Tarefa de literatura para os 7ºs anos para a semana de 05 a 08.06

Ainda sobre a crônica de Luís Fernando Veríssimo, Como as mulheres dominaram o mundo:

 

LEITURA CRÍTICA:

 

Você acredita que as mulheres realmente querem dominar o mundo? Por quê?

Acha que é possível que essa dominação aconteça? Por quê?

Obs.: Responda a estas perguntas em forma de um pequeno texto no caderno (mínimo 15 linhas) , apresentando os argumentos favoráveis à sua opinião.

Tarefa de literatura para os 7ºs anos para a semana de 29.05 a 01.06

COMO AS MULHERES DOMINARAM O MUNDO

Luís Fernando Veríssimo

           Conversa entre pai e filho, por volta do ano de 2031 sobre como as mulheres dominaram o mundo.
           - Foi assim que tudo aconteceu, meu filho... Elas planejaram o negócio discretamente, para que não notássemos. Primeiro elas pediram igualdade entre os sexos. Os homens, bobos, nem deram muita bola para isso na ocasião. Parecia brincadeira. Pouco a pouco, elas conquistaram cargos estratégicos: Diretoras de Orçamento, Empresárias, Chefes de Gabinete, Gerentes disso ou daquilo.
           - E aí, papai?
           - Ah, os homens foram muito ingênuos. Enquanto elas conversavam ao telefone durante horas a fio, eles pensavam que o assunto fosse telenovela. Triste engano. De fato, era a rebelião se expandindo nos inocentes intervalos comerciais. "Oi querida!", por exemplo, era a senha que identificava as líderes. "Celulite", eram as células que formavam a organização. Quando queriam se referir aos maridos, diziam "O regime".
           - E vocês? Não perceberam nada?
           - Ficávamos jogando futebol no clube, despreocupados. E o que é pior: Continuávamos a ajudá-las quando pediam. Carregar malas no aeroporto, consertar torneiras, abrir potes de azeitona, ceder a vez nos naufrágios. Essas coisas de homem.
            - Aí, veio o golpe mundial?!?
            - Sim o golpe. O estopim foi o episódio Hillary-Mônica. Uma farsa. Tudo armado para desmoralizar o homem mais poderoso do mundo. Pegaram-no pelo ponto fraco, coitado. Já lhe contei, né? A esposa e a amante, que na TV posavam de rivais eram, no fundo, cúmplices de uma trama diabólica. Pobre Presidente...
            - Como era mesmo o nome dele (7)?
            - William, acho. Tinha um apelido, mas esqueci... Desculpe, filho, já faz tanto tempo...
            - Tudo bem, papai. Não tem importância. Continue...
            - Naquela manhã a Casa Branca apareceu pintada de cor-de-rosa. Era o sinal que as mulheres do mundo inteiro aguardavam. A rebelião tinha sido vitoriosa! Então elas assumiram o poder em todo o planeta. Aquela torre do relógio em Londres chamava-se Big-Ben, e não Big-Betty, como agora... Só os homens disputavam a Copa do Mundo, sabia? Dia de desfile de moda não era feriado. Essa Secretária Geral da ONU era uma simples cantora. Depois trocou o nome, de Madonna par a Mandona...
           - Pai, conta mais...
           - Bem filho... O resto você já sabe. Instituíram o Robô "Troca-Pneu" como equipamento obrigatório de todos os carros... A Lei do Já-Prá-Casa, proibindo os homens de tomar cerveja depois do trabalho... E, é claro, a famigerada semana da TPM, uma vez por mês...
           - TPM???
           - Sim, TPM... A Temporada Provável de Mísseis... É quando elas ficam irritadíssimas e o mundo corre perigo de confronto nuclear...
           - Sinto um frio na barriga só de pensar, pai...
           - Sssshhh! Escutei barulho de carro chegando. Disfarça e continua picando essas batatas...

ATIVIDADES REFERENTES AO TEXTO

1) Geralmente, a crônica traz uma crítica a algum aspecto da vida em sociedade. Qual a provável crítica presente nessa crônica?

2) Pai e filho conversam sobre qual assunto?

3) Responda:

a) De que forma as mulheres iniciaram aquilo que viria a ser a grande revolução feminina por volta do ano de 2031?

b) Qual foi a primeira solicitação feminina?

c) Qual foi a estratégia usada pelas mulheres para atingirem seus objetivos?

4) Como são caracterizados os homens diante do processo de conquista feminina?

5) De acordo com o texto, explique a expressão destacada no seguinte trecho:
“ A esposa e a amante, que na TV posavam de rivais, eram, no fundo, cúmplices de uma trama diabólica.”

6) Explique a última fala do texto: “- Sssshhh! Escutei barulho de carro chegando. Disfarça e continua picando essas batatas…”

Tarefa de literatura para os 7ºs anos para a semana de 22 a 25.05

A cadeira do dentista

          Fazia dois anos que não me sentava numa cadeira de dentista. Não que meus dentes estivessem por todo esse tempo sem reclamar um tratamento. Cheguei a marcar várias consultas, mas começava a suar frio folheando velhas revistas na antessala e me escafedia antes de ser atendido. Na única ocasião em que botei o pé no gabinete do odontólogo - tem uns seis meses -, quando ele me informou o preço do serviço, a dor transferiu-se do dente para o bolso.
- Não quero uma dentadura em ouro com incrustações em rubis e esmeraldas - esclareci -, só preciso tratar o canal.
          - É esse o preço de um tratamento de canal!
          - Tem certeza? O senhor não estará confundindo o meu canal com o do Panamá?
          Adiei o tratamento. Tenho pavor de dentista. O mundo avançou nos últimos 30 anos, mas a Odontologia permanece uma atividade medieval. Para mim não faz diferença um "pau-de-arara" ou uma cadeira de dentista: é tudo instrumento de tortura.
          Desta vez, porém, não tive como escapar. Os dentes do lado esquerdo já tinham se transformado em meros figurantes dentro da boca. Ao estourar o pré-molar do lado direito, fiquei restrito à linha de frente para mastigar maminhas e picanhas. Experiência que poderia ter dado certo, caso tivesse algum jeito para esquilo.
          A enfermeira convocou-me na sala de espera. Acompanhei-a, após o sinal-da-cruz, e entramos os dois no gabinete do dentista, que, como personagem principal, só aparece depois do circo armado.
          - Sente-se - disse ela, apontando para a cadeira.
          - Sente-se a senhora - respondi com educada reverência -, ainda sou do tempo em que os cavalheiros ofereciam seus lugares às damas.
          Minhas pernas tremiam. Ela tornou a apontar para a cadeira.
          - O senhor é o paciente!
          - Eu?? A senhora não quer aproveitar? Fazer uma obturaçãozinha, limpeza de tártaro? Fique à vontade. Sou muito paciente. Posso esperar aqui no banquinho.
          O dentista surgiu com aquele ar triunfal de quem jamais teve cárie. Ah! Como adoraria vê-lo sentado na própria cadeira extraindo um siso incluso! Mal me acomodei e ele já estava curvado sobre a cadeira, empunhando dois miseráveis ferrinhos, louco para entrar em ação. Nem uma palavra de estímulo ou reconforto. Foi logo ordenando:
          - Abra a boca.
          Tentei, mas a boca não obedeceu aos meus comandos.
          - Não vai doer nada!
          - Todos dizem a mesma coisa - reagi. Não acredito mais em vocês!
          - Abra a boca! - insistiu ele.
          Abri a boca. Numa cadeira de dentista sinto-me tão frágil quanto um recruta diante do sargento do batalhão.
          Ele enfiou um monte de coisas na minha boca e tocou o dente com um gancho.
          - Tá doendo?
          - Urgh argh hogli hugli.
          Os dentistas são tipos curiosos. Enchem a boca da gente de algodão, plástico, secadores, ferros e depois desandam a fazer perguntas. Não sou daqueles que conseguem responder apenas movendo a cabeça. Para mim, a dor tem nuances, gradações que vão além dos limites de um sim-não.
          - A anestesia vai impedir a dor - disse ele, armado com uma seringa.
          - E eu vou impedir a anestesia - respondi duro segurando firme no seu pulso.
          Ele fez pressão para alcançar minha pobre gengiva. Permaneci segurando seu pulso. Ele apoiou o joelho no meu baixo ventre. Continuei resistindo, em posição defensiva. Ele subiu em cima de mim. Miserável! Gemi quase sem forças. Ele afastou a mão que agarrava seu pulso e desceu com a seringa. Lembrei-me de Indiana Jones e, num gesto rápido, desviei a cabeça. A agulha penetrou a poltrona. Peguei o esguichador de água e lancei-lhe um jato no rosto. Ele voltou com a seringa.
          - Não pense que o senhor vai me anestesiar como anestesia qualquer um - disse, dando-lhe um tapa na mão.
          A seringa voou longe e escorregou pelo assoalho. Corremos os dois pra alcançá-la, caímos no chão, embolados, esticando os braços para ver quem pegava a seringa. Tapei-lhe o rosto com meu babador e cheguei antes. A situação se invertera: eu estava por cima.
          - Agora sou eu quem dá as ordens - vociferei, rangendo os dentes. - Abra a boca!
          - Mas... não há nada de errado com meus dentes.
          - A mim você não engana. Todo mundo tem problemas dentários. Por que só você iria ficar de fora? Vamos, abra essa boca!
          - Não, não, não. Por favor - implorou. Morro de medo de anestesia.
          Era o que eu suspeitava. É fácil ser corajoso com a boca dos outros. Quero ver continuar dentista é na hora de abrir a própria boca. Levantei-me, joguei a seringa para o lado e disse-lhe, cheio de desprezo:
          - Você não passa de um paciente!

 NOVAES, Carlos Eduardo. A cadeira do dentista e outras crônicas. 8. ed. São Paulo: Ática 2002

1- Que fato dá origem à sequência de ações da história?

2- A crônica A cadeira do dentista é um texto curto e os fatos se sucedem rapidamente. Transcreva do texto uma sequência de ações.

3- O texto apresenta um sentimento comum a muitas pessoas em relação a ida ao dentista. Que sentimento seria esse?

4- Quantos personagens aparecem no texto? Quem são eles?

5- O texto provoca humor ou procura fazer uma reflexão sobre a ida ao dentista?

6-“-Eu?? A senhora não quer aproveitar? Fazer uma obturaçãozinha, limpeza de tártaro? .” Qual seria o motivo que leva o paciente a estar aparentemente tão gentil com a enfermeira?

7- Que efeito de sentido tem a expressão “a dor transferiu-se do dente para o bolso?

8- Que efeito de sentido tem essa expressão : “Urgh argh hogli hugli.”?

9- Que passagem, no desfecho, expressa a ironia no final da crônica?

10- Substitua as expressões em negrito por outras mais formais.

Palavras ou expressões destacadas dos textos. Sentido das expressões ou palavras do texto.
“Na única ocasião em que botei o pé no gabinete do odontólogo…”
“…só aparece depois do circo armado.”
“Por que só você iria ficar de fora?”

 

Tarefas de Literatura para os 7ºs anos para a semana 15 a 18.05

O HOMEM NU

Fernando Sabino

          Ao acordar, disse para a mulher:

          – Escuta, minha filha: hoje é dia de pagar a prestação da televisão, vem aí o sujeito com a conta, na certa. Mas acontece que ontem eu não trouxe dinheiro da cidade, estou a nenhum.

            – Explique isso ao homem – ponderou a mulher.

          – Não gosto dessas coisas. Dá um ar de vigarice, gosto de cumprir rigorosamente as minhas obrigações. Escuta: quando ele vier a gente fica quieto aqui dentro, não faz barulho, para ele pensar que não tem ninguém. Deixa ele bater até  cansar – amanhã eu pago.

       Pouco depois, tendo despido o pijama, dirigiu-se ao banheiro para tomar um banho, mas a mulher já se trancara lá dentro. Enquanto esperava, resolveu fazer um café. Pôs a água a ferver e abriu a porta de serviço para apanhar o pão. Como estivesse completamente nu, olhou com cautela para um lado e para outro antes de arriscar-se a dar dois passos até ao embrulhinho deixado pelo padeiro sobre o mármore do parapeito. Ainda era muito cedo, não poderia aparecer ninguém. Mal seus dedos, porém, tocavam o pão, a porta atrás de si fechou-se com estrondo, impulsionada pelo vento.

          Aterrorizado, precipitou-se até à campainha e, depois de tocá-la, ficou à espera, olhando ansiosamente ao redor. Ouviu lá dentro o ruído da água do chuveiro interromper-se de súbito, mas ninguém veio abrir. Na certa a mulher pensava que já era o sujeito da televisão. Bateu com o nós dos dedos:

          – Maria! Abre aí, Maria. Sou eu – chamou em voz baixa.

          Quanto mais batia, mais silêncio fazia lá dentro.

       Enquanto isso, ouvia lá embaixo a porta do elevador fechar-se, viu o ponteiro subir lentamente os andares… Desta vez, era o homem da televisão!

          Não era. Refugiado no lance da escada entre os andares, esperou que o elevador passasse, e voltou para a porta do seu apartamento, sempre a segurar nas mãos nervosas o embrulho de pão:

          – Maria, por favor! Sou eu!

         Desta vez não teve tempo de insistir: ouviu passos na escada, lentos, regulares, vindo lá de baixo… Tomado de pânico, olhou ao redor, fazendo uma pirueta, e assim despido, embrulho na mão, parecia executar um ballet grotesco e mal ensaiado. Os passos na escada se aproximavam, e ele sem onde se esconder. Correu para o elevador, apertou o botão. Foi o tempo de abrir a porta e entrar, e a empregada passava, vagarosa, encetando a subida de um lance de escada. Ele respirou, aliviado, enxugando o suor da testa com o embrulho do pão. Mas eis que a porta interna do elevador se fecha e ele começa a descer.

          – Ah, isso é que não! – fez o homem nu, sobressaltado.

          E agora? Alguém lá embaixo abriria a porta do elevador e daria com ele ali, em pêlo, podia mesmo ser algum vizinho conhecido… Percebeu, desorientado, que estava sendo levado cada vez mais longe de seu apartamento, começava a viver um verdadeiro pesadelo de Kafka, instaurava-se naquele momento o mais autêntico e desvairado Regime do Terror!

          – Isso é que não! – repetiu, furioso.

        Agarrou-se à porta do elevador e abriu-a com força entre os andares, obrigando-o a parar. Respirou fundo, fechando os olhos, para ter a momentânea ilusão de que sonhava. Depois experimentou apertar o botão do seu andar. Lá embaixo continuavam a chamar o elevador. Antes de mais nada: “Emergência: parar”. Muito bem. E agora? Iria subir ou descer?

          Com cautela desligou a parada de emergência, largou a porta, enquanto insistia em fazer o elevador subir. O elevador subiu.

          – Maria! Abre esta porta! – gritava, desta vez esmurrando a porta, já sem nenhum cautela.

          Ouviu que outra porta se abria atrás de si. Voltou-se, acuado, apoiando o traseiro no batente e tentando inutilmente cobrir-se com o embrulho de pão. Era a velha do apartamento vizinho.

          – Bom dia, minha senhora – disse ele, confuso. – Imagine que eu…

          A velha, estarrecida, atirou os braços para cima, soltou um grito:

          – Valha-me Deus! O padeiro está nu!

          E correu ao telefone para chamar a rádio patrulha:

          – Tem um homem pelado aqui na porta!

          Outros vizinhos, ouvindo a gritaria, vieram ver o que se passava:

          – É um tarado!

          – Olha, que horror!

          – Não olha não! Já pra dentro, minha filha!

          Maria, a esposa do infeliz, abriu finalmente a porta para ver o que era. Ele entrou como um foguete e vestiu-se precipitadamente, sem nem se lembrar do banho. Poucos minutos depois, restabelecida a calma lá fora, bateram na porta.

          – Deve ser a polícia – disse ele, ainda ofegante, indo abrir.

          Não era: era o cobrador da televisão.

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Responda às questões abaixo:

  1. A narrativa desta crônica está em que pessoa verbal?
  2. Quais os tempos verbais predominantes nesta crônica?
  3. Qual é o nome do homem nu?
  4. Por que o casal não poderia abrir a porta do apartamento?
  5. Por que o homem ficou nu?
  6. O homem saiu do apartamento com qual objetivo e como ele estava?
  7. No quarto parágrafo do texto, o homem afirma:— Não gosto dessas coisas. Dá um ar de vigarice, gosto de cumprir rigorosamente as minhas obrigações. Escuta: quando ele vier a gente fica quieto aqui dentro, não faz barulho, para ele pensar que não tem ninguém. Deixa ele bater até cansar — amanhã eu pago.

    A atitude dele está de acordo com sua afirmação? Por quê?

  8. O que aconteceu quando o homem nu saiu para pegar o embrulho de pão?
  9. Qual o efeito cômico que o autor explora nesta situação corriqueira?
  10. Apesar do homem bater e chamar por sua mulher, ela não veio abrir a porta. Por quê?
  11. O autor utiliza a descrição de sons durante a narrativa. Qual a importância desses sons na narrativa?
  12. Em alguns momentos, a narrativa é pontuada por perguntas como: “E agora? Iria subir ou descer?”. O que essas perguntas retratam na narrativa?
  13. Por que a velha disse: “O padeiro está nu!” ?
  14. O texto apresenta uma boa quantidade de falas e diálogos curtos. Que efeito eles imprimem à narrativa?
  15. Qual o ponto máximo de tensão da narrativa?
  16. Dividindo-se a narrativa em três partes, descreva com uma frase:
    1. a situação inicial –
    2. o conflito –
    3. a resolução final –
  17. No final da história, o homem teve de encarar o cobrador da televisão. Escreva uma possível desculpa que ele poderia dar para não pagar a prestação.