Tarefa de Literatura dos 7ºs anos para a semana que inicia dia 05.03 e termina dia 08.03

copiar e responder as questões no caderno.

O escorpião e a rã

Parado ao sol, o escorpião olhava ao redor da montanha onde morava. “Positivamente, tenho de me mudar daqui” – pensou.
Esperou a madrugada chegar, lançou-se por caminhos empoeirados até atingir a floresta. Escalou rochedos, cruzou bosques e, finalmente, chegou às margens do rio largo e caudaloso.
“Que imensidão de águas! A outra margem parece tão convidativa… Se eu soubesse nadar…”
Subiu longo trecho da margem, desceu novamente, olhou para trás. Aquele rio certamente não teria medi de escorpião. A travessia era impossível.
“Não vai dar. Tenho de reconsiderar minha decisão” – lamentou.
Estava quase desistindo quando viu a rã sobre a relva, bem próxima à correnteza. Os olhos do escorpião brilharam:
“Ora, ora… Acho que encontrei a solução!” – pensou rápido.
— Olá, rãzinha! Me diga uma coisa: você é capaz de atravessar este rio?
— Ih, já fiz essa travessia muitas vezes até a outra margem. Mas por que você pergunta? — disse a rã, desconfiada.
— Ah, deve ser tão agradável do outro lado — disse. Pena eu não saber nadar.
A rã já estava com os olhos arregalados:
“Será que ele vai me pedir…?”
— Se eu pedisse um favor, você me faria? — disse o escorpião mansamente.
— Que favor? — murmurou a rã.
— Bem — o tom da voz era mais brando ainda –, bem, você me carregaria nas costas até a outra margem?
A rã hesitou:
— Como é que eu vou ter certeza de que você não vai me matar?
— Ora, não tenha medo. Evidentemente, se eu matar você, também morrerei — argumentou o escorpião.
— Mas… e se quando estivermos saindo daqui você me matar e pular de volta para a margem?
— Nesse caso eu não cruzaria o rio nem atingiria meu destino — replicou o escorpião.
— E como vou saber se você não vai me matar quando atingirmos a outra margem? — perguntou a rã.
— Ora, ora… quando chegarmos ao outro lado eu estarei tão agradecido pela sua ajuda que não vou pagar essa gentileza com a morte.
Os argumentos do escorpião eram muito lógicos. A rã ponderou, ponderou, e, afinal, convenceu-se.
O escorpião acomodou-se nas costas macias da agora companheira de viagem e começou a travessia. A rã nadava suavemente e o escorpião quase chegou a cochilar. Perdeu-se em pensamentos e planos futuros, olhando a extensão enorme do rio. De repente se deu conta de que estava dependendo de alguém, de que ficaria devendo um favor para a rãzinha. Reagiu, ergueu o ferrão.
“Antes a morte que tal sorte” – pensou.
A rã sentiu uma violenta dor nas costas e, com o rabo do olho, viu o escorpião recolher o ferrão.
Um torpor cada vez mais acentuado começava a invadir-lhe o corpo.
— Seu tolo! — gritou a rã. — Agora nós dois vamos morrer! Por que fez isso?
O escorpião deu uma risadinha sarcástica e sacudiu o corpo.
— Desculpe, mas eu não pude evitar. Essa é a minha natureza.

Esopo

Interpretação
01) Por que o texto acima é uma fábula? Explique:
02) Por que o advérbio de modo MANSAMENTE referente à fala do escorpião revela hipocrisia?
03) Qual o principal argumento utilizado pelo escorpião para convencer a rã a transportá-lo?
04) Que sentimento dominou o escorpião quando ele decidiu dar na rã a ferroada fatal?
05) Como você explica a última frase do texto?
06) Considerando todo o texto, que significado simbólico adquire o rabo do escorpião? Esse significado baseia-se em algum fato já explicado pela ciência?

Tarefa de Literatura para os 7ºs anos para a semana de 26.02 a 01.03

Copie as perguntas e responda no caderno. O texto não é necessário copiar.

A coruja e a águia

Esopo

Coruja e águia, depois de muita briga, resolveram fazer as pazes.
— Basta de guerra – disse a coruja. O mundo é tão grande, e tolice maior que o mundo é andarmos a comer os filhotes uma da outra.
— Perfeitamente – respondeu a águia. – Também eu não quero outra coisa.
— Nesse caso combinemos isso: de agora em diante não comerás nunca os meus filhotes.
— Muito bem. Mas como vou distinguir os teus filhotes?
— Coisa fácil. Sempre que encontrares uns borrachos lindos, bem feitinhos de corpo, alegres, cheios de uma graça especial que não existe em filhote de nenhuma outra ave, já sabes, são os meus.
— Está feito! – concluiu a águia.
Dias depois, andando à caça, a águia encontrou um ninho com três monstrengos dentro, que piavam de bico muito aberto.
— Horríveis bichos! – disse ela. – Vê-se logo que não são os filhos da coruja.
E comeu-os.
Mas eram os filhos da coruja. Ao regressar à toca a triste mãe chorou amargamente o desastre e foi justar contas com a rainha das aves.
— Quê? – disse esta, admirada. – Eram teus filhos aqueles monstrenguinhos? Pois, olha, não se pareciam nada com o retrato que deles me fizeste…
MORAL DA HISTORIA: Quem o feio ama, bonito lhe parece.

01) Por que a coruja e a águia costumavam brigar?
02) Qual foi o acordo que resolveram fazer?
03) Quem descumpriu o acordo? Comprove com uma ou mais passagem do texto:
04) Quem é, segundo o texto, a rainha das aves? Você concorda com isso?
05) A águia sabia que estava comendo os filhotes da coruja? Justifique sua resposta:
06) Qual a palavra que a coruja usa para se referir aos seus filhotes? E qual foi a usada pela águia para se referir aos mesmos? O que isso revela?
07) Você concorda com a moral dessa fábula? Comente:

Tarefa de redação para os 7ºs anos para a semana de 09.10 a 12.10

Tarefa: Escreva seu comentário sobre o texto abaixo nos comentários abaixo. Siga as orientações da pág. 42 do almanaque de textos.

Tablets e celulares podem transmitir doenças?

Você teria coragem de levar o assento da privada ou o sapato de um estranho para a sua cama? Não, né? Mas sempre lê alguma notícia no tablet ou troca mensagens pelo celular antes de dormir, certo? Então prepare-se para esta notícia: esses aparelhos eletrônicos carregam mais micro-organismos que o vaso sanitário, inclusive bactérias causadoras de doenças e infecções hospitalares.

Embora existam poucas análises envolvendo tablets, não faltam pesquisas sobre a contaminação dos celulares. Uma delas foi divulgada em 2012 por pesquisadores da Universidade do Arizona. Segundo eles, esses aparelhos contêm dez vezes mais bactérias que um banheiro.

“O celular só perde, em contaminação, para os carrinhos de supermercados e para mouses e teclados de computadores”, afirma o microbiologista Roberto Figueiredo, conhecido como Dr. Bactéria.

Em quantidade de micro-organismos, o aparelho ganha de longe de solas de sapato, apoios de ônibus, corrimãos de escadas rolantes, tampos de vasos sanitários e escovas de dentes, segundo o especialista. Ganha até dos panos de prato molhados, que por sua vez têm um milhão de bactérias a mais que os assentos de privada. E, segundo o Dr. Bactéria, tanto faz se o aparelho tem tela de touch screen ou teclado — o nível de contaminação é o mesmo.

Até ebola

Não é de se espantar que computadores, smartphones e tablets sejam fontes de doenças, algumas bem graves. Roberto Figueiredo avisa que, na literatura, há caso até de transmissão do vírus ebola pelo celular.

Em análises de laboratório, Roberto Figueiredo e sua equipe já encontraram, nos aparelhos, bactérias como a Staphylococcus aureus, que pode provocar intoxicações alimentares, conjuntivite, sinusite, laringite e infecções com pus; a Escherichia coli, que é indicadora de contaminação fecal e pode causar diarreias e vômitos; e até a Pseudomonas aeruginosa, associada a infecções hospitalares, entre outras doenças.

O motivo de tanta contaminação é simples: além da proximidade com a boca, muita gente não lava as mãos da forma correta e na frequência adequada. Sem contar que celulares e tablets têm substituído revistas e jornais no banheiro.

Mouses e teclados de computador são ainda piores, segundo Figueiredo, porque acumulam, além de saliva e coliformes fecais, restos de comida e bebida, que também são alimentos para as bactérias.

Uma pesquisa divulgada pela especialista em higiene Lisa Ackerley, da Universidade de Salford, diz que dois em cada três trabalhadores do Reino Unido almoçam no computador. E 20% nunca limpam o mouse. No Brasil, o cenário não deve ser muito diferente.

Basta uma tosse ou uma coceira no nariz e pronto, vírus e bactérias vão logo para as superfícies mais tocadas. E alguns desses micro-organismos podem sobreviver por até 24 horas, como alerta Ackerley em uma reportagem do jornal britânico Daily Mail.

Limpeza

Para evitar contrair doenças pelo contato com esses micro-organismos, a principal recomendação é lavar as mãos corretamente — com sabão, por no mínimo 20 segundos e secando bem depois. E o ritual deve ser repetido não só depois de usar o banheiro, como também antes de comer e de começar a trabalhar, especialmente se você usa transporte público.

E quanto aos celulares e tablets, companheiros inseparáveis até nos momentos mais íntimos? Vale lembrar que os manuais desses equipamentos sempre trazem advertências contra o uso de água e de produtos de limpeza comuns.

Dr. Bactéria dá a dica: umedecer um lenço de papel toalha com álcool isopropílico e passar por todo aparelho. Mas atenção: esse tipo de produto costuma ser encontrado em lojas especializadas, e é diferente do álcool etílico que você compra no supermercado.

Mesmo com um produto adequado, é bom ser comedido na quantidade. “É só umedecer, e não encharcar — você mata bactérias pelo contato e não por afogamento”, ressalta Figueiredo. Para pessoas ligadas à área da saúde, como dentistas, médicos e enfermeiros, é preciso higienizar o aparelho diariamente. Já outras pessoas podem fazer a limpeza só uma vez por semana.

https://noticias.uol.com.br/ciencia/ultimas-noticias/redacao/2014/12/16/clique-ciencia-tablets-e-celulares-podem-transmitir-doencas.htm

 

Tarefa de redação e literatura para os 8ºs anos para a semana de 11.09 a 14.09

Sua tarefa será responder essas questões como comentário neste post.

Crie um perfil de rede social para um dos personagens do livro que você está lendo para dramatização de literatura.

81 Romeu e Julieta.

82 Pra que tanta pressa de crescer.

  1. Quem é você? (apelido/nomes)
  2. Uma citação/ frase de que goste
  3. Data de nascimento
  4. Cidade onde já residiu
  5. Onde mora atualmente?
  6. Contato (e-mail/links de redes sociais/ site)
  7. Família/membros
  8. Sobre você (breve descrição interessante)
  9. Acontecimentos importantes

Tarefa de literatura para os 7ºs anos para a semana de 11.09 a 14.09

O GATO PRETO

 Edgar Allan Poe

Para a muito estranha embora muito familiar narrativa que estou a escrever, não espero nem solicito crédito. Louco, em verdade, seria eu para esperá-lo, num caso em que meus próprios sentidos rejeitam seu próprio testemunho. Contudo, louco não sou e com toda a certeza não estou sonhando. Mas amanhã morrerei e hoje quero aliviar minha alma.Meu imediato propósito é apresentar ao mundo, plena, sucintamente e sem comentários,uma série de simples acontecimentos domésticos. Pelas suas consequências, estes acontecimentos, me aterrorizam, me torturaram e me aniquilaram. Entretanto, não tentarei explicá-los. Para mim, apenas se apresentam cheios de horror. Para muitos,parecerão menos terríveis do que grotescos. Mais tarde, talvez, alguma inteligência se encontre que reduza meu fantasma a um lugar comum, alguma inteligência mais calma,mais lógica, menos excitável do que a minha e que perceberá nas circunstâncias que pormenorizo com terror apenas a vulgar sucessão de causas e efeitos, bastante naturais.

Salientei-me desde a infância, pela docilidade e humanidade de meu caráter. Minha ternura de coração era mesmo tão notável que fazia de mim motivo de troça de meus companheiros. Gostava de modo especial de animais e meus pais permitiam que eu possuísse grande variedade de bichos favoritos. Gastava com eles a maior parte do meu tempo e nunca me sentia tão feliz como quando lhes dava comida e os acariciava. Esta particularidade de caráter aumentou com o meu crescimento e, na idade adulta, dela extraia uma de minhas principais fontes de prazer. Àqueles que tem dedicado a afeição a um cão fiel e inteligente pouca dificuldade tenho em explicar a natureza ou a intensidade da recompensa que daí deriva. Há qualquer coisa no amor sem egoísmo e abnegado de um animal que atinge diretamente o coração de quem tem tido frequentes ocasiões de experimentar a amizade mesquinha e a fidelidade frágil do simples Homem.

Casei-me ainda moço e tive a felicidade de encontrar em minha mulher um caráter adequado ao meu. Observando minhas predileções pelos animais domésticos, não perdia ela a oportunidade de procurar os das espécies mais agradáveis. Tínhamos pássaros,peixes dourados, um lindo cão, coelhos, um macaquinho e um gato. Este último era um belo animal, notavelmente grande, todo preto e de uma sagacidade de espantar. Ao falar  da inteligência dele, mulher que no íntimo não tinha nem um pouco de superstição, fazia frequentes alusões à antiga crença popular que olhava todos os gatos pretos como feiticeiras disfarçadas. Não que ela se mostrasse jamais séria preocupação a respeito desse ponto, e eu só menciono isso final, pelo simples fato de, justamente agora, ter-me vindo à lembrança.

Plutão – assim se chamava o gato – era o meu preferido e companheiro. Só eu lhe dava de comer e ele me acompanhava por toda a parte da casa, por onde eu andasse. Era mesmo com dificuldade que eu conseguia impedi-lo de acompanhar-me pelas ruas. Nossa amizade durou, desta maneira, muitos anos, nos quais, meu temperamento geral e meu caráter -graças à diabólica esperança – tinham sofrido (coro de confessá-lo) radical alteração para pior. Tornava-me dia a dia mais taciturno, mais irritável, mais descuidoso dos sentimentos alheios. Permiti me mesmo usar linguagem brutal para com minha mulher. Por fim, cheguei mesmo a usar de violência corporal. Meus bichos, sem dúvida,tiveram que sofrer essa mudança de meu caráter. Não somente descuidei-me deles, como os maltratava.

Quanto a Plutão, porém, tinha para com ele, ainda, suficiente consideração que me impedia de maltratá-lo, ao passo que não tinha escrúpulos em maltratar os coelhos, o macaco ou mesmo o cachorro, quando, por acaso ou por afeto, se atravessavam em meu caminho. Meu mal, contudo, aumentava, pois que outro mal se pode comparar ao álcool?

E, por fim, até mesmo Plutão, que estava agora ficando velho e, em consequência, um tanto impertinente, até mesmo Plutão começou a experimentar do meu mau temperamento.

Certa noite, de volta a casa, bastante embriagado, de uma das tascas dos subúrbios,supus que o gato evitava minha presença. Agarrei-o, mas, nisto, amedrontado com a minha violência ele me deu uma leve dentada na mão. Uma fúria diabólica apossou-se instantaneamente de mim. Cheguei a desconhecer-me. Parecia que alma original me havia abandonado de repente o corpo e uma maldade mais do que satânica, saturada de álcool, fazia vibrar todas as fibras de meu corpo. Tirei do bolso do colete um canivete,abri, agarrei o pobre animal pela garganta e, deliberadamente, arranquei-lhe um dos olhos da órbita! Coro, abraso-me, estremeço ao narrar a condenável atrocidade.

Quando, com a manhã, me voltou a razão, quando, com o sono desfiz os fumos da  noite de orgia, experimentei uma sensação meio de horror, meio de remorso pelo crime de que me tornara culpado. Mas era, quando muito, uma sensação fraca e equívoca e a alma permanecia insensível. De novo mergulhei em excessos e logo afoguei no vinho toda a lembrança do meu ato.

Enquanto isso o gato, pouco a pouco, foi sarando. A órbita do olho arrancado tinha, é verdade, uma horrível aparência, mas ele parecia não sofrer mais nenhuma dor. Andava pela casa como de costume, mas, como era de esperar, fugia com extremo terror a minha aproximação. Restava-me ainda bastante de meu antigo coração, para que me magoasse,a princípio, aquela evidente aversão por parte de uma criatura que tinha sido outrora tão amada por mim. Mas esse sentimento em breve deu lugar à irritação. E então apareceu,como para minha queda final e irrevogável, o espírito de perversidade. Desse espírito não cuida a filosofia. Entretanto, tenho menos certeza da existência de minha alma do que de ser essa perversidade um dos impulsos primitivos do coração humano, uma das indivisíveis faculdades primárias, ou sentimentos, que dão direção ao caráter do homem.

Quem não se achou centenas de vezes a cometer um ato vil ou estúpido, sem outra razão senão a de saber que não devia cometê-lo ? Não temos nós uma perpétua inclinação apesar de nosso melhor bom-senso, para violar o que é a lei, pelo simples fato de compreendermos que ela é a Lei? O espírito de perversidade, repito, veio a causar, minha derrocada final. Foi esse anelo insondável da alma, de torturar-se a si próprio, de violentar a sua própria natureza, de praticar o mal que pelo mal, que me levou a continuar e, por fim, a consumar a tortura que já havia infringido ao inofensivo animal.

Certa manhã, a sangue-frio, enrolei em seu pescoço e enforquei-o no ramo de uma árvore,enforquei-o com as lágrimas jorrando-me dos olhos e com o mais amargo remorso no coração. Enforquei-o porque sabia que ele me tinha amado e porque sentia que ele não me tinha dado razão para ofendê-lo. Enforquei-o porque sabia que, assim fazendo, estava cometendo um pecado, um pecado mortal, que iria pôr em perigo a minha alma imortal,colocando-a – se tal coisa fosse possível – mesmo fora do alcance da infinita misericórdia do mais misericordioso terrível Deus.Na noite do dia no qual pratiquei essa crudelíssima façanha fui despertado do sono pelos gritos de: “Fogo!” As cortinas de minha cama estavam em chamas. A casa inteira ardia.Foi com grande dificuldade que minha mulher, uma criada e eu mesmo conseguimos escapar ao incêndio. A destruição foi completa. Toda a minha fortuna foi tragada, e entreguei-me desde então ao desespero.

Não tenho a fraqueza de buscar estabelecer uma relação de causa e efeito entre o desastre e a atrocidade, mas estou relatando um encadeamento de fatos e não desejo que nem mesmo um possível elo seja negligenciado. Visitei os escombros no dia seguinte ao incêndio. Todas as paredes tinham caído, exceto uma, e esta era de um aposento interno,não muito grossa, que se situava mais ou menos no meio da casa e contra a qual permanecera a cabeceira de minha cama. O estuque havia, em grande parte, resistido ali à ação do fogo, fato que atribui a ter sido ele recentemente colocado. Em torno dessa parede reuniu-se compacta multidão e muitas pessoas pareciam estar examinando certa parte especial dela, com uma atenção muito ávida e minuciosa. As palavras “estranho,singular!” e expressões semelhantes excitaram minha curiosidade. Aproximei-me e vi,como se gravada em baixo-relevo sobre a superfície branca, a figura de um gato gigantesco. A imagem fora reproduzida com uma nitidez verdadeiramente maravilhosa.Havia uma corda em redor do pescoço do animal.

Ao dar, a princípio, com essa aparição, pois não podia deixar de considerá-la senão isso -meu espanto e meu terror foram extremos. Mas, afinal, a reflexão veio em meu auxilio. O gato, lembrava-me, tinha sido enforcado num jardim, junto da casa. Ao alarme de fogo,esse jardim se enchera imediatamente de povo e alguém deve ter cortado a corda que prendia o animal à árvore e o lançara por uma janela aberta dentro de meu quarto. Isto fora provavelmente feito com o propósito de despertar-me. A queda de outras paredes tinha comprimido a vítima de minha crueldade de encontro à massa do estuque, colocado de pouco, cuja cal, com as chamas e o amoníaco do cadáver, traçara então a imagem tal como a vimos.

Embora assim prontamente procurasse satisfazer a minha razão, senão de todo a minha consciência, a respeito do surpreendente fato que acabo de narrar, nem por isso deixou ele de causar profunda impressão na minha imaginação. Durante meses, eu não me pude libertar do fantasma do gato e, nesse período, voltava-me ao espírito um vago sentimento que parecia remorso, mas não era. Cheguei a ponto de lamentar a perda do animal e de procurar, entre as tascas ordinárias que eu agora habitualmente frequentava, outro bicho da mesma espécie e de aparência um tanto semelhante com que substituí-lo.

Certa noite, sentado, meio embrutecido, num antro mais que infame, minha atenção foi de súbito atraída para uma coisa preta que repousava em cima de um dos imensos barris de genebra ou de rum que constituíam a principal mobília da sala. Estivera a olhar fixamente para o alto daquele barril, durante alguns minutos, e o que agora me causava surpresa era o fato de que não houvesse percebido mais cedo a tal coisa ali situada.

Aproximei-me e toquei-a com a mão um gato preto, um gato bem grande, tão grande como Plutão, e totalmente semelhante a ele, exceto em um ponto. Plutão não tinha pelos brancos em parte alguma do corpo, mas este gato tinha uma grande, embora imprecisa,mancha branca cobrindo quase toda a região do peito.

Logo que o toquei, ele imediatamente se levantou, ronronou alto, esfregou-se contra minha mão e pareceu satisfeito com o meu carinho. Era pois, aquela a criatura mesma que eu procurava. Imediatamente, tentei comprá-lo ao taverneiro, mas este disse que não lhe pertencia o animal, nada sabia a seu respeito e nunca o vira antes.

Continuei minhas carícias, e, quando me preparei para voltar para casa, o animal deu mostras de querer acompanhar-me. Deixei que assim o fizesse, curvando-me, às vezes, e dando-lhe palmadinhas, enquanto seguia. Ao chegar à casa, ele imediatamente se familiarizou com ela e se tornou desde logo grande favorito de minha mulher.

De minha parte, depressa comecei a sentir despertar-se em mim antipatia contra ele. Isto era, precisamente, o reverso do que eu tinha previsto, mas – não sei como ou por quê -sua evidente amizade por mim antes me desgostava e aborrecia. Lenta e gradativamente esses sentimentos de desgosto e aborrecimento se transformaram na amargura do ódio.Evitava o animal; certa sensação de vergonha e a lembrança de minha antiga crueldade impediam-me de maltratá-lo fisicamente.

Durante algumas semanas abstive-me de bater-lhe ou de usar contra ele de qualquer outra violência; mas gradualmente, bem gradualmente, passei a encará-lo com indizível aversão e a esquivar-me, silenciosamente, à sua odiosa presença, como a um hálito pestilento.

O que aumentou sem dúvida meu ódio pelo animal foi a descoberta, na manhã seguinte à em que o trouxera para casa, de que como Plutão, fora também privado de um de seus olhos. Essa circunstância, porém, só fez aumentar o carinho de minha mulher por ele;ela, como já disse, possuía, em alto grau, aquela humanidade de sentimento que fora outrora o traço distintivo e a fonte de muitos dos meus mais simples e mais puros prazeres.

Com a minha aversão àquele gato, porém, sua predileção por mim parecia aumentar.Acompanhava meus passos com uma pertinácia que o leitor dificilmente compreenderá.Em qualquer parte onde me sentasse, enroscava-se ele debaixo de minha cadeira ou pulava sobre meus joelhos, cobrindo-me com suas carícias repugnantes. Se me levantava para andar, metia-se entre meus pés, quase a derrubar-me, ou cravando suas longas e agudas garras em minha roupa, subia dessa maneira até o meu peito. Nessas ocasiões,embora tivesse o desejo ardente de matá-lo com uma pancada, era impedido de fazê-lo,em parte por me lembrar de meu crime anterior mas, principalmente – devo confessá-los em demora -, por absoluto pavor do animal.

Esse pavor não era exatamente um pavor de mal físico e, contudo, não saberia como defini-lo de outra forma. Tenho quase vergonha de confessar – sim, mesmo nesta cela de criminoso, tenho quase vergonha de confessar que o terror e o horror que o animal me inspirava tinham sido aumentados por uma das mais simples quimeras que seria possível conceber. Minha mulher chamara mais de uma vez minha atenção para a natureza da marca de pêlo branco de que falei e que constituía a única diferença visível entre o animal estranho e o que eu havia matado. O leitor há de recordar-se que esta mancha, embora grande, fora a princípio de forma bem imprecisa. Mas por leves gradações, gradações quase imperceptíveis e que, durante muito tempo, a razão forcejou para rejeitar como imaginárias, tinha afinal assumido uma rigorosa precisão de contorno.Era agora a reprodução de um objeto que tremo em nomear e por isso, acima de tudo, eu detestava e temia o monstro e ter-me- ia livrado dele, se o ousasse. Era agora, digo, a imagem de uma coisa horrenda, de uma coisa apavorante. . . a imagem de uma forca!Oh, lúgubre e terrível máquina de horror e de crime, de agonia e de morte!

E então eu era em verdade um desgraçado, mais desgraçado que a própria desgraça humana. E um bronco animal, cujo companheiro eu tinha com desprezo destruído, um bronco animal preparava para mim – para mim, homem formado à imagem do Deus Altíssimo – tanta angústia intolerável! Ai de mim! Nem de dia nem de noite era-me dado mais gozar a bênção do repouso! Durante o dia, o bicho não me deixava um só momento e, de noite, eu despertava, a cada instante, de sonhos de indizível pavor, para sentir o quente hálito daquela coisa no meu rosto e o seu enorme peso, encarnação de pesadelo,que eu não tinha forças para repelir, oprimindo eternamente o meu coração!

Sob a pressão de tormentos tais como estes, os fracos restos de bondade que haviam em mim sucumbiram. Meus únicos companheiros eram os maus pensamentos, os mais negros e maléficos pensamentos.O mau-humor de meu temperamento habitual aumentou, levando-me a odiar todas as coisas e toda a humanidade. Minha resignada esposa, porém, era a mais constante e mais paciente vítima das súbitas, frequentes e indomáveis explosões de uma fúria a que eu agora me abandonava cegamente.

Certo dia ela me acompanhou, para alguma tarefa doméstica, até a adega do velho prédio que nossa pobreza nos compelira a ter de habitar. O gato desceu os degraus seguindo-me e quase me lançou ao chão, exasperando-me até a loucura. Erguendo um machado e esquecendo na minha cólera o medo pueril que tinha até ali sustido minha mão,descarreguei um golpe no animal, que teria, sem dúvida, sido instantaneamente fatal se eu o houvesse assestado como desejava.

Mas esse golpe foi detido pela mão de minha mulher. Espicaçado por esta essa intervenção, com uma raiva mais do que demoníaca, arranquei meu braço de sua mão e enterrei o machado no seu crânio. Ela caiu morta imediatamente, sem um gemido.

Executado tão horrendo crime, logo e com inteira decisão entreguei-me à tarefa de ocultar o corpo. Sabia que não podia removê-lo da casa nem de dia nem de noite, sem correr o risco de ser observado pelos vizinhos. Muitos projetos me atravessavam a mente. Em dado momento pensei em cortar o cadáver em pedaços miúdos e queimá-los. Em outro,resolvi cavar uma cova para ele no chão da adega. De novo, deliberei lançá-lo no poço do pátio, metê-lo num caixote, como uma mercadoria, com os cuidados usuais, e mandar um carregador retirá-lo da casa. Finalmente, detive-me no considerei um expediente bem melhor que qualquer um destes. Decidi emparedá-lo na adega, como se diz que os monges da Idade média emparedavam suas vítimas.

Para um objetivo semelhante estava a adega bem adaptada. Suas paredes eram de construção descuidada e tinham sido ultimamente recobertas, por completo, de um reboco grosseiro, cujo endurecimento a umidade da atmosfera impedira. Além disso, em uma das paredes havia uma saliência causada por uma falsa chaminé ou lareira que fora tapada para não se diferenciar do resto da adega. Não tive dúvidas de que poderia prontamente retirar os tijolos naquele ponto, introduzir o cadáver e emparedar tudo como antes, de modo que olhar algum pudesse descobrir qualquer coisa suspeita. E não me enganei nesse cálculo. Por meio do um gancho, desalojei facilmente os tijolos e, tendo cuidadosamente depositado o corpo contra a parede interna, sustentei-o nessa posição,enquanto, com pequeno trabalho, repus toda a parede no seu estado primitivo. Tendo procurado argamassa, areia e fibra, com todas as precauções possíveis, preparei um estuque que não podia ser distinguido do antigo e com ele, cuidadosamente, recobri o novo entijolamento. Quando terminei, senti-me satisfeito por ver que tudo estava direito.A parede não apresentava a menor aparência de ter sido modificada. Fiz a limpeza do chão, com o mais minucioso cuidado. Olhei em torno com ar triunfal e disse a mim mesmo: “Aqui, pelo menos pois, meu trabalho não foi em vão!”

Tratei, em seguida, de procurar o animal que fora causa de tamanha desgraça, pois resolvera afinal decididamente matá-lo. Se tivesse podido encontrá-lo naquele instante,não poderia haver dúvida a respeito de sua sorte. Mas parecia que o manhoso animal ficara alarmado com a violência de minha cólera anterior e evitava arrostar a minha raiva do momento.

É impossível descrever ou imaginar a profunda e abençoada sensação de alívio que a ausência da detestada criatura causava no meu íntimo. Não me apareceu durante a noite.E assim, por uma noite pelo menos, desde que ele havia entrado pela casa, dormi profunda e tranquilamente. Sim, dormi, mesmo com o peso de uma morte na alma.

O segundo e o terceiro dia se passaram e, no entanto, o meu carrasco não apareceu. Mais uma vez respirei como um livre. Aterrorizado, o monstro abandonara a casa para sempre!Não mais o veria! Minha ventura era suprema! Muito pouco me perturbava a culpa de minha negra ação. Poucos interrogatórios foram feitos e tinham sido prontamente respondidos. Dera-se mesmo uma busca, mas, sem dúvida, nada foi encontrado.Considerava assegurada a minha futura felicidade.

No quarto dia depois do crime, chegou, bastante inesperadamente à casa um grupo de policiais, que procedeu de novo a investigação dos lugares. Confiando, porém, na impenetrabilidade do meu esconderijo, não senti o menor incômodo. Os agentes ordenaram-me que os acompanhasse em sua busca. Nenhum escaninho ou recanto deixaram inexplorado. Por fim, pela terceira ou quarta vez, desceram à adega. Nenhum músculo meu estremeceu. Meu coração batia calmamente, como o de quem dorme o sono da inocência. Caminhava pela adega de ponta a ponta; cruzei os braços no peito e passeava tranquilo para lá e para cá. Os policiais ficaram inteiramente satisfeitos e prepararam-se para partir. O júbilo de coração era demasiado forte para ser contido.Ardia por dizer ao menos uma palavra, a modo de triunfo, e para tornar indubitavelmente segura a certeza neles de minha inculpabilidade.

– Senhores – disse, por fim, quando o grupo subia a escada – sinto-me encantado por ter desfeito suas suspeitas. Desejo a todos saúde e um pouco mais de cortesia. A propósito,cavalheiros, esta é uma casa muito bem construída. . . (no meu violento desejo de dizer alguma coisa com desembaraço, eu mal sabia o que ia falando). Posso afirmar que é uma casa excelentemente bem construída. Estas paredes.. . já vão indo, senhores?. . . estas paredes estão solidamente edificadas.Por simples frenesi de bravata, bati pesadamente com uma bengala que tinha na mão justamente naquela parte do entijolamento, por trás do qual estava o cadáver da mulher de meu coração.Mas praza a Deus proteger-me e livrar-me das garras do demônio! Apenas mergulhou no silêncio a repercussão de minhas pancadas e logo respondeu-me uma voz do túmulo. Um gemido, a princípio velado e entrecortado como o soluçar de uma criança, que depois,rapidamente se avolumou, num grito prolongado, alto e contínuo, extremamente anormal e inumano, um urro, um guincho lamentoso, meio de horror e meio de triunfo, como só do Inferno se pode erguer a um tempo, das gargantas dos danados na sua agonia, e dos demônios que exultam na danação.

Loucura seria falar de meus próprios pensamentos. Desfalecendo, recuei até a parede oposta. Durante um minuto, o grupo que se achava na escada ficou imóvel, no paroxismo do medo e do pavor. Logo depois, uma dúzia de braços robustos se atarefava em desmantelar a parede. Ela caiu inteiriça. O cadáver, já grandemente decomposto, e manchado de coágulos de sangue, erguia-se, ereto, aos olhos dos espectadores. Sobre sua cabeça, com a boca vermelha escancarada, o olho solitário chispante, estava assentado o horrendo animal cuja astúcia me induzira ao crime e cuja voz delatora me havia apontado ao carrasco.

Eu havia emparedado o monstro no túmulo!

 

Interpretação

1. O primeiro parágrafo do texto apresenta vários indícios de que a história a ser narrada é extraordinária.

a) Que estratégia é empregada no primeiro período do texto para surpreender o leitor?

b) Transcreva a passagem em que o narrador mostra que os fatos a serem narrados são reais e não fruto de alucinações.

c) A revelação de que a morte se aproxima pode surpreender o leitor. Por quê?

d) Quais seriam as possíveis causas para a morte prevista?

e) No parágrafo, o narrador está tomado por que sentimento? Comprove sua resposta com uma passagem do texto.

2. No segundo parágrafo, o narrador relata como era sua vida antes dos acontecimentos terríveis. A insistência em falar sobre seu caráter doce e humano e a relação amorosa que mantinha com animais desperta que suspeitas no leitor?