POLÊMICAS ACERCA DA EXPANSÃO DO AGRONEGÓCIO NO BRASIL

TEXTO I

O desenvolvimento sustentável da agropecuária, segundo VEIGA (1994), é aquele que garante a manutenção a longo prazo dos recursos naturais e da produtividade; mínimo de impacto adverso aos produtores; retorno adequado aos investimentos; otimização da produção com mínimo de insumos externos; satisfação das necessidades sociais das famílias e das comunidades rurais e satisfação das necessidades humanas de alimentos e renda.

Com a evolução do agronegócio, as fazendas tornam-se mais especializadas separando as atividades de lavoura e criação do gado.

Houve a intensificação do uso de agroquímicos, fertilizantes e água, sem os devidos cuidados com rochas, solos, água superficiais ou subterrâneas. Os agroquímicos contaminando as águas subterrâneas ou rios podem prejudicar a fauna silvestre e ameaçam a sua qualidade para o consumo humano.

O uso descontrolado de nitratos e fosfatos como fertilizantes produz muita solubilização destes nutrientes na água. Resíduos orgânicos de estercos animais e efluentes de silagem, juntamente com os fertilizantes contribuem para o crescimento de algas nas superfícies das águas num fenômeno conhecido por eutrofização, provocando a diminuição da oxigenação das águas e a morte dos peixes.

[…]

Outra dimensão da degradação ambiental são as devastações da cobertura florestal e o manejo inadequado, que levam à degradação da estrutura física dos solos e, em conseqüência, facilitam os processos da erosão, que também ocorrem por manejo inadequado das criações ou plantios.

A depredação do patrimônio genético tem implicações para as atividades econômicas. Além dos impactos relacionados com a redução da biodiversidade, compromete-se a identificação de espécies, para fins comestíveis, medicinais ou industriais. E se amplia as implicações com o aquecimento global.

A cada diz que passa, os produtores estão mais conscientes das barreiras ambientais de responsabilidade social que vão ter que enfrentar cada vez mais intensamente para colocação de seus produtos no mercado internacional.

Disponível em: https://www.ecodebate.com.br/2010/09/08/impactos-ambientais-gerais-do-agronegocio-artigo-de-roberto-naime/ Acesso em 06 fevereiro 2018

TEXTO II

Para Vicente Almeida, da Embrapa, a alimentação e o ambiente são duas das principais formas de se obter saúde. Em sua apresentação, perguntou se há impactos do agronegócio sobre o ambiente, quais seriam esses impactos e como se expressam na saúde e no ambiente. Segundo ele, trata-se de um conceito construído pela política e pela economia, mas que demanda uma maior produção de conhecimento científico sobre o tema.

Vicente lembra que o processo produtivo do agronegócio gera disputa de território. De acordo com o pesquisador, essa disputa leva à concentração fundiária que, por sua vez, gera riqueza, que gera poder, que ocasiona a fome, a erosão genética e a contaminação do solo, da água e da biodiversidade. O Brasil é o país que mais consome agrotóxicos no mundo. A agricultura promete geração de renda e emprego, mas o que vemos são trabalhadores contaminados, alimento contaminado. É importante avançarmos na negação do atual modelo e incentivarmos uma transição agro ecológica. É preciso analisar os custos que essa mudança traz e suas conseqüências para a população.

Para Marcelo Firpo Porto, pesquisador da ENSP, é necessária a articulação de uma rede de pesquisadores lutando contra o agronegócio, e não somente contra os efeitos do agrotóxico. Para isso, segundo ele, é importante articular saúde, economia, agronomia, política e outros atores para uma transição agro ecológica justa e sustentável. Grandes plantações são uma bomba ecológica, pois agridem a cultura local, geram disputa por território e trazem vários outros danos. Um exemplo da expressão do agronegócio é a soja. Ela tem avançado sobre o cerrado brasileiro e a Amazônia. É a expressão clara da expansão da monocultura e do agronegócio. Envolve diretamente queimadas para a preparação do solo e cria aquele oceano de soja.

Disponível em: http://www.ensp.fiocruz.br/portal-ensp/informe/site/materia/detalhe/18939 Acesso em 06 fevereiro 2018

TEXTO III

Agronegócio é uma atividade fundamental para a economia brasileira. Tem grande participação no PIB do País, gera milhões de empregos, movimenta diferentes etapas da cadeia produtiva e tem um papel destacado no suprimento de alimentos para o mundo todo, mas práticas inadequadas podem acarretar impactos ambientais, sociais e econômicos que inviabilizem a atividade.

Assim, para garantir a perenidade do agronegócio e seguir explorando as potencialidades do setor sem efeitos colaterais negativos, é preciso integrar as dimensões econômica, ambiental e social, e respeitar as diversidades culturais na forma de pensar e fazer o agronegócio.

AGRONEGÓCIO SUSTENTÁVEL BASEIA-SE NA ADOÇÃO DE BOAS PRÁTICAS SOCIOAMBIENTAIS NA AGRICULTURA, NA PECUÁRIA E DEMAIS ATIVIDADES RURAIS PARA GARANTIR O BEM-ESTAR DE TODA A SOCIEDADE E O EQUILÍBRIO ENTRE PRODUÇÃO E CONSERVAÇÃO. AGRONEGÓCIO.

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