(2º Bimestre – tema extra 2) PRECONCEITO LINGUÍSTICO NA REALIDADE BRASILEIRA

TEXTO I

A discriminação com base no modo de falar dos indivíduos é encarada com muita naturalidade na sociedade brasileira. Os “erros” de português cometidos por analfabetos, semianalfabetos, pobres e excluídos são criticados pela elite, que “disputa” quem sabe mais a nossa língua. Essa é uma das constatações do linguista e professor do Instituto de Letras (IL) da Universidade de Brasília (UnB) Marcos Bagno. Segundo o pesquisador, o conhecimento da gramática normativa tem sido usado como um instrumento de distinção e de dominação pela população culta.

“É que, de todos os instrumentos de controle e coerção social, a linguagem talvez seja o mais complexo e sutil”, afirma. “Para construir uma sociedade tolerante com as diferenças é preciso exigir que as diversidades nos comportamentos linguísticos sejam respeitadas e valorizadas”, defende.

O preconceito na língua faz com que os indivíduos se sintam humilhados ou intimidados com a possibilidade de cometer um erro de português. “Como se o fato de saber a regência ‘correta’ do verbo implicar gerasse algum tipo de vantagem, de superioridade, de senha secreta para o ingresso num círculo de privilegiados”, afirma o professor, que foi um dos convidados do seminário Universidade e Preconceitos – Discutindo e Enfrentando uma Realidade, ocorrido em setembro de 2006 na UnB.

Fonte: http://www.stellabortoni.com.br/index.php/entrevistas/1414-maaios-bagoo-fala-sobai-paiiooiiito-lioguistiio-78894042

TEXTO II

O preconceito linguístico é um preconceito social. Para isso aponta a afiada análise do escritor e linguista Marcos Bagno, brasileiro de Minas Gerais. Autor de mais de 30 livros, entre obras literárias e de divulgação científica, e professor da Universidade de Brasília, atualmente é reconhecido sobretudo por sua militância contra a discriminação social por meio da linguagem. No Brasil, tornou-se referência na luta pela democratização da linguagem e suas ideias têm exercido importante influência nos cursos de Letras e Pedagogia.

A importância de atingir esse meio, segundo ele, é que o combate ao preconceito linguístico passa principalmente pelas práticas escolares: é preciso que os professores se conscientizem e não sejam eles mesmos perpetuadores do preconceito linguístico e da discriminação. Preconceito mais antigo que o cristianismo, para Bagno, a língua desde longa data é instrumentalizada pelos poderes oficiais como um mecanismo de controle social. Dialeto e língua, fala correta e incorreta: na entrevista concedida a Desinformémonos, ele desnaturaliza esses conceitos e deixa à mostra a ideologia de exclusão e de dominação política pela língua, tão impregnada nas sociedades ocidentais.

Textos retirados de imaginie.com.br

(2º Bimestre – Tema extra 1) DESAFIOS PARA REDUZIR OS CASOS DE ASSÉDIO SEXUAL

TEXTO I

“O assédio sexual contra a mulher é um tipo de violência tão banalizada que é possível citar vários casos durante um único dia. Homens se sentem livres para nos ofender com palavras sexualizadas de baixo calão na rua, manifestam cenas em que seguram genitais e chegam até a tocar nossos corpos sem consentimento em transporte público, na rua ou no trabalho”, explica Carol Lopes, militante do Coletivo de Mulheres Ana Montenegro, movimento feminista que se propõe a conscientizar mulheres sobre temas diversos.

[…]

ASSÉDIO EM LOCAIS PÚBLICOS E A VONTADE DAS MULHERES

Idealizada pelas jornalistas Juliana de Faria e Karin Hueck, a campanha “Chega de Fiu Fiu”, que visa combater o assédio sexual em espaços públicos, realizou uma pesquisa que revelou que 85% das pesquisadas já tiveram seu corpo tocado sem permissão no espaço público. Além disso, 83% das mulheres consultadas declararam que não gostam de receber cantada na rua. O resultado contraria a ideia de que as mulheres gostam de receber elogios no espaço público proferidos por desconhecidos, argumento que, inclusive, neutraliza o assédio.

“É, sim, violência contra a mulher, independentemente do que digam os perpetuadores dessa prática. É impossível dissociar a ação desses indivíduos das demais agressões físicas e psicológicas das quais as mulheres são vítimas. São todas partem de um mesmo desprezo pelos direitos do próximo. É crime. Sempre que existe interação sexual não consensual é crime, e eles têm de ser individualmente responsabilizados por isso”, defende Aparecida Gonçalves, secretária nacional de enfrentamento à violência da Secretaria de Políticas para as Mulheres, do Governo Federal, em entrevista ao site Rede Brasil Atual.

Disponível em: https://www.vix.com/pt/bdm/estilo/assedio-sexual-mulher-culpa-nao-e-sua  Acesso em 29 janeiro 2018

TEXTO II

ABUSOS SEXUAIS NO MUNDO DO CINEMA: QUAIS AS CHANCES DE UMA VERDADEIRA MUDANÇA?

Postado por Susy Freitas | nov 21, 2017 | O Segundo Sexo

O produtor Harvey Weinstein foi basicamente escorraçado da própria produtora, denunciado por uma lista de mulheres do calibre de Angelina Jolie e Gwyneth Paltrow e expulso da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas e da Guilda de Produtores da América. Tudo graças aos casos de assédio sexual e estupro que remontam há décadas finalmente vindo à tona desde outubro. A polícia de Nova York já tem uma investigação em curso a partir de tantas denúncias, e a chance dele ir para a cadeia é real.

Mesmo com essa ficha, uma grande interrogação pairou na cabeça de que acompanha mais de perto as notícias do mundo do cinema quando as denúncias contra Weinstein tomaram uma proporção gigantesca: quantos mais vão cair em desgraça como o magnata? Ou melhor, alguém de fato vai cair? Afinal de contas, burburinhos e fofocas sobre relações de poder nada corretas na indústria cinematográfica nunca foram novidade.

O efeito dominó, porém, mostrou-se plausível em 2017. Num movimento praticamente sem precedentes, começamos a ver outros casos de toda sorte de homens do ramo sendo acusados de algum tipo de abuso, com as vítimas finalmente sendo ouvidas e as mulheres perdendo o medo de denunciar que o assédio moral e sexual em Hollywood não é novidade e nem exclusividade do caso Weinstein.

Os diretores Oliver Stone, Brett Ratner, Lars Von Trier e Giuseppe Tornatore; os atores Kevin Spacey, Ben Affleck, Dustin Hoffman, Danny Masterson, Jeffrey Tambor e Steven Seagal; e o agente Adam Venit são alguns dos que sofreram os efeitos da promessa de uma nova direção à maneira como a indústria hollywoodiana encara o assédio às profissionais mulheres pós-caso Weinstein. E a lista só aumenta.

[…]

As denúncias, aliadas a um front cada vez maior de mulheres, parece apontar para uma perspectiva de mudanças nas condições de trabalho delas em Hollywood e para além do mundo do cinema também. No domingo (12), centenas de pessoas marcharam no distrito de Los Angeles contra o tratamento indigno às mulheres, seguindo um trajeto que seguia do Hollywood Boulevard e Highland Avenue, passando pela Calçada da Fama e chegando aos escritórios da CNN. Intitulada #MeToo, a marcha se posicionou a favor das vítimas de abuso sexual e contra a cultura permissiva de assédio às mulheres.

Disponível em: http://www.cineset.com.br/abusos-sexuais-no-mundo-do-cinema-quais-as-chances-de-uma-verdadeira-mudanca/ Acesso em 29 janeiro 2018 Adaptado 

Textos retirados de imaginie.com.br

(2º Bimestre – Tema V) LIMITES DEVEM SER IMPOSTOS NO MUNDO DAS ARTES?

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TEXTO I

A exposição “Queermuseu – Cartografias da Diferença na Arte Brasileira” foi cancelada após diversas manifestações nas redes sociais, sendo o Movimento Brasil Livre (MBL) apontado como um dos principais grupos que articulou os protestos – taxados como censura por diversos internautas.

A mostra, que acontecia no Santander Cultural em Porto Alegre, foi inaugurada em 15 de agosto e reunia 270 trabalhos de 85 artistas, de acordo com o jornal Zero Hora.

“Algumas peças apresentadas na mostra revelam imagens que podem provocar um sentimento contrário daquilo que discutem. Porém, foram criadas justamente para nos fazer refletir sobre os desafios que devemos enfrentar em relação à questões de gênero, diversidade, violência entre outros”, afirmou o Santander Cultural em suas redes sociais no último dia 8.

Esta não foi a leitura de muitos internautas, especialmente os seguidores do Movimento Brasil Livre, que se posicionou contra a exposição. “O Santander cancelou uma amostra de ‘arte’ com material que contém pedofilia e zoofilia direcionado a público escolar após pressão nas redes do MBL e de outros grupos de direita”, escreveu o grupo em sua página no Facebook.

Com a ajuda da campanha do MBL e da repercussão cada vez maior nas redes sociais, o Santander decidiu recuar e, no domingo, anunciou o cancelamento da exposição.

“Pedimos sinceras desculpas a todos os que se sentiram ofendidos por alguma obra que fazia parte da mostra. O objetivo do Santander Cultural é incentivar as artes e promover o debate sobre as grandes questões do mundo contemporâneo, e não gerar qualquer tipo de desrespeito e discórdia”, afirmou o espaço em sua página no Facebook.

Disponível em: https://catracalivre.com.br/geral/cidadania/indicacao/entenda-obras-da-exposicao-queer-cancelada-pelo-santander/Acesso em 02 fevereiro 2018

TEXTO II

O ser humano não apenas tem limites naturais como a vida em sociedade exige limitações culturais. O que são as leis senão isso? Não podemos dirigir veículos livremente, por exemplo; há uma série de limitações no código de trânsito que nos “oprimem”. E que dizer das limitações do Código Penal? Alguém aí é livre para matar, roubar, estuprar e vilipendiar culto religioso? Não segundo nosso Código Penal. Você pode discordar, achar absurdo etc. e tal, mas se cometer qualquer dessas ações será sancionado, vendo sua liberdade contida.

Se você ainda tem dúvidas se arte tem limite, então faça um breve e singelo exercício de imaginação. Digamos que naquela exposição sexual do Santander Cultural tivéssemos não uma pintura com dois sujeitos currando uma cabra, mas uma performance “artística” com dois depravados currando uma cabra ao vivo. Agora “passou do limite” ou ainda pensa que artista pode tudo?

Disponível em:   http://www.gazetadopovo.com.br/blogs/francisco-escorsim/2017/09/19/arte-tem-limite-e-defensor-politicamente-correto/ Acesso em 05 fevereiro 2018

TEXTO III

A coordenadora do Centro de Apoio Operacional da Infância, Juventude, Educação, Família e Sucessões do Ministério Público do Rio Grande do Sul, Denise Villela, e o promotor da Infância e da Juventude de Porto Alegre Júlio Almeida estiveram, nesta terça-feira (12/9), na exposição “Queermuseu – Cartografias da Diferença na Arte Brasileira”, exibida no Santander Cultural de Porto Alegre. Para os representantes do MP, o conteúdo das obras não configura pedofilia.

[…]

No Brasil não existe uma legislação específica sobre a classificação indicativa de mostras e exposições presentes em museus e galerias — como ocorre com teatros, cinema e televisão. Porém, segundo a coordenadora, as instituições de arte podem adotar um sistema baseado nos já existentes.

Disponível em: https://www.metropoles.com/entretenimento/exposicao/mp-gaucho-avalia-que-nao-ha-pedofilia-na-exposicao-queermuseu Acesso em 05 fevereiro 2018

TEXTO IV

QUAL A IMPORTÂNCIA DA TRANSGRESSÃO E DA PROVOCAÇÃO NA ARTE? ELE DEVE TER LIMITES? QUAIS SERIAM E POR ONDE DEVERIAM SE PAUTAR?

SOLANGE FARKAS A arte é um exercício contínuo de transgressão, principalmente a partir das vanguardas do começo do século 20. Isso dá a ela uma importância social muito grande porque, ao transgredir, ela aponta para novos caminhos e para soluções que ainda não tínhamos imaginado para problemas que muitas vezes sequer conhecíamos. A seleção dos trabalhos dos artistas para a próxima edição do festival [Videobrasil], por exemplo, me fez ver que os artistas estão muito antenados com as diversas crises que estamos vivendo e oferecem uma visão inovadora para o nosso cotidiano e acho que isso é um bom exemplo.

MARCELLO DANTAS O papel da arte é abrir a cabeça das pessoas. Permitir novas ideias, proporcionar reflexão, imagem e revelar algo do inconsciente coletivo. Para isso ela precisa necessariamente existir no território do inexplorado, do desconhecido, da originalidade e do inominável. Esse território nunca pode ser alcançado se a arte for mantida em um cercado conceitual, onde está pré-definido o que pode e o que não pode. A arte é sobre o que não sabemos e por isso deve poder ser transgressora, indefinida, incompreendida, subjetiva. Sociedade que não tem isso é uma sociedade pobre, sem alma e sem potencial criativo. Incompreendido hoje pode ser o gênio de amanhã. Uma sociedade sem transgressores é uma sociedade burra.

BAIXO RIBEIRO Através da arte, é possível dialogar em níveis que simples conversas não alcançariam. A arte tem a capacidade de quebrar protocolos, regras e leis. E ainda ser elegante, sutil e sofisticada, mas, também, tosca, malcriada ou brega. Não existem limites estéticos. Se percebermos a existência de um limite, é bom que exista uma arte que venha ultrapassá-lo. Faz parte da natureza da sociedade possuir elementos que queiram preservar a ordem e seus antagonistas, que queiram transformá-la. Geralmente o espírito da provocação é excitado por uma sensação de conformismo que tome conta do ar, a subversão é mais intensa quando as leis são mais opressivas, a transgressão é mais legal quando a lei não é legal. Acho que deve haver sempre uma tensão entre essas partes, mas não acho tão importantes estabelecer limites e, sim, procurar equilíbrios.

Disponível em https://www.nexojornal.com.br/expresso/2017/09/16/Quais-os-limites-da-arte-segundo-tr%C3%AAs-especialistas Acesso em 05 fevereiro 2018

Textos retirados de imaginie.com.br

(Tema 5) Interdisciplinaridade e dicas

Olá, alunos.

Para construção do texto, separei algumas matérias e links interessantes para usar em Interdisciplinaridade e intertextualidade (lembrando que se o gênero for resumo, não usar outros textos a não ser o motivador).

Jornal do Comércio: Vândalos apagam cabeça de Jesus Cristo de obra de arte em muro em Porto Alegre 

G1: Pesquisa demonstra que repercussão do cancelamento do Queermuseu foi insuflada por robôs na internet

El País: Queermuseu: O dia em que a intolerância pegou uma exposição para Cristo

(Tema 4) Interdisciplinaridade e dicas

Olá, alunos.

Aqui, você terá acesso a conteúdo para ajudar na construção de sua redação, bem como na inserção de interdisciplinaridade e intertextualidade para o tema: CAMINHOS PARA EVITAR QUE O BRASIL VOLTE AO MAPA DA FOME.

Ah, se o gênero for Resumo, lembre-se de não usar esse conteúdo e resumir somente o texto motivador.

Músicas:

We’re the world

They don’t care about us

Miséria e fome

Artigo e filme:  Filme “Fome” aborda desigualdade social no Brasil

Governo corta Bolsa família de quase 1 milhão de famílias

(2º Bimestre – Tema IV) CAMINHOS PARA EVITAR QUE O BRASIL VOLTE AO MAPA DA FOME

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TEXTO I

O brasileiro José Graziano da Silva, diretor-geral da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, a FAO, diz estar preocupado com a possibilidade de o Brasil voltar a ter a fome como um de seus problemas crônicos e estruturais.

“Se o Brasil não conseguir retomar o crescimento econômico, gerar empregos de qualidade e ter um programa de segurança alimentar voltado especificamente para as zonas mais deprimidas, nós podemos, infelizmente, voltar a fazer parte do Mapa da Fome da FAO”, alerta, em entrevista por e-mail ao UOL, da sede mundial da instituição, em Roma (Itália).

Mapa da Fome é um estudo elaborado desde 1990 pela FAO, principal órgão internacional de incentivo a políticas de combate à fome e à promoção do alimento. O mapa reúne e analisa dados sobre a situação da segurança alimentar da população mundial, fazendo diagnósticos por regiões e países.

Disponível em https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2017/11/06/desemprego-pode-recolocar-brasil-no-mapa-da-fome-diz-lider-do-orgao-da-onu-para-alimentacao.htm Acesso em 12 fevereiro 2018

TEXTO II

O relatório da FAO Panorama da Segurança Alimentar e Nutricional na América Latina e no Caribe 2017 indica que o Brasil será capaz de acabar com a fome, que hoje atinge cerca de 3% da população, até 2030. No entanto, para garantir a segurança alimentar e nutricional, os brasileiros precisam consumir os nutrientes corretos e até mesmo praticar exercícios físicos.

No Brasil, a alimentação é um direito garantido pela Constituição Federal e, mundialmente, o tema é um dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas, que tem como meta acabar com a fome no mundo até 2030.

“O Brasil está muito bem em termos gerais. Em 2014 saiu do Mapa da Fome, com índice de insegurança alimentar abaixo de 5%. Isso revela uma situação que não é estrutural. São grupos, que precisam de políticas focais. O Brasil não tem mais o problema estrutural da fome como outros países da América Latina”, diz o representante da FAO no Brasil, Alan Bojanic.

[…]

“É importante manter o nível de investimento social que se tinha. A crise, com certeza, é uma ameaça para esses programas. Não é fácil alocar recursos nesse momento, mas vamos torcer para que a economia consiga se recuperar e que haja recursos e investimento efetivo no desenvolvimento rural sustentável, que é a chave [para a segurança alimentar]”, diz Bojanic.

Disponível em: https://istoe.com.br/fora-do-mapa-da-fome-fao-recomenda-que-brasil-invista-em-seguranca-alimentar/ Acesso em 12 fevereiro 2018

TEXTO III           

Especialista em segurança alimentar, o economista Francisco Menezes, coordenador do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase) e consultor da ActionAid Brasil, explica por que o país pode estar prestes a voltar para o Mapa da Fome da ONU

O último dado disponível, de 2014, do IBGE, mostra que o país tinha 7 milhões de pessoas em situação de vulnerabilidade extrema, o que é menos de 5% da população. Por que vocês acreditam que este número aumentou?
Um dos objetivos do milênio da ONU é o fim da fome. Por isso nos debruçamos sobre a análise das políticas que estão sendo usadas nesse sentido, para produzir um relatório. A fome está muito associada à pobreza extrema e a situação do desemprego se agravou muito. Não só pelo fato de termos 14 milhões de desempregados, mas pelo fato de as populações mais pobres serem as mais prejudicadas. Além disso, o governo cortou R$ 1,1 milhão em benefícios do Bolsa Família, sob a alegação de irregularidades. Num quadro de desemprego, esse nível de redução agrava a situação social.

Em relação às políticas públicas adotadas para a redução da fome, o que a análise de vocês constatou?
Estive agora debruçado sobre a proposta de orçamento para 2018 e ela assusta bastante. Muitos cortes previstos têm um impacto direto no agravamento da situação de pobreza. Como exemplo, eu citaria a redução de 92% das verbas do programa de cisternas no semiárido e de 99% dos recursos voltados para a aquisição de alimentos da agricultura familiar para distribuição em áreas mais carentes. Nós somos observadores e temos que dizer: medidas como essas nos levam à situação de fome.

Disponível em: https://epocanegocios.globo.com/Economia/noticia/2017/10/epoca-negocios-entrevista-brasil-pode-voltar-ao-mapa-da-fome-da-onu-diz-economista-do-ibase.html Acesso em 12 fevereiro 2018

Textos retirados de www.imaginie.com.br