Tarefas de Literatura para os 7ºs anos para a semana 15 a 18.05

O HOMEM NU

Fernando Sabino

          Ao acordar, disse para a mulher:

          – Escuta, minha filha: hoje é dia de pagar a prestação da televisão, vem aí o sujeito com a conta, na certa. Mas acontece que ontem eu não trouxe dinheiro da cidade, estou a nenhum.

            – Explique isso ao homem – ponderou a mulher.

          – Não gosto dessas coisas. Dá um ar de vigarice, gosto de cumprir rigorosamente as minhas obrigações. Escuta: quando ele vier a gente fica quieto aqui dentro, não faz barulho, para ele pensar que não tem ninguém. Deixa ele bater até  cansar – amanhã eu pago.

       Pouco depois, tendo despido o pijama, dirigiu-se ao banheiro para tomar um banho, mas a mulher já se trancara lá dentro. Enquanto esperava, resolveu fazer um café. Pôs a água a ferver e abriu a porta de serviço para apanhar o pão. Como estivesse completamente nu, olhou com cautela para um lado e para outro antes de arriscar-se a dar dois passos até ao embrulhinho deixado pelo padeiro sobre o mármore do parapeito. Ainda era muito cedo, não poderia aparecer ninguém. Mal seus dedos, porém, tocavam o pão, a porta atrás de si fechou-se com estrondo, impulsionada pelo vento.

          Aterrorizado, precipitou-se até à campainha e, depois de tocá-la, ficou à espera, olhando ansiosamente ao redor. Ouviu lá dentro o ruído da água do chuveiro interromper-se de súbito, mas ninguém veio abrir. Na certa a mulher pensava que já era o sujeito da televisão. Bateu com o nós dos dedos:

          – Maria! Abre aí, Maria. Sou eu – chamou em voz baixa.

          Quanto mais batia, mais silêncio fazia lá dentro.

       Enquanto isso, ouvia lá embaixo a porta do elevador fechar-se, viu o ponteiro subir lentamente os andares… Desta vez, era o homem da televisão!

          Não era. Refugiado no lance da escada entre os andares, esperou que o elevador passasse, e voltou para a porta do seu apartamento, sempre a segurar nas mãos nervosas o embrulho de pão:

          – Maria, por favor! Sou eu!

         Desta vez não teve tempo de insistir: ouviu passos na escada, lentos, regulares, vindo lá de baixo… Tomado de pânico, olhou ao redor, fazendo uma pirueta, e assim despido, embrulho na mão, parecia executar um ballet grotesco e mal ensaiado. Os passos na escada se aproximavam, e ele sem onde se esconder. Correu para o elevador, apertou o botão. Foi o tempo de abrir a porta e entrar, e a empregada passava, vagarosa, encetando a subida de um lance de escada. Ele respirou, aliviado, enxugando o suor da testa com o embrulho do pão. Mas eis que a porta interna do elevador se fecha e ele começa a descer.

          – Ah, isso é que não! – fez o homem nu, sobressaltado.

          E agora? Alguém lá embaixo abriria a porta do elevador e daria com ele ali, em pêlo, podia mesmo ser algum vizinho conhecido… Percebeu, desorientado, que estava sendo levado cada vez mais longe de seu apartamento, começava a viver um verdadeiro pesadelo de Kafka, instaurava-se naquele momento o mais autêntico e desvairado Regime do Terror!

          – Isso é que não! – repetiu, furioso.

        Agarrou-se à porta do elevador e abriu-a com força entre os andares, obrigando-o a parar. Respirou fundo, fechando os olhos, para ter a momentânea ilusão de que sonhava. Depois experimentou apertar o botão do seu andar. Lá embaixo continuavam a chamar o elevador. Antes de mais nada: “Emergência: parar”. Muito bem. E agora? Iria subir ou descer?

          Com cautela desligou a parada de emergência, largou a porta, enquanto insistia em fazer o elevador subir. O elevador subiu.

          – Maria! Abre esta porta! – gritava, desta vez esmurrando a porta, já sem nenhum cautela.

          Ouviu que outra porta se abria atrás de si. Voltou-se, acuado, apoiando o traseiro no batente e tentando inutilmente cobrir-se com o embrulho de pão. Era a velha do apartamento vizinho.

          – Bom dia, minha senhora – disse ele, confuso. – Imagine que eu…

          A velha, estarrecida, atirou os braços para cima, soltou um grito:

          – Valha-me Deus! O padeiro está nu!

          E correu ao telefone para chamar a rádio patrulha:

          – Tem um homem pelado aqui na porta!

          Outros vizinhos, ouvindo a gritaria, vieram ver o que se passava:

          – É um tarado!

          – Olha, que horror!

          – Não olha não! Já pra dentro, minha filha!

          Maria, a esposa do infeliz, abriu finalmente a porta para ver o que era. Ele entrou como um foguete e vestiu-se precipitadamente, sem nem se lembrar do banho. Poucos minutos depois, restabelecida a calma lá fora, bateram na porta.

          – Deve ser a polícia – disse ele, ainda ofegante, indo abrir.

          Não era: era o cobrador da televisão.

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Responda às questões abaixo:

  1. A narrativa desta crônica está em que pessoa verbal?
  2. Quais os tempos verbais predominantes nesta crônica?
  3. Qual é o nome do homem nu?
  4. Por que o casal não poderia abrir a porta do apartamento?
  5. Por que o homem ficou nu?
  6. O homem saiu do apartamento com qual objetivo e como ele estava?
  7. No quarto parágrafo do texto, o homem afirma:— Não gosto dessas coisas. Dá um ar de vigarice, gosto de cumprir rigorosamente as minhas obrigações. Escuta: quando ele vier a gente fica quieto aqui dentro, não faz barulho, para ele pensar que não tem ninguém. Deixa ele bater até cansar — amanhã eu pago.

    A atitude dele está de acordo com sua afirmação? Por quê?

  8. O que aconteceu quando o homem nu saiu para pegar o embrulho de pão?
  9. Qual o efeito cômico que o autor explora nesta situação corriqueira?
  10. Apesar do homem bater e chamar por sua mulher, ela não veio abrir a porta. Por quê?
  11. O autor utiliza a descrição de sons durante a narrativa. Qual a importância desses sons na narrativa?
  12. Em alguns momentos, a narrativa é pontuada por perguntas como: “E agora? Iria subir ou descer?”. O que essas perguntas retratam na narrativa?
  13. Por que a velha disse: “O padeiro está nu!” ?
  14. O texto apresenta uma boa quantidade de falas e diálogos curtos. Que efeito eles imprimem à narrativa?
  15. Qual o ponto máximo de tensão da narrativa?
  16. Dividindo-se a narrativa em três partes, descreva com uma frase:
    1. a situação inicial –
    2. o conflito –
    3. a resolução final –
  17. No final da história, o homem teve de encarar o cobrador da televisão. Escreva uma possível desculpa que ele poderia dar para não pagar a prestação.

Tarefa para os 7ºs anos para a semana que inicia dia 01.05.17

O HOMEM TROCADO

O homem acorda da anestesia e olha em volta. Ainda está na sala de recuperação. Há uma enfermeira do seu lado. Ele pergunta se foi tudo bem.

– Tudo perfeito – diz a enfermeira, sorrindo.

– Eu estava com medo desta operação…

– Por quê? Não havia risco nenhum.

– Comigo, sempre há risco. Minha vida tem sido uma série de enganos…E conta que os enganos começaram com seu nascimento. Houve uma troca de bebês no berçário e ele foi criado até os dez anos por um casal de orientais, que nunca entenderam o fato de terem um filho claro com olhos redondos. Descoberto o erro, ele fora viver com seus verdadeiros pais. Ou com sua verdadeira mãe, pois o pai abandonara a mulher depois que esta não soubera explicar o nascimento de um bebê chinês.

– E o meu nome? Outro engano.

– Seu nome não é Lírio?

– Era para ser Lauro. Se enganaram no cartório e…

Os enganos se sucediam. Na escola, vivia recebendo castigo pelo que não fazia. Fizera o vestibular com sucesso, mas não conseguira entrar na universidade. O computador se enganara, seu nome não apareceu na lista.

– Há anos que a minha conta do telefone vem com cifras incríveis. No mês passado tive que pagar mais de R$ 3 mil.

– O senhor não faz chamadas interurbanas?

– Eu não tenho telefone!

Conhecera sua mulher por engano. Ela o confundira com outro. Não foram felizes.

– Por quê?

– Ela me enganava.

Fora preso por engano. Várias vezes. Recebia intimações para pagar dívidas que não fazia. Até tivera uma breve, louca alegria, quando ouvira o médico dizer:

– O senhor está desenganado.

Mas também fora um engano do médico. Não era tão grave assim. Uma simples apendicite.

– Se você diz que a operação foi bem…

A enfermeira parou de sorrir.

– Apendicite? – perguntou, hesitante.

– É. A operação era para tirar o apêndice.

– Não era para trocar de sexo?

(Luis Fernando Veríssimo. Seleção de crônicas do livro Comédias da vida privada. Porto Alegre: LP&M, 1996. p. 77-8)

1. Nas crônicas de humor, é comum haver uma situação inicial ou uma fala que gera outras situações de humor. Na crônica “O homem trocado”, a partir de que fala do protagonista são introduzidas as várias situações engraçadas que ocorreram com ele?

2. A crônica de humor é quase sempre um texto curto, como poucas personagens. O tempo e o espaço são limitados. Na crônica em estudo:

a) Quais são as personagens principais envolvidas na história?

b) O protagonista é tratado de modo superficial, como se fosse um indivíduo como, ou é tratado de modo mais aprofundado psicologicamente? Por quê?

c) Onde a história acontece?

d) Qual é o tempo de duração da história?

3. A crônica de humor normalmente apresenta situações rápidas, em que a fala das personagens assume um papel importante para a construção da história.

a) Que tipo de discurso predomina na crônica lida: o direto ou indireto?

b) O que o emprego desse tipo de discurso confere à narrativa? Justifique sua resposta.

4. Na crônica de humor o narrador pode ser observador ou personagem. Qual é o tipo de narrador presente na crônica “O homem trocado”? Justifique a sua resposta.

5. A crônica de humor normalmente se encaminha para um desfecho inesperado.

a) Na crônica “O homem trocado”, qual é a surpresa final?

b) Há, antes do final da história, alguma pista explícita desse desfecho?

c) Se houvesse antecipação do desfecho, o texto continuaria engraçado?

d) Essa característica da crônica de humor aproxima-se de outro gênero textual cuja finalidade é divertir. Que gênero é esse?

6. Nas crônicas, o registro de fatos dia-a-dia ou veiculados em notícias de jornal é feito de modo a levar o leitor a se divertir ou refletir criticamente sobre a vida e os comportamentos humanos. Na sua opinião, a narrativa feita de humor lida apresenta esses mesmos objetivos? Justifique sua resposta.

7. Observe a linguagem empregada na crônica lida. Que tipo de variedade linguística é adotado na crônica de humor: a variedade padrão formal ou a variedade padrão informal?

Tarefa de Literatura – somente turma 72 para 13.04

Em folha almaço, para entregar, com nome e turma, textos e questões copiadas e respondidas.

TEXTO 1:
A Borboleta e o Casulo
          Quando a lagarta, tornada crisálida, concluiu praticamente a sua transformação em lepidóptero, resta-lhe passar uma prova para se tornar verdadeiramente borboleta. Tem de conseguir romper o casulo no seio do qual se operou a transformação, a fim de se libertar dele e iniciar o seu voo.

          Se a lagarta teceu o seu casulo pouco a pouco, progressivamente, a futura borboleta em compensação não pode libertar-se dele da mesma forma, procedendo progressivamente. Desta vez tem de congregar força suficiente nas asas para conseguir romper, de uma assentada, a sua gola de seda.


          É precisamente graças a esta última prova e à força que ela exige que a borboleta acumule nas suas jovens asas, que esta desenvolve a musculatura de que terá necessidade depois para voar.


          Quem ignorar este dado importante e, imaginando ‘ajudar’ uma borboleta a nascer, romper o casulo em seu lugar, assistirá ao nascimento de um lepidóptero totalmente incapaz de voar. Esta não terá conseguido utilizar a resistência da sua sedosa prisão para construir a força de que teria necessidade para lançar-se seguidamente no céu.
TEXTO 2:
A lição da borboleta
          Um dia, uma pequena abertura apareceu num casulo e um homem ficou observando o esforço da borboleta para fazer com que o seu corpo passasse por ali e ganhasse a liberdade. Por um instante, ela parou, parecendo que tinha perdido as forças para continuar. Então, o homem decidiu ajudar e, com uma tesoura, cortou delicadamente o casulo. A borboleta saiu facilmente. Mas, seu corpo era pequeno e tinha as asas amassadas. O homem continuou a observar a borboleta porque esperava que, a qualquer momento, as asas dela se abrissem e ela saísse voando.

          Nada disso aconteceu. A borboleta ficou ali rastejando, com o corpo murcho e as asas encolhidas e nunca foi capaz de voar! O homem, que em sua gentileza e vontade de ajudar, não compreendeu que o casulo apertado e o esforço eram necessários para a borboleta vencer essa barreira. Era o desafio da natureza para mantê-la viva. O seu corpo se fortaleceria e ela estaria pronta para voar assim que se libertasse do casulo.

          Algumas vezes, o esforço é tudo o que precisamos na vida. Se Deus nos permitisse passar pela vida sem obstáculos, não seríamos como somos hoje. A força vem das dificuldades, a sabedoria, dos problemas que temos que resolver. A prosperidade, do cérebro e músculos para trabalhar. A coragem vem do perigo para superar e, às vezes, a gente se pergunta: “não recebi nada do que pedi a Deus”. Mas, na verdade, recebemos tudo o que precisamos. E nem percebemos.

1. Há relação entre os dois textos? Explique.

2. O texto 1 é um texto científico.
( ) concordo ( ) discordo
O que faz você afirmar e concordar com isso? Retire do texto os argumentos que comprovam. Se discorda, apresente também os argumentos retirados do texto.

3. O texto fala da transformação da borboleta. Cientificamente, como se chama esse processo?

4. O autor utiliza-se do texto para orientar sobre o processo de transformação. Qual é a grande lição que ele quer passar com o texto?

5. Agora, vamos analisar o texto 2. Ele é uma crônica.
( ) concordo ( ) discordo
Por que o texto é uma crônica? Explique e justifique com argumentos do próprio texto. Se discorda, faça o mesmo.

6. O que fez o homem decidir a ajudar a borboleta?

7. Qual era a grande expectativa do homem em relação à borboleta?

8. A expectativa aconteceu? Justifique.

9. O que faltou ao homem para que pudesse entender o processo?

10. Como no texto anterior, a grande lição está no último parágrafo. Vamos revisá-lo:
A força vem………………..
A sabedoria vem………………..
A prosperidade vem………………..
A coragem vem…………………
Explique com tuas palavras a mensagem do texto.

Tarefa de literatura para os 7ºs anos para a semana que inicia dia 20.03

Texto: A cigarra e as formigas (Monteiro Lobato)

Primeiro façam sobre o texto “A formiga boa” e depois o texto “A formiga má.

Compreensão e Interpretação

  1. Quais são as personagens do texto?

 

2.A personagem principal é chamada de protagonista. A personagem que se opõe à protagonista é chamada de antagonista.

  1. a) Quem é a protagonista no texto?
  2. b) Quem é a antagonista?

 

  1. O narrador também é personagem ou é narrador observador? Ou seja, é narrador de:

(  )  1ª pessoa

(  ) 3ª pessoa?

 

  1. Observe como o narrador se refere à cigarra no 1º texto:

“Houve uma jovem cigarra…”

“Só parava quando cansadinha…”

“A pobre cigarra, sem abrigo em seu galhinho seco…”

Você acha que o narrador trata a cigarra com simpatia ou antipatia? Por quê?

 

  1. A segunda versão começa esclarecendo ao leitor qual será o final.

Retire do texto a expressão que relaciona este com o anterior.

 

  1. Na segunda versão o narrador indica o lugar onde aconteceu o fato.
  2. a) Cite o lugar.
  3. b) Retire do 2º parágrafo a expressão que reforça o quanto estava frio naquele inverno.

 

  1. Que características o narrador atribui à formiga na 1ª e 2ª versão.

1ª versão: _____________________________________________________________

2ª versão: _____________________________________________________________

 

  1. As duas versões apresentam várias diferenças. Na primeira, a cigarra vem em busca de agasalho; na segunda, ela implora por restos de comida. Outra diferença fundamental refere-se ao pagamento pela ajuda.

Explique como a cigarra se propôs a pagar na 1ª e na 2ª versão.

1ª versão: ____________________________________________________________

2ª versão: ____________________________________________________________

 

9-      Os textos que você acabou de ler:

(  ) é uma narração breve, fictícia, que corresponde ao velho instinto humano de contar e ouvir histórias, uma das mais simples e populares formas de entretenimento.

(  ) é uma fábula, Isto é, uma pequena história com ensinamento moral.

 

10-   Assinale as frases servem como moral da segunda versão da história.

(  ) Deus ajuda quem cedo madruga.

(  ) devemos nós preparar para o dia de amanhã.

(  ) Não penses só em divertir-te. Trabalha e pensa no futuro.

 

Tarefa de Literatura para os 7ºs anos para a semana que se inicia dia 13.03

A Raposa e as Uvas

     Uma Raposa, morta de fome, viu, ao passar diante de um pomar, penduradas nas ramas de uma viçosa videira, alguns cachos de exuberantes Uvas negras, e mais importante, maduras.

Não pensou duas vezes, e depois de certificar-se que o caminho estava livre de intrusos, resolveu colher seu alimento.

Ela então usou de todos os seus dotes, conhecimentos e artifícios para pegá-las, mas como estavam fora do seu alcance, acabou se cansando em vão, e nada conseguiu.

Desolada, cansada, faminta, frustrada com o insucesso de sua empreitada, suspirando, deu de ombros, e se deu por vencida.

Por fim deu meia volta e foi embora. Saiu consolando a si mesma, desapontada, dizendo:

“Na verdade, olhando com mais atenção, percebo agora que as Uvas estão todas estragadas, e não maduras como eu imaginei a princípio…”

Moral da História:
     Ao não reconhecer e aceitar as próprias limitações, o vaidoso abre assim o caminho para sua infelicidade.

 

  1. Por algum motivo a Raposa se deteve diante do pomar. Qual foi esse motivo?
  2. Descreva, com suas palavras, uma hipótese do que aconteceu em seguida.
  3. Ao fazer o comentário final, a Raposa tinha uma intenção. Qual era essa intenção?
  4. O autor tenta retratar algum sentimento humano nessa fábula, qual seria?
  5. Descrever, com suas palavras, o significado da Moral da Fábula?

Tarefa de Literatura dos 7ºs anos para a semana que inicia dia 27.02 e termina dia 02.03 (pelo motivo do feriado)

O escorpião e a rã

Parado ao sol, o escorpião olhava ao redor da montanha onde morava. “Positivamente, tenho de me mudar daqui” – pensou.

Esperou a madrugada chegar, lançou-se por caminhos empoeirados até atingir a floresta. Escalou rochedos, cruzou bosques e, finalmente, chegou às margens do rio largo e caudaloso.

“Que imensidão de águas! A outra margem parece tão convidativa… Se eu soubesse nadar…”
Subiu longo trecho da margem, desceu novamente, olhou para trás. Aquele rio certamente não teria medi de escorpião. A travessia era impossível.

“Não vai dar. Tenho de reconsiderar minha decisão” – lamentou.

Estava quase desistindo quando viu a rã sobre a relva, bem próxima à correnteza. Os olhos do escorpião brilharam:

“Ora, ora… Acho que encontrei a solução!” – pensou rápido.

— Olá, rãzinha! Me diga uma coisa: você é capaz de atravessar este rio?

— Ih, já fiz essa travessia muitas vezes até a outra margem. Mas por que você pergunta? — disse a rã, desconfiada.

— Ah, deve ser tão agradável do outro lado — disse. Pena eu não saber nadar.

A rã já estava com os olhos arregalados:
“Será que ele vai me pedir…?”

— Se eu pedisse um favor, você me faria? — disse o escorpião mansamente.

— Que favor? — murmurou a rã.

— Bem — o tom da voz era mais brando ainda –, bem, você me carregaria nas costas até a outra margem?

A rã hesitou:

— Como é que eu vou ter certeza de que você não vai me matar?

— Ora, não tenha medo. Evidentemente, se eu matar você, também morrerei — argumentou o escorpião.

— Mas… e se quando estivermos saindo daqui você me matar e pular de volta para a margem?

— Nesse caso eu não cruzaria o rio nem atingiria meu destino — replicou o escorpião.

— E como vou saber se você não vai me matar quando atingirmos a outra margem? — perguntou a rã.

— Ora, ora… quando chegarmos ao outro lado eu estarei tão agradecido pela sua ajuda que não vou pagar essa gentileza com a morte.

Os argumentos do escorpião eram muito lógicos. A rã ponderou, ponderou, e, afinal, convenceu-se.

O escorpião acomodou-se nas costas macias da agora companheira de viagem e começou a travessia. A rã nadava suavemente e o escorpião quase chegou a cochilar. Perdeu-se em pensamentos e planos futuros, olhando a extensão enorme do rio. De repente se deu conta de que estava dependendo de alguém, de que ficaria devendo um favor para a rãzinha. Reagiu, ergueu o ferrão.

“Antes a morte que tal sorte” – pensou.

A rã sentiu uma violenta dor nas costas e, com o rabo do olho, viu o escorpião recolher o ferrão.
Um torpor cada vez mais acentuado começava a invadir-lhe o corpo.

— Seu tolo! — gritou a rã. — Agora nós dois vamos morrer! Por que fez isso?

O escorpião deu uma risadinha sarcástica e sacudiu o corpo.

— Desculpe, mas eu não pude evitar. Essa é a minha natureza.

(Esopo)

 

Interpretação (copiar e responder as questões no caderno)

01) Por que o texto acima é uma fábula? Explique:

02) Por que o advérbio de modo MANSAMENTE referente à fala do escorpião revela hipocrisia?

03) Qual o principal argumento utilizado pelo escorpião para convencer a rã a transportá-lo?

04) Que sentimento dominou o escorpião quando ele decidiu dar na rã a ferroada fatal?

05) Como você explica a última frase do texto?

06) Considerando todo o texto, que significado simbólico adquire o rabo do escorpião? Esse significado baseia-se em algum fato já explicado pela ciência?

07) Essa fábula trata principalmente de dois sentimentos humanos. Quais?

08) Copie a fala do escorpião que certamente foi a mais difícil para ele dizer à rã, explicando seu raciocínio:

09) Nesta fábula, a expressão “carregar nas costas” foi empregada no sentido conotativo ou denotativo? Justifique sua resposta:

10) Construa uma frase em que tal expressão apareça com sentido diferente, explicando:

11) Você acha que algumas pessoas poderosas são capazes de qualquer coisa para manter seu poder?

12) O que você faria no lugar da rã? E do escorpião?

13) Escreva uma moral para essa fábula.

Tarefa de Literatura para os 7ºs anos para a semana que inicia dia 20.02

A coruja e a águia

Esopo

Coruja e águia, depois de muita briga, resolveram fazer as pazes.
— Basta de guerra – disse a coruja. O mundo é tão grande, e tolice maior que o mundo é andarmos a comer os filhotes uma da outra.
— Perfeitamente – respondeu a águia. – Também eu não quero outra coisa.
— Nesse caso combinemos isso: de agora em diante não comerás nunca os meus filhotes.
— Muito bem. Mas como vou distinguir os teus filhotes?
— Coisa fácil. Sempre que encontrares uns borrachos lindos, bem feitinhos de corpo, alegres, cheios de uma graça especial que não existe em filhote de nenhuma outra ave, já sabes, são os meus.
— Está feito! – concluiu a águia.
Dias depois, andando à caça, a águia encontrou um ninho com três monstrengos dentro, que piavam de bico muito aberto.
— Horríveis bichos! – disse ela. – Vê-se logo que não são os filhos da coruja.
E comeu-os.
Mas eram os filhos da coruja. Ao regressar à toca a triste mãe chorou amargamente o desastre e foi justar contas com a rainha das aves.
— Quê? – disse esta, admirada. – Eram teus filhos aqueles monstrenguinhos? Pois, olha, não se pareciam nada com o retrato que deles me fizeste…
MORAL DA HISTORIA: Quem o feio ama, bonito lhe parece.

01) Por que a coruja e a águia costumavam brigar?
02) Qual foi o acordo que resolveram fazer?
03) Quem descumpriu o acordo? Comprove com uma ou mais passagem do texto:
04) Quem é, segundo o texto, a rainha das aves? Você concorda com isso?
05) A águia sabia que estava comendo os filhotes da coruja? Justifique sua resposta:
06) Qual a palavra que a coruja usa para se referir aos seus filhotes? E qual foi a usada pela águia para se referir aos mesmos? O que isso revela?
07) Você concorda com a moral dessa fábula? Comente: