a raiva e, desde um ponto de vista evolucionário, sabemos que a raiva é uma emoção primitiva, desenvolvida em nosso sistema límbico, particularmente nas amígdalas cerebrais, onde estão também os mecanismos que nos permitem outros sentimentos básicos como o medo. O ódio, entretanto, é mais do que uma decorrência da luta pela sobrevivência e Darwin reconheceu que ele é muito mais complexo que a raiva e o medo. O ódio talvez seja a raiva transformada em conceito. O que há de pontual e explosivo na raiva, adquire o sentido da permanência e da frieza com o ódio. É possível que o ódio seja o mais potente sentimento de hostilidade que os humanos são capazes de produzir. Pensado por este caminho, não deve haver sentimento paralelo nas demais espécies animais conhecidas. A intolerância é uma indisposição diante do outro; uma variedade da impaciência que autoriza a separação, a não convivência, o isolamento e o desprezo. O ódio vem depois. O ódio é uma escada na qual se sobe ou não. O problema é que, depois que subimos, é difícil descer. Para vencer o ódio é preciso impedir que se suba o primeiro degrau da escada. Há algo em comum entre o ódio e a intolerância e se pode observar isso quando nos damos conta de que eles se encontram no plural. Como regra, os dois sentimentos se manifestam diante de grupos que seriam definidos por características vergonhosas e/ou ameaçadoras. Um racista odeia os negros, os índios, ou os judeus, não um negro em particular ou este índio ou este judeu. O mesmo vale para as demais formas de ódio e intolerância que se obrigam a lidar com estereótipos, não com pessoas concretas. Aqui, a biologia se cruza com a cultura, porque intolerância e o ódio precisam ser ensinados. As crianças, por isso mesmo, embora possam ser perversas, não são intolerantes. Para que a intolerância se construa e se transforme em ódio, é preciso, afinal, uma base teórica-discursiva, ainda que rudimentar.

Disponível em: http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2019-02/mp-vale-tinha-ciencia-que-barragem-de-brumadinho-estava-em-atencao (Adaptado)

 

TEXTO II

O QUE SÃO MINORIAS?

Logo de início, temos de esclarecer um ponto de confusão: uma minoria não está sempre em menor número na sociedade. Como assim? Então por que é chamada de minoria? Porque a palavra “minoria”, nesse caso, não se refere a um número menor de pessoas, à sua quantidade, mas sim a uma situação de desvantagem social. Ou seja, apesar de muitas vezes coincidir de um grupo minoritário ser realmente a menor parte da população, não é o fator numérico o essencial para que uma população possa ser considerada uma minoria. São as relações de dominação entre os diferentes subgrupos na sociedade e o que os grupos dominantes determinam como padrão que delineiam o que se entende por minoria em cada lugar. Comportamentos discriminatórios e preconceituosos também costumam afetar os grupos minoritários. […]

COMO RECONHECER UMA MINORIA?

As características podem variar para cada grupo minoritário, mas alguns elementos costumam ser comuns às minorias, como:

Vulnerabilidade: os grupos minoritários, em geral, não encontram amparo suficiente na legislação vigente, ou, se o amparo legal existe, não é implementado de modo eficaz. Por isso, é comum a luta desses grupos por terem sua voz mais escutada nos meios institucionais. Exemplo: transgêneros;

Identidade em formação: mesmo que exista há muito tempo e que tenha tradições sólidas e estabelecidas, a minoria vive em um estado de ânimo de constante recomeço de sua identificação social, por ter de se afirmar a todo momento perante a sociedade e suas instituições, reivindicando seus direitos. Exemplo: negros;

Luta contra privilégios de grupos dominantes: Por serem grupos não-dominantes e, muitas vezes, discriminados, as minorias lutam contra o padrão vigente estabelecido. Essa luta, na atualidade, tem como grande marca a utilização das mídias, para expor a situação dessas minorias e levar conhecimento para a população em geral. Exemplo: mulheres;

Estratégias discursivas: As minorias organizadas, em geral, realizam ações públicas e estratégias de discurso para aumentar a consciência coletiva quanto a seu estado de vulnerabilidade na sociedade. Além das mídias já citadas, passeatas e manifestos também podem são frequentemente utilizados. Exemplo: movimento LGBTQIA.

Disponível em: https://www.politize.com.br/o-que-sao-minorias/

 

TEXTO III

Disponível em: http://jornal.puc-campinas.edu.br/memes-e-a-violencia-do-discurso/