Arquivos diários: 21 de setembro de 2016

Dissertação Argumentativa: aprenda a estrutura de uma redação

Em uma dissertação argumentativa, o aluno demonstra um conhecimento do assunto a ser abordado com o intuito de persuadir o leitor.

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Uma redação deve ter um começo, um meio e um fim, e o nome técnico de sua estrutura é introdução, desenvolvimento e conclusão. Quando a proposta da redação é de uma dissertação argumentativa, a expectativa da banca é que o aluno demonstre um conhecimento do assunto a ser abordado com o intuito de persuadir e convencer o leitor a concordar com o seu ponto de vista.

INTRODUÇÃO

A introdução é a parte da dissertação argumentativa que vai levar o leitor para dentro do texto; seus objetivos são mostrar a atualidade e a relevância do tema, fazendo sua contextualização, e sugerir uma abordagem (contra ou a favor) sobre o tema. Essa abordagem é conhecida como tese.

Estratégias de Introdução:

  • Citação de argumentos
  • Contexto histórico
  • Exemplo concreto
  • Flashes ou frases nominais
  • Dados estatísticos
  • Alusão cultural
  • Conceituação

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DESENVOLVIMENTO

O parágrafo de desenvolvimento de uma dissertação argumentativa deve desenvolver apenas uma ideia principal que deve ser articulada ao todo. O parágrafo-padrão deve ser composto de um tópico frasal, que é o período que contém a síntese da ideia que vai ser desenvolvida ao longo do parágrafo.

Formas de Ampliação:

  • Explicação
  • Exemplificação
  • Argumento de autoridade
  • Causas e consequências
  • Dados estatísticos
  • Raciocínio lógico (dedução, indução e dialética)

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CONCLUSÃO

A conclusão deve evidenciar o fim da dissertação argumentativa com a utilização de um conectivo conclusivo. Ela serve para esclarecer o seu ponto de vista, estabelecer um diálogo com a introdução e ratificar sua tese, através da paráfrase. Não se deve esquecer que a conclusão deve promover uma reflexão e se for a redação do ENEM, deve ter a proposta de intervenção social que é uma solução para o problema apresentado no tema.

OBS: Não se esqueça que, durante toda sua dissertação argumentativa, deve ser mantida coerência, que é a sequência lógica de ideias, e a coesão, que é a ligação entre as partes do texto através dos mecanismos conhecidos como ganchos (ligação entre parágrafos) e as conjunções (ligação de frases dentro do parágrafo).

EXERCÍCIOS

1- (ENEM 2013) Gripado, penso entre espirros em como a palavra gripe nos chegou após uma série de contágios entre línguas. Partiu da Itália em 1743 a epidemia de gripe que disseminou pela Europa, além do vírus propriamente dito, dois vocábulos virais: o italiano influenza e o francês grippe. O primeiro era um termo derivado do latim medieval influentia, que significava “influência dos astros sobre os homens”. O segundo era apenas a forma nominal do verbo gripper, isto é, “agarrar”. Supõe-se que fizesse referência ao modo violento como o vírus se apossa do organismo infectado.

RODRIGUES. S. Sobre palavras. Veja, São Paulo, 30 nov. 2011.

Para se entender o trecho como uma unidade de sentido, é preciso que o leitor reconheça a ligação entre seus elementos. Nesse texto, a coesão é construída predominantemente pela retomada de um termo por outro e pelo uso da elipse. O fragmento do texto em que há coesão por elipse do sujeito é:

a) “[…] a palavra gripe nos chegou após uma série de contágios entre línguas.”

b) “Partiu da Itália em 1743 a epidemia de gripe […]”.

c) “O primeiro era um termo derivado do latim medieval influentia, que significava ‘influência dos astros sobre os homens’.”

d) “O segundo era apenas a forma nominal do verbo gripper […]”.

e) “Supõe-se que fizesse referência ao modo violento como o vírus se apossa do organismo infectado.”

2- (ENEM 2011) Cultivar um estilo de vida saudável é extremamente importante para diminuir o risco de infarto, mas também de problemas como morte súbita e derrame. Significa que manter uma alimentação saudável e praticar atividade física regularmente já reduz, por si só, as chances de desenvolver vários problemas. Além disso, é importante para o controle da pressão arterial, dos níveis de colesterol e de glicose no sangue. Também ajuda a diminuir o estresse e aumentar a capacidade física, fatores que, somados, reduzem as chances de infarto. Exercitar-se, nesses casos, com acompanhamento médico e moderação, é altamente recomendável.

ATALIA, M. Nossa vida. Época. 23 mar. 2009.

As ideias veiculadas no texto se organizam estabelecendo relações que atuam na construção do sentido. A esse respeito, identifica-se, no fragmento, que:

a) a expressão “Além disso” marca uma sequenciação de ideias.

b) o conectivo “mas também” inicia oração que exprime ideia de contraste.

c) o termo “como”, em “como morte súbita e derrame”, introduz uma generalização.

d) o termo “Também” exprime uma justificativa.

e) o termo “fatores” retoma coesivamente “níveis de colesterol e de glicose no sangue”.

3- (UFSM) Assinale a sequência de conjunções que estabelecem, entre as orações de cada item, uma correta relação de sentido.

1. Correu demais, … caiu.

2. Dormiu mal, … os sonhos não o deixaram em paz.

3. A matéria perece, … a alma é imortal.

4. Leu o livro, … é capaz de descrever as personagens com detalhes.

5. Guarde seus pertences, … podem servir mais tarde.

a) porque, todavia, portanto, logo, entretanto

b) por isso, porque, mas, portanto, que

c) logo, porém, pois, porque, mas

d) porém, pois, logo, todavia, porque

e) entretanto, que, porque, pois, portanto

GABARITO

1. E

Comentário: A forma verbal “fizesse” tem seu sujeito oculto, fazendo referência ao vocábulo viral grippe, que significa agarrar. Caso o fragmento fosse reescrito com o sujeito explícito, teríamos: “Supõe-se que o vocábulo grippe fizesse referência ao modo violento como o vírus se apossa do organismo infectado.”

2. A

Comentário: A expressão “Além disso” estabelece coesão, dando sequência às ideias ditas anteriormente.

3. B

Comentário: “Por isso” é uma conjunção conclusiva, “porque” é uma conjunção explicativa, “mas” é uma conjunção adversativa, “portanto” é uma conjunção conclusiva e “que” é uma conjunção explicativa e elas estabelecem o sentindo necessário nas frases.

Mapa Mental: Estrutura da Dissertação

Aprenda a Estrutura da Dissertação para arrasar na redação do ENEM e garantir sua nota 1000! 😀

Estrutura da Dissertação:

Uma redação deve ter um começo, um meio e um fim, e o nome técnico de sua estrutura é introdução, desenvolvimento e conclusão. Quando a proposta da redação é de uma dissertação argumentativa, a expectativa da banca é que o aluno demonstre um conhecimento do assunto a ser abordado com o intuito de persuadir e convencer o leitor a concordar com o seu ponto de vista.

INTRODUÇÃO

A introdução é a parte da dissertação argumentativa que vai levar o leitor para dentro do texto; seus objetivos são mostrar a atualidade e a relevância do tema, fazendo sua contextualização, e sugerir uma abordagem (contra ou a favor) sobre o tema. Essa abordagem é conhecida como tese.

Estratégias de Introdução:

  • Citação de argumentos
  • Contexto histórico
  • Exemplo concreto
  • Flashes ou frases nominais
  • Dados estatísticos
  • Alusão cultural
  • Conceituação

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Confira 5 formas de ampliação do tópico frasal e tire onda na redação do ENEM!

A reta final do ENEM está se aproximando e nada melhor do que começar a relembrar alguns passos muito importantes da estrutura da sua redação para você conquistar o 1000, não é mesmo? Você lembra das formas de ampliação do tópico frasal? Não? Confira aqui para na hora h você escrever tudo “like a boss”.

1- Explicação

Como você sabe que o tópico frasal é uma síntese da ideia que vai ser desenvolvida no parágrafo, a forma mais fácil de você fazer a sua ampliação é através da explicação. Com ela, você vai explicar tudo o que está contido no seu tópico. Mais simples que isso impossível, né? Beijo, amores. :*

Por dentro da redação: os critérios de avaliação

 Entenda os principais critérios que são cobrados na redação do Enem 2015 e garanta um bom desempenho.

A redação do Enem cobra a elaboração de uma dissertação argumentativa. As propostas são apresentadas aos candidatos a partir de uma coletânea de textos. Por isso, podemos afirmar que se trata de um exercício de interpretação de texto.

Durante a redação, o aluno deve saber posicionar-se em relação a um assunto, elaborando um texto que expresse o seu ponto de vista com base em argumentos pertinentes, que respeitem os direitos humanos. Além disso, a prova exige que o candidato elabore uma proposta de solução para o tema abordado, mostrando a sua capacidade de reflexão. Ou seja, ele deverá aplicar conhecimentos adquiridos não somente ao longo da vida escolar, mas sim aqueles que resultam da própria experiência pessoal.

Temas

A proposta de redação no Enem é elaborada envolvendo textos que tratam sobre diferentes temas da atualidade apresentados como uma situação-problema para qual o autor deverá propor intervenções. Estes temas devem abordar questões de ordem política, social, cultural ou científica, de acordo com o Inep, órgão do MEC responsável pela elaboração do exame.

Confira 5 atitudes que podem anular a sua redação no Enem:

1 – Apresentar o texto em branco;

2 – Apresentar um texto com até 7 linhas (não incluindo o título);

3 – Apresentar um texto que exponha uma clara intenção de anular a redação;

4 – Desrespeitar os direitos humanos;

5 – Apresentar texto que não desenvolva a proposta de redação, fugindo do tema ou não atendendo à estrutura textual cobrada na prova.


Correção das provas

As provas do Enem 2015 deverão ser realizadas em caneta de cor preta fabricada em material transparente. A redação deverá ser transcrita na “Folha de Redação” sem emendas ou rasuras. Os rascunhos e as marcações feitas pelos candidatos nos Cadernos de Questões não serão considerados válidos para a correção da redação.

A redação será corrigida por dois corretores de forma independente. Cada corretor atribuirá uma nota entre zero e 200 pontos para cada um das cinco competências. A nota total de cada corretor corresponde à soma das notas atribuídas a cada uma das competências. Será considerada discrepância entre dois corretores se suas notas totais diferirem por mais de 100 pontos ou se a diferença de suas notas em qualquer uma das competências for superior a 80 pontos.
A nota final da redação do Enem 2015 varia entre zero (0) a mil (1000) e será atribuída da seguinte forma:
1. Caso não haja discrepância entre os corretores, a nota final será a média aritmética das notas totais atribuídas pelos dois corretores;

2. Caso haja discrepância entre os corretores, a redação será corrigida por um terceiro corretor de forma independe;

3.
 Caso não haja discrepância entre o terceiro corretor e os outros dois corretores anteriores, a nota final será a média aritmética entre as duas notas totais que mais se aproximarem, sendo desconsideradas as demais notas;

4.
 Caso haja discrepância entre o terceiro corretor e apenas um dos dois corretores anteriores, a nota final será a média aritmética entre as duas notas totais que mais se aproximarem, sendo desconsideradas as demais notas;

5.
 Caso haja discrepância entre o terceiro corretor e os dois corretores anteriores, a redação será corrigida por uma banca composta por três corretores. Esta banca atribuirá a nota final do participante, desconsiderando as anteriores.

A seguir, confira os critérios de correção da prova de redação do Enem 2015:


Técnicas – Plano de texto com começo, meio e fim.

Um dos principais problemas enfrentados pelos candidatos na prova de redação é a falta de organização e de planejamento.

Desenvolvimento de um texto.:

  • Antes de colocar sua opinião no papel, leia a questão atentamente, entenda qual é o tema tratado, organize as várias ideias e faça um questionamento do assunto. Vejas as etapas para preparar uma boa dissertação.

1.LEIA COM ATENÇÃO

Na prova de redação, você vai deparar com a exposição de uma coletânea que pode incluir textos verbais e textos não verbais (ilustrações, fotos e gráficos). Tal coletânea se estabelece em torno do tema e muitas vezes conduz, entre seus textos, abordagens divergentes e até mesmo contraditórias. O primeiro desafio é fazer uma leitura cuidadosa e dar atenção a todas as informações antes de tomar qualquer decisão sobre sua redação.

2. ANALISE

Determine quais são os principais elementos, ou subdivisões, que compõem o tema apresentado. Para não se perder nas ideias, você pode sublinhar trechos ou anotar no rascunho. Por exemplo, se a proposta tratar da relação dos adolescentes com as drogas, anote em poucas palavras os pontos principais expostos, que podem ser: o crescimento do consumo de drogas nas escolas; as campanhas de conscientização; o papel dos pais etc. Esse material o ajudará a sustentar sua opinião mais tarde.

3. QUESTIONE

Antes de procurar respostas, é preciso fazer perguntas. Indagar é a melhor maneira de começar a abordar um assunto, pois isso vai expor com clareza os problemas que estão ligados a ele. Afinal, sua dissertação precisará propor questões para depois poder apresentar respostas. Assim, elabore um breve questionamento com base nos próprios dados apresentados na prova. Isso vai ajudá-lo, depois, apresentar seus argumentos de forma ordenada.

4. USE SEU CONHECIMENTO

Anote as ideias que lhe vem à cabeça sobre o tema. Filmes que você viu, livros, conceitos, fatos que aprendeu em aulas de geografia, história, filosofia. Relacione pensamentos, autores e obras artísticas reconhecidas. Deixar esse repertório pronto será útil quando você precisar de exemplos para ilustrar a opinião que defenderá na redação. Para uma preparação ainda melhor, organize essas ideias de modo progressivo, ou seja, dos argumentos mais simples para os mais complexos.

5. ESCOLHA SEU CAMINHO

Decida qual ponto de vista você pretende defender. Será uma possível solução para o problema apresentado? Ou uma crítica ao modo como as pessoas encaram a situação descrita? Identifique nos textos da coletânea e em seu repertório os argumentos favoráveis e contrários. Então faça um esquema do caminho analítico que planeja percorrer:

  • Como introduzir a questão?
  • Quais aspectos abordar para tornar a questão bem clara para o leitor? Em que ordem?
  • Quais argumentos serão necessários para conduzir o leitor até a conclusão pretendida?
  • Procure criar um título claro, abordando o tema e seu ponto de vista sobre ele.

 

Gostou das dicas? Comente, compartilhe. Escreva aqui embaixo um recadinho para mim com sugestões, críticas.

Obrigada por acessar. Bj da pró.

Primeiro ponto: IV Unidade – Leitura crítica – 3º ano EM

Todo o Mundo e Ninguém

Um rico mercador, chamado “Todo o Mundo” e um homem pobre cujo nome é “Ninguém”, encontram-se e põem-se a conversar sobre o que desejam neste mundo. Em torno desta conversa, dois demônios (Belzebu e Dinato) tecem comentários espirituosos, fazem trocadilhos, procurando evidenciar temas ligados à verdade, à cobiça, à vaidade, à virtude e à honra dos homens.
Representada pela primeira vez em 1532, como parte de uma peça maior, chamada Auto da Lusitânia (no século XVI, chama-se auto ao drama ou comédia teatral), a obra é de autoria do criador do teatro português, Gil Vicente.
Entra Todo o Mundo, rico mercador, e faz que anda buscando alguma cousa que perdeu; e logo após, um homem, vestido como pobre. Este se chama Ninguém e diz:
Ninguém:
Que andas tu aí buscando?
Notas de tradução
Todo o Mundo:
Mil cousas ando a buscar:
delas não posso achar,
porém ando porfiando
por quão bom é porfiar.
Porfiando: insistindo, teimando.
Ninguém:
Como hás nome, cavaleiro? O verbo haver nestes versos tem o sentido de ter.
Todo o Mundo:
Eu hei nome Todo o Mundo
e meu tempo todo inteiro
sempre é buscar dinheiro
e sempre nisto me fundo.
E sempre nisto me fundo: e sempre me baseio neste princípio, nesta idéia.
Ninguém:
Eu hei nome Ninguém,
e busco a consciência.
Belzebu:
Esta é boa experiência:
Dinato, escreve isto bem.
Dinato:
Que escreverei, companheiro?
Belzebu:
Que ninguém busca consciência.
e todo o mundo dinheiro.
Ninguém:
E agora que buscas lá?
Todo o Mundo:
Busco honra muito grande.
Ninguém:
E eu virtude, que Deus mande
que tope com ela já.
Belzebu:
Outra adição nos acude:
escreve logo aí, a fundo,
que busca honra todo o mundo
e ninguém busca virtude.
Adição: acrescentamento.
Acude: ocorre.
Ninguém:
Buscas outro mor bem qu’esse? A palavra mor, muito pouco empregada atualmente, é uma forma abreviada de maior. Poderíamos dizer, pois:
buscas outro maior bem…
Todo o Mundo:
Busco mais quem me louvasse
tudo quanto eu fizesse.
Ninguém:
E eu quem me repreendesse
em cada cousa que errasse.
Belzebu:
Escreve mais.
Dinato:
Que tens sabido?
Belzebu:
Que quer em extremo grado
todo o mundo ser louvado,
e ninguém ser repreendido.
Ninguém:
Buscas mais, amigo meu?
Todo o Mundo:
Busco a vida a quem ma dê. Ma: me+a. Contração dos pronomes pessoais oblíquos, objeto indireto e direto, respectivamente.
Ninguém:
A vida não sei que é,
a morte conheço eu.
Belzebu:
Escreve lá outra sorte.
Dinato:
Que sorte?
Belzebu:
Muito garrida:
Todo o mundo busca a vida
e ninguém conhece a morte.
Garrida: engraçada.
Todo o Mundo:
E mais queria o paraíso,
sem mo ninguém estorvar.
Mo: me+o. Contração do pronome objeto indireto me com o pronome demonstrativo objeto direto o. Entenda-se no texto: sem ninguém estorvar isto a mim.
Estorvar: atrapalhar.
Ninguém:
E eu ponho-me a pagar
quanto devo para isso.
Ponho: entenda-se: proponho.
Belzebu:
Escreve com muito aviso.
Dinato:
Que escreverei?
Belzebu:
Escreve
que todo o mundo quer paraíso
e ninguém paga o que deve.
Todo o Mundo:
Folgo muito d’enganar,
e mentir nasceu comigo.
Folgo: tenho prazer, gosto.
Ninguém:
Eu sempre verdade digo
sem nunca me desviar.
Belzebu:
Ora escreve lá, compadre,
não sejas tu preguiçoso.
Dinato:
Quê?
Belzebu:
Que todo o mundo é mentiroso,
E ninguém diz a verdade.
Ninguém:
Que mais buscas?
Todo o Mundo:
Lisonjear. Lisonjear: elogiar.
Ninguém:
Eu sou todo desengano.
Belzebu:
Escreve, ande lá, mano.
Dinato:
Que me mandas assentar?
Belzebu:
Põe aí mui declarado,
não te fique no tinteiro:
Todo o mundo é lisonjeiro,
e ninguém desenganado.
mui: forma reduzida de muito.

 

O autor deu o nome de Todo o Mundo e Ninguém às suas personagens principais desta cena. Pretendeu com isso fazer humor, caracterizando o rico mercador, cheio de ganância, vaidade, petulância, como se ele representasse a maioria das pessoas na terra (todo o mundo). E atribuindo ao pobre, virtuoso, modesto, o nome de Ninguém, para demonstrar que praticamente ninguém é assim no mundo.
O autor: Gil Vicente

Não se sabe, ao certo, a data do nascimento de Gil Vicente. Talvez 1452, 1465 ou 1470. Supõe-se tenha falecido em 1537. Trabalhava junto à corte, como mestre da balança (ou seja, diretor da Casa da Moeda). Em 1502, por ocasião do nascimento do príncipe D. João III, representou perante a rainha mãe, ainda acamada, a peça Auto da visitação (ou Monólogo do vaqueiro). Com ela iniciava o teatro em Portugal.

Em sua biografia quase tudo são hipóteses, inclusive a cidade portuguesa que teria sido seu berço natal.

Mas o importante mesmo é o valor de sua extensa obra teatral, com a qual pintou um painel crítico da sociedade portuguesa quinhentista, não lhe tendo escapado classe social alguma. Suas peças eram, em geral, representadas nos paços reais, com a corte presente. Os cenários e os recursos técnicos eram pobres, mas os temas engenhosos , as personagens decalcadas da realidade e a agilidade do diálogo, além do humor, fizeram do autor um dos mais significativos de toda a história da literatura portuguesa. Principais obras: Auto da Barca do Inferno, Auto da Barca do Purgatório e Auto da Barca da Glória (a chamada Trilogia das barcas), Auto da Índia, Farsa de Inês Pereira.
Apesar da dificuldade que poderá ocorrer na leitura e representação de suas peças, por causa da linguagem antiga, vale a pena conhecer esse autêntico gênio do teatro português de todos os tempos.

Fonte: “Aprendendo o Português…”, Dino Preti, Companhia Editora Nacional, São Paulo, 1977

ATIVIDADE SOBRE A LEITURA

A partir da leitura crítica (produção espiritual) do texto acima, classifique os enunciados essenciais enumerados abaixo de acordo com os seguintes critérios: (A) correto; (B) provável; (C) incorreto; (D) improvável; (E) não se pode saber.

ENUNCIADOS ESSENCIAIS. 

  1. Todo o Mundo quer em extrema vontade ser louvado, e Ninguém repreendido. (  )
  2. Dinato, nervoso com a surdez de Berzebu, grita para ele ouvir e anotar. (  )
  3. Todo mundo busca honra, e Ninguém busca virtude. (  )
  4. O diabo Berbezu escuta mal as conclusões ditadas pelo compadre Dinato. (  )
  5. Ninguém busca consciência, e Todo o Mundo dinheiro. (  )
  6. Dinato é um diabo nervoso e atrapalhado. (  )
  7. Todo o Mundo é mentiroso, e que Ninguém diz a verdade. (  )
  8. O diabo Berzebu está nervoso com a surdez do compadre Dinato. (  )
  9. Todo o Mundo busca a vida, e Ninguém conhece a morte. (  )
  10. Dinato é um diabo meio surdo que anota as conclusões ditadas por Berzebu. (  )
  11. Todo o Mundo quer o paraíso, e Ninguém paga o que deve para isso. (  )