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37 Muros que separam o mundo

Desde quando Donald Trump começou a falar sobre a construção um muro na fronteira dos Estados Unidos com o México, a gente ficou se perguntando: de onde será que ele tira essas ideais? Numa pesquisa rápida pela internet, descobrimos que, dos mais populares aos mais esquecidos, existe muito muro espalhado pelo mundo separando cidades, culturas, histórias, vidas…

1. Muro de Berlim

Hoje o muro é repleto de grafites, mas nem sempre foi assim.

Atualmente restam apenas alguns trechos do muro que já teve 155 quilômetros de extensão. Dispostos a conter o fluxo migratório de pessoas que atravessavam da parte oriental para a parte ocidental da cidade, os soviéticos ergueram o muro em apenas duas noites: 12 e 13 de agosto de 1961.

Além da construção em si, o muro também consistia numa faixa de terra cercada por arames farpados com corrente elétrica de alta tensão, valas e mais de 300 torres de vigilância. Estima-se que mais de 100 mil pessoas tentaram atravessá-lo durante os 28 anos pelo qual ele ficou de pé e mais de 150 morreram.

A queda só veio em 9 de novembro de 1989 e representou além de reunificação da Alemanha, o fim da cortina de ferro que separava a Europa entre a zona de influência norte-americana e zona de influência soviética.

2. Muralha da China

Mais de 800 mil soldados, camponeses e prisioneiros morreram durante a construção.

A Muralha da China é uma das edificações mais famosas, maiores e mais antigas das quais se têm notícia. Começou a ser construída durante a dinastia Chin na primeira metade do século 2 a.C. e só foi finalizada no século 15 d.C. após alternar interrupções e grandes avanços.

Sua construção atribui-se a um desejo megalomaníaco do imperador Chin Shih-Huang Ti já que historiadores dizem que nunca houve ameaças de invasão suficientes para tal investimento na época. Por isso, a versão mais aceita é de que a muralha serviu para ocupar os soldados ociosos após a unificação da China e mantê-los longe da capital política (evitando qualquer tentativa de golpe).

Feita de pedras, a muralha varia de 4,5 a 12 metros de altura e 9,5 de largura média. Ela envolveu mais de um milhão de operários ao longo dos séculos, dos quais 80% morreram e acidentes ou por conta da má alimentação e do frio. Entretanto, o que mais intriga admiradores é o seu comprimento. Sabe-se que ela delimita a região setentrional da China, ligando o golfo Liao-Tung ao Tibete numa construção estimada em 8851 quilômetros ainda de pé diante dos quase 22 mil km originais.

3. Muralha de Adriano

Hoje, o que resta da Muralha é tombado pela Unesco e preservado com o dinheiro do turismo.

Também com o objetivo de proteger e delimitar um território, uma outra grande muralha foi erguida muito tempo depois na Grã-Bretanha. A Muralha de Adriano já teve 118 quilômetros de extensão e é considerada a mais extensa obra feita pelo poderoso Império Romano.

Ciente das dificuldades de continuar expandindo o território sob seu domínio, o imperador Adriano ordenou que os próprios soldados erguessem a muralha que se localiza ao norte da Inglaterra, próxima da atual fronteira com a Escócia. Hoje, grande parte da muralha foi destruída e seus materiais reaproveitados para outras construções, só em 1987 a muralha foi considerada patrimônio histórico da humanidade pela Unesco e passou a ser preservada com o dinheiro do turistas que podem conhecê-la realizando um passeio chamado Hadrian’s Wall Path (“Caminho da Muralha de Adriano”).

A obra foi feita de pedra e madeira começou em 122 d.C. e, ao contrário da Muralha da China, foi finalizada em apenas quatro anos com 4,5 metros de altura e 2,5 metros de largura, intercalada por torres de observação e quarteis, como era de costume nas fronteiras do Império Romano.

4. Muralha de Antonino

Mas, com a morte de Adriano, um novo imperador ainda mais ambicioso assumiu o comando e resolveu expandir as fronteiras do Império para além da Muralha de Adriano. No ano de 138, Antonino Pio deu um papel secundário a essa e ordenou a construção de uma nova muralha batizada com seu nome a cerca de 16o km ao norte da original.

Muralhas foram construídas em locais estratégicos para impedir invasões ao Império Romano.

Quatro anos depois, a Muralha de Antonino já estava de pé com seus 63 km de extensão desde o estuário do rio Forth, na costa oriental da ilha, no Mar do Norte, até ao estuário de Clyde, na costa ocidental, sobre o mar da Irlanda, na região que hoje é conhecida como Central Belt (“cinturão central” da Escócia).

A muralha é o símbolo mais claro da fronteira mais adiantada do Império Romano, mas durou muito pouco tempo. Construída de turfa e pedra, ela foi mais bem equipada do que a Muralha de Adriano, mas não durou nem 20 anos. As tribos do norte logo conseguiram reconquistar a região “empurrando” os romanos de volta à muralha anterior. Lá eles permaneceram de 164 até o início do século 5 quando finalmente foram expulsos da Grã-Bretanha.

Por ter ficado muito pouco tempo sob comando de seus criadores, a Muralha de Antonino tem bem menos trechos preservados. Tombada pela Unesco em julho de 2008, a muralha possui apenas um terço de seu comprimento total visível, cerca de 16 km são de propriedade ou de tutela pública e estão aberto à visitação do público.

5. Muralhas Romanas de Lugo

A muralha é muito preservada até hoje e convive muito bem com o restante da cidade.

Numa outra fronteira do Império Romano, também para conter a invasão dos bárbaros, ergueu-se o que se chama de Muralha Romana de Lugo.

Sob ordens do imperador Augusto, e muito antes das construções na Grã-Bretanha, a muralha com 2217 metros de extensão foi construída em 13 a.C. e delimita a zona história da antiga cidade romana de Lucus Augusti, ao nordeste da península Ibérica, na atual Espanha. Porém, não se sabe explicar porque mesmo com o formato irregular, a muralha não contemplou núcleos residenciais da antiga cidade ao mesmo tempo em que protegia zonas desabitadas.

Ao que se sabe, a muralha construída com granito, lousa, pedra e terra tinha muros que variavam entre 4,2 e 7 metros de extensão continha até 86 torres das quais 71 seguem preservadas e foram conjuntamente tombadas pela Unesco em 2000 como Patrimônio da Humanidade.

6. Muralha de Constantinopla

Constantinopla, atual Istambul, já teve pelo menos três nomes diferentes para suas muralhas.

Ainda se tratando de Império Romano, a Muralha de Constantinopla começou a ser construída pelo Imperador Constantino em 321, após este rebatizar o império para Bizantino e mudar sua capital.

Com o novo aspecto importante que lhe cabia, Constantinopla, que já tinha outras muralhas no histórico (a de Bizâncio e a de Severo), ganhou reforços com a imponente construção na tentativa de se proteger de ataques bárbaros.

Sabe-se que ela começava no Chifre de Ouro, próximo à atual Ponte Atatürk, indo a sudoeste, ao sul, passando a leste das grandes cisternas abertas de Mocius e Aspar, e terminando na costa da Propôntida, em algum lugar entre as posteriores portas marítimas de Santo Emiliano e Psamathos. Constatinopla, porém, continuou expandindo para além das fronteiras da muralha (na região chamada de Exokionion) e exigiu novas fortificações mais adiante. Ainda assim, o que se pode ver hoje ao redor da atual Istambul são resquícios da construção original de Constantino.

7. Muralhas de Cartagena

Com fortalezas e baluartes, a muralha permite contemplar um belo pôr do sol no mar do Caribe.

Além de Istambul, existem muitas outras cidades que ainda hoje são protegidas por muralhas. Cartagena das Índias é uma delas.

Importante entreposto comercial para os espanhóis no século 16, a riqueza de Cartagena foi ganhando fama e virando presa fácil para piratas e corsários. Sabendo disso, o Rei Filipe II ordenou ao marechal Luis de Tejada e ao engenheiro militar italiano Bautista Antonelli que construíssem uma muralha de pedra com 11 km de extensão para a defesa da cidade.

A construção só foi terminada em 1796 pelo engenheiro espanhol Antonio de Arévalo e incluía guaritas, armazéns de alimentos e armas, além de túneis subterrâneos para ligações entre o Castelo de San Felipe de Barajas com as fortificações. Após este período, Cartagena ainda chegou a sofrer uma série de ataques que exigiram a reconstrução de trechos inteiros da muralha, mas até hoje, o centro histórico de Cartagena, conhecido como a cidade fortificada, é preservado por ter sido declarado Patrimônio Nacional da Colômbia em 1959 e Patrimônio Mundial pela Unesco em 1984.

8. Muralha de Ávilla

Construção do século 12 é uma das mais preservadas de toda a Europa.

Talvez a inspiração para o Rei Filipe II tenha vindo da muralha na cidade de Ávila, na própria Espanha. Ele mesmo chegou a ter que restaurá-la em 1596, cinco séculos depois da construção original por ordem do rei Alfonso VI.

Situada a cerca de 100 km de Madrid e considerada Patrimônio Mundial pela Unesco em 1975, a muralha foi erguida para proteger a cidade numa intenção de repovoar regiões como as de Ávila, Segóvia e Salamanca.

Considerada a maior e mais preservada construção deste tipo na Europa, a edificação tem 2,5 km de extensão, nove portões, 87 torres e paredes com três metros de espessura e 12 de altura. Anexo à ela, edificações foram pouco a pouco sendo acopladas, entre elas a Catedral de Ávila – considerada a primeira catedral gótica da Espanha, tornando o passeio quase obrigatório para quem visita o local.

9. Muralhas de Plasencia

A muralha contava com um segundo muro anteposto ao principal chamado de barbacã.

Não muito longe dali, uma muralha quase contemporânea foi erguida pelo rei Afonso VIII, tataraneto de Alfonso VI, na cidade de Plasencia logo que a região foi conquistada dos mouros.

A obra que circundava a cidade começou em 1186 mas só foi finalizada em 1201 por conta da invasão de califados reconquistaram as terras por cerca de dois anos. Quando novamente em posse do rei, este ordenou que as muralhas fossem reforçadas e finalizadas imediatamente o que custou o esforço de 10 mil homens num tempo recorde de 9 meses.

Feita de alvenaria e pedras unidas com argamassa e cal, a Muralha de Plasencia tinha originalmente 74 torres, mas hoje só restam 23. Além disso, a edificação contava com um sistema defensivo duplo com um pano grosso e uma barbacã, separados entre si por um fosso, tornando-se quase impenetrável para a tecnologia disponível na época.

10. Muralha de Óbidos

O castelo foi construído pelos mouros, mas os portugueses reconfiguraram o lugar séculos depois.

Também ligada a presença dos mouros na Península Ibérica, destaca-se uma cidadezinha medieval portuguesa murada chamada Óbidos. Mas nesse caso, a muralha foi construída pelos próprios mouros no topo de uma colina ainda no século 8.

A barreira, porém, não foi suficiente para protegê-los para sempre e acabou passando para a mão do governo português. Primeiro rei do país, Afonso Henriques invadiu o local no século 12 e já no século 14, os portugueses remodelaram as muralhas de calcário e mármore para reprimir os aspectos da cultura anterior.

Pelo bem ou pelo mal, Óbidos se tornou um dos pontos turísticos mais procurados de Portugal e, com sorte, você ainda pode encontrar um guia disposto a mostrar as características remanescentes dos mouros na muralha.

11. Muralha de Avignon

Residência papal até 1377, Avignon é tombada pela Unesco e tem várias construções famosas.

Longe de ser a construção mais conhecida de Avignon, na França, a Muralha foi construída assim que a cidade passou a ser residência papal em 1309.

Assim como a famosa Ponte de Avignon, presente numa canção infantil francesa, a Muralha e toda a cidade foram tombadas pela Unesco como Patrimônio Mundial.

A construção com cerca de quatro quilômetros de comprimento e estética gótica, tem torres que chegam a cinquenta metros de altura, mas só uma parte disso está aberta ao público. De qualquer forma, é a nossa porta de entrada para grandes muros construídos por motivos religiosos.

12. Muralha de Carcassone

Algumas das torres foram usadas pela inquisição para interrogatórios, prisões e castigos.

Também na França, mas com um tempero ainda mais medieval, fica a cidade de Carcassone onde pode-se conhecer uma muralha dupla entremeada por um fosso que posteriormente foi aterrado e transformado em boulevard.

A construção é uma das mais bem preservadas do mundo e a melhor da Europa. Entre idas e vindas, as muralhas foram destruídas e reconstruídas apresentando hoje diferenças notáveis quanto ao material e a forma.

Destaca-se ainda uma sequência de torres anexas à muralha, algumas das quais foram utilizadas pela Inquisição para interrogatórios, castigos e prisões por parte da igreja a partir do século 13.

13. Cidade Fortificada de Neuf-Brisach

A cidade era disputada por franceses e alemães e já foi bombardeada até pelos americanos.

No limite da França com a Alemanha, uma cidade murada foi construída para preservar as fronteiras de ataques externos. Estamos falando de Neuf-Brisach.

Olhando de cima é possível ver uma cidade cercada por uma fortaleza octogonal construída em 1697 pelo famoso engenheiro militar francês Marquês de Vauban sob ordens do rei Luis XIV.

Estrategicamente localizada na região de Alsácia, próxima do rio Reno, Neuf-Brisach passou das mãos francesas para as alemãs várias vezes, a última delas após a segunda guerra mundial e assim permaneceu, sendo hoje tombada por inteiro como Patrimônio Histórico pela Unesco.

14. Cidade Murada de York

O muro foi construído pelos romanos em 71 d.C. e reformado em vários momentos históricos.

Do outro lado do Canal da Mancha, uma cidadezinha bem mais antiga já ostenta orgulhosamente um muro desde o século 1. Construído pelos romanos a partir do ano 71, o muro ao redor da cidade fortificada de York era inicialmente feito de madeira.

Mas a cidade foi conquistada pelos anglos, capturada pelos vikings e finalmente incorporada pela Inglaterra em 954, passando por diversas transformações, assim como seu muro. Ele foi reformado e ampliado sobretudo na era medieval entre os séculos 12 e 14, mas nos séculos 17 e 18 teve partes destruídas para a ampliação de algumas construções da cidade.

Sobre ele há alguns caminhos estreitos e outros mais amplos, repleto de escadas, passagens, portões e guaritas que dão complexidade a este que é considerado o muro mais bem preservado do país.

15. Muralhas de Conwy

Muralha e Castelo custaram uma quantia exorbitante de dinheiro pra época: 15 mil libras.

Cruzar a fronteira com o País de Gales é quase como que atravessar um portal do tempo e se deparar com centenas de construções de arquitetura medieval. Aqui escolhemos a Muralha de Conwy para representá-las.

O monumento foi construído entre 1283 e 1287 por ordens do rei Edward I para proteger a cidade e o famoso castelo local. A construção ostenta 1,3 quilômetro de muros projetados para formar um sistema integrado de defesa com 21 torres e três portarias.

Juntos, castelo e muralhas, custaram algo em torno de 15 mil libras esterlinas, o que pode não parecer muito hoje, mas era uma quantia absurda pra época. Hoje, porém, assim como a maioria das grandes muralhas, a de Conwy está tombada pela Unesco como Patrimônio Mundial e serve de turismo.

16. Linhas de Paz

Ainda na Grã-Bretanha, damos um salto no tempo e vamos parar na capital da Irlanda do Norte: Belfast. Ao contrário da maioria das muralhas citadas onde o homem luta para impedir que caiam, lá um muro só aumenta. Trata-se das “peace lines”, barreiras de concreto, alvenaria e, mais recentemente, placas metálicas e cercas de arame farpado.

Os muros foram construídos no meio da capital da Irlanda do Norte a partir dos anos 1970.

Construídas a partir dos anos 1970, as barreiras também chamadas de “muros da vergonha” servem para separar as comunidades católicas e protestantes. Em pequisa recente, os cidadãos consideraram esse muro “indispensável”.

É bem verdade que há uma dezenas de passagens no muro que permitem que as pessoas acessem a outra parte da cidade mas – detalhe – apenas durante o dia. À noite, a polícia fecha todas as portas, e protestantes e católicos têm que voltar para seus respectivos lados antes de escurecer.

Não há movimentos oficiais contrários ao muro, mas grafites e pichações se reproduzem nele.

17. Muralha de Dubrovnik

Banhada pelo mar Adriático, a cidade foi importante entreposto comercial e rivalizou com Veneza

Bem longe dali voltamos a falar de muralhas medievais. No sul da Croácia, na região chamada de Dalmácia, encontramos a cidade de Dubrovnik, apelidada de “Pérola do Adriático”, por ser banhada por esse mar.

Durante a Idade Média, a cidade fundada no século 7 foi capital da República de Ragusa e se transformou num importante entreposto comercial. Mas, após sofrer com saques e ataques de piratas e corsários, a exemplo de Cartagena, ergueu-se pouco a pouco uma muralha entre os séculos 12 e 17. Hoje, ainda muito conservada, ela também é considerada Patrimônio Histórico da Unesco.

18. Muro da Vergonha

O muro começou a ser construído na década de 1980 no auge do crescimento das ‘favelas’ peruanas.

Em Lima, no Peru, um muro que começou a ser construído em 1980 e hoje já tem mais de 10 km separa um dos bairros mais ricos da capital peruana de um dos mais pobres.

Ao longo da construção, podemos ver de um lado mansões que chegam a custa até US$ 5 milhões e têm uma bela vista da cidade, enquanto do outro lado, ocupações e favelas onde um barraco custa menos de US$ 300 e, claro, não conta sequer com saneamento básico.

Para quem está na margem pobre, o muro é chamado de Muro da Vergonha e funciona como exemplar da discriminação dos pobres no país. Já para quem mora na margem rica, trata-se apenas de uma questão de segurança, a fim de evitar que as ocupações que cresciam sem parar nos anos 80 invadissem as propriedades particulares.

19. Muralha de Ston

Em formato de pentágono irregular, são 5,5 km ainda de pé dos 7 km originais.

Bem perto dali, precisamente a 55 quilômetros, uma segunda edificação nem tão bonita, também fazia parte da República de Ragusa, atualmente parte da Croácia.

Construída entre a partir do ano de 1333, a Muralha de Ston teve 7 km de extensão em forma de um pentágono irregular. Ao contrário da maioria, ela não foi construída ao redor de uma cidade, mas de um morro na intenção de proteger as salinas da cidade, já que, nessa época, um quilo de sal valia o mesmo que um quilo de ouro.

Com 41 torres, 7 bastiões e dois fortes, ainda restam 5,5 quilômetros dessa fortaleza pela qual você pode caminhar e que é considerada uma das maiores estrutura defensivas do mundo.

20. Muralha de Rodes

Muralhas de 8 a 10 metros de altura numa das cidades mais belas do mundo.

Próximo dali, mas já voltada para o mar Egeu, a ilha grega de Rodes também é considerada uma das mais belas cidades medievais muralhadas do mundo.

A apenas 17 km do litoral da Turquia, Rodes era constantemente atacada e passou de mãos várias vezes até que, os Cavaleiros de São João a tomaram no século 14 e resolveram fortificá-la.

Usando restos de muralhas existentes desde a época do Império Bizantino, os cavaleiros criaram paredões de 8 a 10 metros de altura e 2 metros de largura com grandes torres de vigilância para inibir ataques. Hoje, a cidade inteira é considera Patrimônio Histórico pela Unesco.

21. Barreira Anti-Imigrantes

Entregue em dezembro de 2012, cerca na fronteira Grécia-Turquia de 10,3 km custou €$ 3,2 mi.

Mas olhando assim parece até que a treta entre Grécia e Turquia é coisa do passado. Engano. As ferias entre os dois países permanecem abertas e, na contramão das negociações por tratados de paz, uma barreira foi construíra recentemente na fronteira dos dois países para impedir que imigrantes clandestinos vindos da África, acessassem à Europa, pela fronteira dos dois países.

São mais de 200 km de fronteira entre os países, mas a maior parte dela conta com a barreira natural do rio Evros. É justamente no trecho restante de cerca de 12,5 km que cerca de 250 pessoas tentam passar diariamente. O número aumentou drasticamente desde 2008 quando Espanha e Itália assinaram acordos para evitar a imigração irregular de seus vizinhos africanos em direção a Europa. Sem a contribuição da Turquia, a Grécia não viu outro alternativa que não construir tal barreira.

Trata-se de uma cerca metálica com quatro metros de altura, reforçada com arame farpado que se estende ao longo de 10,3 km, custou cerca de €$ 3,2 milhões aos cofres gregos e demorou um ano até ficar pronta em dezembro de 2012.

22. Linha Verde

Desde a década de 1950, gregos e turcos disputam a hegemonia territorial nesta que é a terceira maior ilha do mar Mediterrâneo.

A 3ª maior ilha do mar Mediterrâneo é cortada de leste a oeste por uma barricada de 180 km.

Após a invasão turca em 1974, o Chipre acabou sendo dividido pelo que ficou conhecido como “linha verde”: uma estreita zona desmilitarizada controlada pelos soldados das Nações Unidas. A linha ganhou esse nome por conta de um general britânico chamado Peter Young que ocupava e comandava a ilha ainda em 1964 quando traçou, com um lápis verde, no mapa da cidade de Nicosia, os bairros gregos e turcos que já começavam a brigar.

Hoje, essa linha separa a República do Chipre e a República Turca do Chipre, território este que é ocupado por tropas da Turquia e que, por sinal, não é reconhecido por nenhum outro país além da própria Turquia. Mas quem está acostumado com muralhas tombadas pela Unesco, vai se decepcionar dessa vez.

Barricada só teve passagens abertas em 2003 e ato simbólico de abertura na capital em 2008.

O muro em questão tem 180 quilômetros de extensão e corta a ilha de leste a oeste passando, inclusive, pelo meio da capital Nicosia, mas não passa de uma barricada feita de tambores de metal, sacos de areia, tapumes, arame farpado e detritos de construções.

23. Cercas de Ceuta e Melilla

Dois territórios espanhóis encrustados no Marrocos e circundados por muros metálicos.

Caminhando sentido África, o problema com os imigrantes se agrava. Encrustada no território do Marrocos, a Espanha mantém duas cidades para si. Trata-se de Ceuta e Melilla. A primeira delas fica próxima do Estreito de Gibraltar e a outra na costa oriental do Marrocos.

Declarando que já dominava essas regiões antes mesmo da constituição do Estado marroquino, a Espanha mantém, com o aval da União Europeia, o controle dessas duas cidades do outro lado do mar Mediterrâneo há mais de cinco séculos mesmo que sem solos muito férteis e sem que as cidades não serem, em tese, muito rentáveis.. Os marroquinos pouco podem fazer. Sem qualquer chance numa eventual guerra contra os espanhóis, eles vêem as cidades mais como uma oportunidade de tentar adentrar ao território europeu.

Para tentar bloquear o fluxo migratório, a Espanha circundou suas cidades com barreiras que juntas somam mais de 20 km de extensão (8 em Ceuta, 12 em Melilla). As cercas são feitas de muros metálicos duplo no meio dos quais corre uma estrada patrulhada dia e noite, vigiada por sensores eletrônicos especiais, telecâmeras e raios infravermelhos. Os muros têm pouco mais de 3 metros de altura, mas estão sendo ampliados pra 6.

24. Muralha de Taroudant

Construída no século 16, a muralha foi importante na resistência ao exército francês no século 20.

Aproveitando a viagem ao território marroquino (e pra aliviar um pouco a tensão), vale conhecer Taroudant.

A cidade situada no vale de Souss, sudeste do Marrocos, Taroudant é conhecida como “a avó de Marrakesh”, mas parece mais uma versão menor e mais tranquila da maior cidade do país. As muralhas ao seu redor, porém, são de fato anteriores à coirmã e datam do século 16.

As construções, mais bem preservadas do país, serviram como forma de resistência ao exército francês e contam com 7,5 km de perímetro, além de 130 torres e 19 bastiões ligados por um adarve, tornando a cidade quase impenetrável.

25. Muro Marroquino

Um muro de areia é bastante efetivo no Marrocos.

Ainda  no Marrocos, um muro feito de areia vem sendo muito efetivo na defesa dos interesses de uma nação contra outra.

O Muro Marroquino começou a ser erguido em 1975 e foi finalizado em 1982 por ordem do rei Hassan. A intenção era clara: dividir o deserto do Saara em duas partes e defender a parte rica do território onde se concentram minas de minerais, fosfato, jazidas petrolíferas e a costa muito piscosa.

Composto de 8 fortificações distantes que se prolongam por 2,7 mil quilômetros com altura que varia de 1 a 30 metros, o muro conta ainda com bunkers, trincheiras, escavações, radar e sistemas de alarme eletrônico que acionam chamas e carros blindados.

Mas, para ser justo, o que parece impressionar é mesmo o enorme campo minado que está entre os 10 lugares do mundo com mais alta concentração de minas anti-homem.

26. Muralhas de Bagdá

​Em total insegurança, muros se multiplicam em propriedades públicas e privadas no Iraque.

Diferente do muro de Berlim ou da linha verde no Chipre, no Iraque não existe um único muro, mas sim uma coleção deles. Ao redor de mesquitas, hotéis, hospitais e até de cidades inteiras, os muros tomam conta de margens de rios, ruas e avenidas num país acostumado a viver em guerra civil, com diversos atentados suicidas e intenso conflito entre comunidades sunitas e xiitas.

Chama a atenção em especial, a barreira de concreto armado de mais de 3,5 m erguida rapidamente na noite em que o regime de Sadam Hussei foi derrubado.

27. Muralha de Itchan Kala

​Muralha de Itchan Kala, na atual Khiva, Uzbequistão, já foi destruída e reconstruída várias vezes.

Caminhando em direção a Ásia, nos deparamos com a imponente Muralha de Itchan Kala, a parte antiga da cidade de Khiva, no Usbequistão.

Datadas dos século 18 e 19, diversas edificações suntuosas se alternam, envolvidas pela muralha de tijolos escuros que conta com apenas quatro portões, um de cada lado da fortaleza retangular. Com o passar dos anos, a Muralha foi destruída diversas vezes, mas sempre é prontamente reconstruída pelos uzbeques.

28. Grande Muralha da Índia

​Diz-se que é a segunda maior muralha do mundo, atrás apenas da chinesa.

Indo um pouco mais além chegamos a este território maluco que é a Índia. Para começar vamos falar da Kumbhalgarh, também conhecida como grande muralha.

São 36 quilômetros de construção no estado de Rajasthan, Índia Ocidental, erguida a partir de 1443 pelo governo de Rana Kumbha e finalizada só mais de um século depois na tentativa de proteger 360 templos a mais de 1100 metros acima do nível do mar. Não bastasse, a muralha foi novamente ampliada já no século 19, quando parou de ser utilizada como forte e passou a ser um museu.

29. Linha de Controle

Mais de 3 mil km na fronteira da Índia com o Paquistão são cercados e vigiados de perto.

Mas muros são utilizados como recursos em muitas ocasiões na Índia, afinal, conflitos e ameaças para se aproveitar não faltam.

Imagine um território que é pleiteado por três nações diferentes. Agora imagine que essas nações são Índia, China e Paquistão. Estamos falando do Kashimir, uma região dividida entre os três países pelas Nações Unidas que deixou todos insatisfeitos, já que cada uma reivindica para si a totalidade do território.

Na parte que diz respeito à fronteira da Índia com o Paquistão, o conflito remonta o período pós-colonização britânica e provoca muitas mortes. Uma barreira de arame farpado cercada por minas terrestres faz vítimas quase diariamente e se une aos 3,3 mil km fora da região do Kashmir onde a barreira metálica se estende sempre com a justificativa de impedir a imigração clandestina, estancar o terrorismo e impedir o tráfico de droga e armas.

30. Barreira de Ferro

​A construção ao longo da fronteira de 4 mil km durou 26 anos e custou US$ 1 bilhão.

E parece que a Índia gosta mesmo dessa história de cercar suas fronteiras com barreiras metálicas. O mesmo acontece no limite com Bangladesh, onde uma barreira de ferro e arame farpado de mais de 4 mil km segue sendo patrulhada por guardas com ordem para atirar em qualquer invasor.

A construção foi iniciada há 26 anos e custou mais de US$ 1 bilhão, a despeito das tentativas amigáveis de acordo entre as partes. Estima-se que nessa zona militarizada sangrenta, cerca de 200 pessoas são mortas por guardas indianos anualmente, mas o pior acontece mesmo quando ondas de refugiados tentam escapar dos recorrentes desastres naturais que assolam Bangladesh.

31. Cidade Murada de Pingyao

Os chineses se dedicam muito para manter intacta a muralha de 6 km que envolve a cidade.

Já na China, a cerca de 715 km da capital, uma pequena e charmosa cidade chinesa apresenta mais um exemplo da força do país. Trata-se de Pingyao, uma cidade milenar que ostenta uma muralha majestosa impressionante.

Dados às tradições, os chineses fazem questão de preservar intacta e original a imponente construção com mais de 12 metros de altura, 6 km de perímetro, 72 torres de vigilância e um fosso externo de quatro metros de profundidade, além dos dois portões (um ao norte e outro ao sul).

Idêntica ao que já se podia observar há mais de trezentos anos, a muralha exige muita dedicação dos chineses. Quando ocorreu um desabamento na parte sul no ano de 2004, os cidadãos foram conclamados e fizeram questão de reconstruir a muralha imediatamente.

32. Parede de Xi’an

Muralha de 25 km foi construída em apenas 4 anos antes mesmo de Cristo nascer.

Não dá pra falar que é perto, afinal é a China, mas uma outra cidade bem antiga também conta com um muro de botar respeito.

Xi’an já foi a maior cidade do mundo, capital de 13 dinastias no reinado de 73 imperadores ao longo de 10 mil anos, e ainda hoje conta com vestígios dessa época, o maior exemplo: a muralha que envolve a cidade.

A construção começou no ano de 194 a.C. e levou 4 anos para ser terminada. Após a conclusão, a parede de 25,7 km de comprimento com 12 a 16 m de espessura na base, cerca uma área de 36 quilômetros quadrados. Ela foi construída originalmente de terra, cal e extrato de arroz glutinoso, mas passou por uma reforma para ser fechada totalmente com tijolos.

33. Zona Desmilitarizada Coreana

Uma faixa de terra de 2 km de largura na fronteira das Coreias é a última herança da Guerra Fria.

Ainda mais ao oriente, chegamos às coreias e lá uma faixa de terra chamada de Zona Desmilitarizada Coreana não tem nada de pacífica.

Em linhas gerais, a barreira do 38º paralelo entre a Coreia do Norte e a do Sul pode ser chamada do Muro de Berlim que deu errado. A linha de separação que representava a separação entre as zonas de ocupação soviética e norte-americana, tornou-se uma das regiões mais sensíveis da atualidade.

Hoje, a zona delimita uma faixa de terra de 246 km de comprimento por 2 km de extensão que divide aldeias, estradas, ferrovias, rios e famílias inteiras. Ali, minas terrestres estão enterradas, cercas de arame farpados estão erguidas e tudo é vigiado por mais de 2 milhões de soldados e mais de mil postos de guarda.

34. Muralhas de Jerusalém

A cidade velha de Jerusalém, cercada pelas muralhas, é Patrimônio Mundial desde 1981.

Voltando para o Oriente Médio, nos deparamos com uma cidade sagrada para boa parte do mundo. Jerusalém é cobiçada pelo judaísmo, cristianismo e pelo islã, além de ser capital do Estado de Israel.

Lá, uma herança do século 16, vem desde o reino do império Otomano. Construída entre 1535 e 1538 por ordem de Solimão I, as muralhas cercam uma área de 1 km², com comprimento de 4018 metros, altura média de 12 metros e 8,5 metros de espessura.

As paredes que cercaram toda a cidade até o século 19, hoje diz respeito apenas à Velha Cidade, mas seguem com 34 torres de vigia e 8 portas de entrada. Hoje, as construções ajudam a dividir a capital entre as religiões e estão tombadas pela Unesco como Patrimônio Mundial junto com a Cidade Antiga desde 1981.

35. Muro das Lamentações

Muro das Lamentações é o segundo local mais sagrado para a região judaica.

Ainda em Jerusalém, o Muro das Lamentações dispensa apresentações.

Considerado um local sagrado para o judaísmo, o muro é o único vestígio do antigo Templo de Herodes, erguido por Herodes o Grande no lugar do Templo de Jerusalém inicial.

Esta é a parte que restou de um muro de arrimo que servia de sustentação para uma das paredes do edifício principal e que em si mesmo, não integrava o Templo que foi destruído pelo general Tito, que depois se tornaria imperador romano, no ano de 70.

Interessante citar que antes da sua reabilitação por Israel, após a Guerra dos Seis Dias, em 1967, o local servia de depósito para incineração de lixo.

36. Muro da Cisjordânia

Serão quase 760 km de muro e muita polêmica.

Em constante construção, o Muro da Cisjordânia é uma das construções contemporâneas mais polêmicas do mundo. Erguido pelo recente Estado de Israel, a barreira terá, quando finalizada, aproximadamente 760 km e muita polêmica.

A maior parte do muro é construída na Cisjordânia e, em parte, ao longo da linha do armistício de 1949. Porém, estima-se que a construção esteja englobando 8,5% da área da Cisjordânia, além de cercar completamente outros 3,4% do território isolando cerca de 450 mil pessoas. Por isso, o Tribunal Internacional de Justiça de Haia declarou a barreira ilegal em 2004. Israel, porém ignorou a decisão e prosseguiu com as obras.

O muro em si é ladeado por uma faixa de 60 metros de largura (área de exclusão) em 90% da sua extensão, e a muralha de concreto chega a 8 metros de altura em até 10% da obra. Pelo governo israelense, a barreira é chamada de “cerca de separação” ou “cerca de segurança”, enquanto por parte dos palestinos e outros opositores é chamada de “muro da segregação racial” e até “muro do apartheid”.

37. Muro da Vergonha

O muro entre México e Estados Unidos já é uma realidade e vai do deserto ao mar.

Diante de tantos exemplos, dá pra notar que a ideia de Donald Trump de erguer um muro na fronteira dos Estados Unidos com o México está longe de ser original, mas fica ainda mais evidente quando notamos que, na realidade, já existe um muro em parte dessa fronteira.

Um barreira de aço com 3 metros de altura e 22 km de extensão, equipada com sensores elétricos, torres de radar, telecâmeras com raios infravermelhos para visão noturna, iluminação de altíssima intensidade, sismógrafos, arame farpado e um sistema permanente de vigilância com veículos e helicópteros armados à disposição separa San Diego, na Califórnia, de Tijuana, no México.

O “Muro Mexicano” para os americanos ou “Muro da Vergonha” para os mexicanos teve suas obras iniciadas em 1994 e hoje se estende por áreas urbanas, pelo deserto e, até mesmo, por dentro do mar.

Fonte: Papo de Homem

Efeitos da Guerra dos Seis Dias perduram 50 anos depois

“Efeitos da Guerra dos Seis Dias perduram 50 anos depois”

Ocupação de territórios palestinos por Israel, há cinco décadas, alterou milhões de vidas. Mas comunidade internacional evita abordar a sério o conflito no Oriente Médio, critica sociólogo palestino em entrevista à DW.

Tanques israelenses avançam sobre tropas egípcias, no início da Gurra dos Seis Dias, em junho de 1967Tanques israelenses avançam sobre tropas egípcias, no início da Gurra dos Seis Dias, em junho de 1967

Em 5 de junho de 1967, Israel atacou o Egito, Síria e Jordânia, dando início à assim chamada Guerra dos Seis Dias. Desde a promulgação do Estado de Israel, em 1948, os vizinhos árabes insistiam na criação de um Estado palestino, gerando conflitos sucessivos entre as duas partes.

A situação na fronteira da Síria atingiu um ponto crítico em abril de 1967: os sírios haviam instalado bases de artilharia em Golã para bombardear colônias israelenses. A derrubada de sete aviões de guerra por Israel provocou o início da mobilização árabe.

Após a assinatura de pactos militares entre Egito, Síria e Jordânia, Israel iniciou a mobilização geral. Na manhã de 5 de junho, aviões da força aérea israelense atacaram bases aéreas do Egito, destruindo centenas de aviões em 48 horas. Os combates se encerraram em 10 de junho, com o cessar-fogo com a Síria, após Israel ter conquistado as Colinas de Golã.

As consequências desses seis dias se mantêm até hoje, com a existência ou não de um Estado palestino sendo foco não só de tensões diárias na região, mas também nos palcos da política internacional.

A DW entrevistou o sociólogo palestino Salim Tamari. Nascido em 1945 em Acre, a norte da Baía de Haifa, ele é diretor do Instituto de Estudos Palestinos e docente do Centro de Estudos Árabes Contemporâneos da Universidade de Georgetown, nos Estados Unidos.

DW: Quais circunstâncias levaram à Guerra dos Seis Dias, em junho de 1967?

Sociólogo palestino Salim Tamari.dirige Instituto de Estudos Palestinos da Universidade de Georgetown, EUASociólogo palestino Salim Tamari.dirige Instituto de Estudos Palestinos da Universidade de Georgetown, EUA

Salim Tamari: O detonador imediato foi o então presidente do Egito, Gamal Abdel Nasser, ter bloqueado o Estreito de Tiran, cortando o acesso de Israel às águas internacionais. O verdadeiro motivo, no entanto, foi, entre outros, o fato de Israel ter rechaçado sistematicamente as resoluções da ONU de 1948, para o retorno dos refugiados. Além disso, havia tensões na fronteira entre Israel e o Egito, na região de Gaza.

A guerra acabou após poucos dias, mas as consequências peduram até hoje. Quais efeitos diretos teve o conflito?

Os Exércitos da Síria, Egito e Jordânia tiveram que aceitar uma derrota. Além disso, Israel ocupou toda a Península do Sinai, a Cisjordânia, inclusive a zona leste de Jerusalém e parte das Colinas de Golã, na Síria. Os efeitos imediatos foram não só totalmente devastadores para os diversos governos árabes, mas também para os palestinos na Cisjordânia e na Faixa de Gaza.

Como a vida da população mudou depois da guerra?

Dois aspectos alteraram a vida cotidiana: por um lado, os palestinos da Cisjordânia, Faixa de Gaza e das Colinas de Golã deixaram de ter acesso a um aeroporto. Não podiam mais viajar, manter comércio, nem mais ter intercâmbio com outras culturas, como costumavam.

Por outro lado, os mercados da Cisjordânia e da Faixa de Gaza foram integrados aos dos israelenses. A consequência positiva foi os palestinos voltarem a ter acesso à Palestina histórica, e assim também aos territórios que alguns deles haviam perdido em 1948.

Então, Jerusalém foi formalmente anexada. Os moradores palestinos de lá se tornaram habitantes de Israel, podendo se mover mais livremente do que os palestinos da Cisjordânia e Gaza.

Karte Sechs Tage Krieg Israel brasilianisch

Pode-se dizer que os palestinos de Jerusalém foram igualmente anexados? Eles não são cidadãos israelenses de pleno direito, não têm passaporte israelense, podem viver lá, mas, por exemplo, só têm o direito de participar de eleições locais.

A cidade foi anexada, mas não a população. Os palestinos tiveram que requerer uma “carteira de identidade azul”, recebendo um status que se pode situar entre o dos palestinos em outras cidades de Israel, e os da Cisjordânia e Faixa de Gaza. Na prática, eles continuam vivendo numa espécie de estado de incerteza.

Vários palestinos dizem que não conseguem ver 1967 desconectado dos acontecimentos de 1948, quando o Estado de Israel foi fundado na sequência de uma guerra. O senhor concorda?

Muitos palestinos que vivem na Cisjordânia e Gaza são refugiados de territórios que se transformaram no Estado de Israel em 1948. Os palestinos que fugiram em 1967 vivem hoje principalmente em outros países árabes. Os daqui são historicamente traumatizadas pela guerra de 1948, para eles 1967 significa algo totalmente diverso. Eles não se tornaram refugiados, mas sim reféns da anexação da Cisjordânia e Gaza por Israel.

No fim dos anos 60, o senhor mesmo se recolheu na Cisjordânia. Como a ocupação e os cidadãos de lá mudaram nos últimos 50 anos?

A diferença principal em relação a hoje é que, depois da guerra de 1967, tinha-se a sensação de se encontrar num estado que permaneceria para sempre. As nações árabes foram derrotadas, não tinham mais como se reerguer militarmente. Mas então em 1987 veio a primeira Intifada [revolta palestina], e as pessoas tiveram a sensação de que a ocupação poderia ter um fim.

Mas os resultados dos Acordos de Oslo de 1993 foram um desdobramento decepcionante. Pois lá se deliberou o prosseguimento da ocupação numa outra forma, sob a capa da assim chamada “Autonomia”. De repente as pessoas tinham uma outra visão: não se tratava mais de uma luta por mais independência ou por uma solução de dois Estados, mas sim de um embate judicial.

Jerusalém Oriental ocupada, ao fim da Guerra dos Seis DiasJerusalém Oriental ocupada, ao fim da Guerra dos Seis Dias

Muitos movimentos israelo-palestinos sempre colocam o fim da ocupação em primeiro plano. Essas iniciativas serão capazes de alcançar algo enquanto a situação política não mudar?

Elas realmente alcançaram algo depois da primeira Intifada. Solidariedade intraétnica foi o resultado, o que acabou gerando as negociações de paz de Oslo. Mas isso gastou a resistência dos palestinos, muitos não querem passar por algo como Oslo mais uma vez.

A isso soma-se o fato de que o movimento de paz e também a esquerda israelense encolheram, tanto em tamanho quanto em significado. Naturalmente, há desobediência civil e protestos pacíficos. Sou da opinião de que eles contribuem para criar uma nova visão. Mas no momento ainda não é algo que se possa traduzir em ações políticas.

O que a comunidade internacional deve fazer, para que a ocupação tenha fim e uma solução de dois Estados possa prosperar?

A comunidade internacional precisa se dedicar bem decididamente ao tema das desapropriações de terra e da ampliação dos assentamentos. Além disso, deveria criar um clima que leve Israel a se retirar dos territórios ocupados. Mas tudo isso já é conhecido. Só que nem a Europa e muito menos os Estados Unidos querem se ocupar de verdade desses temas políticos.

Fonte:  DW

As sete maravilhas do mundo moderno

As Novas Sete Maravilhas do Mundo foi uma revisão de caráter informal e recreativo da lista original das sete maravilhas. A seleção foi feita mundialmente por votos pela internet gratuitos e ligações telefônicas pagas e apresentada publicamente no dia 7 de Julho de 2007 no Estádio da Luz, em Lisboa, Portugal.

Quando se fala em sete maravilhas do mundo, é comum relacionar à célebre lista das Sete maravilhas do mundo antigo, que reúne as mais notáveis construções da antiguidade. Esta lista, entretanto, não é mais a única a tentar enumerar as maiores realizações da humanidade e/ou da natureza.

Muralha da China

A chamada Muralha da China, ou Grande Muralha, é uma impressionante estrutura de arquitetura militar construída durante a China Imperial.

As suas diferentes partes distribuem-se entre o Mar Amarelo (litoral Nordeste da China) e o deserto de Góbi e a Mongólia (a Noroeste).

A muralha começou a ser erguida por volta de 220 a.C. por determinação do primeiro imperador chinês, Qin Shihuang (também Qin Shi HuangdiCh’in Che Huang TiShih Huang-ti ou Shi Huangdi ou ainda Tchi Huang-ti). Embora a Dinastia Qin (ou Ch’in) não tenha deixado relatos sobre as técnicas construtivas que empregou e nem sobre o número de trabalhadores envolvidos, sabe-se que a obra aproveitou uma série de fortificações construídas por reinos anteriores, sendo o aparelho dos muros constituído por grandes blocos de pedra, ligados por argamassa feita de barro. Com aproximadamente três mil quilômetros de extensão, a sua função era a de conter as constantes invasões dos povos ao Norte.

Se, no passado, a sua função foi essencialmente defensiva, no presente constitui um símbolo da China e uma procurada atração turística.

 

Petra

Petra  é um importante enclave arqueológico na Jordânia, situado na bacia entre as montanhas que formam o flanco leste de Wadi Araba, o grande vale que vai do Mar Morto ao Golfo de Aqaba.

 

Petra

Imagem:Khazneh.JPG

Cristo Redentor

O Cristo Redentor é uma estátua de Jesus Cristo localizada na cidade do Rio de Janeiro, Brasil. Está localizada no topo do morro do Corcovado, a 709 metros acima do nível do mar. De seus 38 metros, oito estão no pedestal. Foi inaugurado às 19h15min. do dia 12 de outubro de 1931, depois de cerca de cinco anos de obras. Um símbolo do cristianismo, a estátua se tornou um dos ícones mais reconhecidos internacionalmente de ambos Rio e Brasil.

No dia 7 de julho de 2007, em uma festa realizada em Portugal, o Cristo Redentor foi incluído entre as novas sete maravilhas do mundo moderno.

Machu Pichu

 

Machu Pichu também chamada “cidade perdida dos Incas”, é uma cidade pré-colombiana bem conservada, localizada no topo de uma montanha, a 2400 metros de altitude, no vale do rio Urubamba, atual Peru. Foi construída no século XV, sob as ordens de Pachacuti. O local é, provavelmente, o símbolo mais típico do Império Inca, quer devido à sua original localização e características geológicas, quer devido à sua descoberta tardia em 1911. Apenas cerca de 30% da cidade é de construção original, o restante foi reconstruído. As áreas reconstruídas são facilmente reconhecidas, pelo encaixe entre as pedras. A construção original é formada por pedras maiores, e com encaixes com pouco espaço entre as rochas.

Consta de duas grandes áreas: a agrícola formada principalmente por terraços e recintos de armazenagem de alimentos; e a outra urbana, na qual se destaca a zona sagrada com templos, praças e mausoléus reais

Há diversas teorias sobre a função de Machu Picchu, porém a mais aceita afirma que foi um assentamento construído com o objetivo de supervisionar a economia das regiões conquistadas e com o propósito secreto de refugiar o soberano Inca e seu séquito mais próximo, no caso de ataque.

O Peru é o berço de uma das civilizações mais interessantes e intrigantes da história, os Incas. Atualmente, as marcas desse incrível povo estão espalhadas pelo país, representadas nas sagradas ruínas de Machu Picchu, nos templos grandiosos e na natureza exuberante de Ica.

A 7 de Julho de 2007, em Lisboa, no estádio da Luz em  Portugal, o monumento foi eleito e considerado oficialmente como uma das 7 maravilhas do Mundo.

 

Chichén Itzá

Chichén Itzá é uma cidade arqueológica maia localizada no estado mexicano de Iucatã. Chichén Itzá, é a mais famosa Cidade Templo Maia, funcionou como centro político e econômico da civilização maia. As várias estruturas – a pirâmide de Kukulkan, o Templo de Chac Mool, a Praça das Mil Colunas, e o Campo de Jogos dos Prisioneiros – podem ainda hoje ser admiradas e são demonstrativas de um extraordinário compromisso para com a composição e espaço arquitetônico. A pirâmide foi o último e, sem qualquer dúvida, o mais grandioso de todos os templos da civilização maia.

O nome Chichén-Itzá tem raiz maia e significa “na beirada do poço do povo Itza”. Estima-se que Chichén-Itzá foi fundada por volta dos anos 435 e 455. Foi declarada Património Mundial da Unesco em 1988.
Chichén Itzá foi eleito Novas Sete Maravilhas do Mundo.

Coliseu de Roma

 

Imagem:Colosseum in Rome, Italy - April 2007.jpg

O Coliseu de Roma é o mais famoso anfiteatro do mundo e o símbolo de Roma, o Coliseu foi palco de lutas de gladiadores, massacres de cristãos e o local onde se punha em prática a Política do “Panis et Circense”, mais conhecido como “Pão e Circo”.

O Coliseu, provavelmente o mais importante monumento da cidade de Roma, mostra a grandeza que o império romano atingiu.
No entanto, apenas dois terços da estrutura original conseguiram resistir ao tempo, terremotos, vândalos e aos construtores medievais que o utilizaram como uma pedreira de onde obtinham materiais para suas construções. Mesmo assim, essa construção impressiona até os dias de hoje.

Foi construído por ordens do imperador Vespasiano, em 70 d.C.. Suas fundações possuem mais de 12 metros de profundidade, e seus 187,5 metros de comprimento por 155,5 metros de largura formam um perímetro de mais de 540 metros. É, uma das maiores construções de todo o império romano, e podia acomodar entre 45.000 e 55.000 espectadores.

O monumento foi danificado por um terremoto no começo do mesmo século, foi alvo de uma extensiva restauração na época de Valentinianus III. Em meados do século XIII, a família Frangipani transformou-o em fortaleza e, ao longo dos séculos XV e XVI, foi por diversas vezes saqueado, perdendo grande parte dos materiais nobres com os quais tinha sido construído.

 

Taj Mahal

 

O Taj Mahal é um mausoléu situado em Agra, uma cidade da Índia e o mais conhecido dos monumentos do país.

A obra foi feita entre 1630 e 1652 com a força de cerca de 22 mil homens, trazidos de várias cidades do Oriente, para trabalhar no suntuoso monumento de mármore branco que o imperador Shah Jahan mandou construir em memória de sua esposa favorita, Aryumand Banu Begam, a quem chamava de Mumtaz Mahal (“A jóia do palácio”). Ela morreu após dar à luz o 14º filho, tendo o Taj Mahal sido construído sobre seu túmulo, junto ao rio Yamuna.

Assim, o Taj Mahal é também conhecido como a maior prova de amor do mundo, contendo inscrições retiradas do Corão. É incrustado com pedras semipreciosas, tais como o lápis-lazúli entre outras. A sua cúpula é costurada com fios de ouro. O edifício é flanqueado por duas mesquitas e cercado por quatro minaretes.

Supõe-se que o imperador pretendesse fazer para ele próprio uma réplica do Taj Mahal original na outra margem do rio, em mármore preto, mas acabou deposto antes do início das obras por um de seus filhos.

O Taj Mahal faz parte da lista das Sete Maravilhas do Mundo Moderno .

Fonte: Só História

As sete maravilhas do mundo antigo

As sete maravilhas do mundo antigo são uma famosa lista de majestosas obrasartísticas e arquitetônicas erguidas durante a Antiguidade Clássica feita por Antípatro de Sídon. Das sete maravilhas, a única que resiste até hoje quase intactas são as Pirâmides de Gizé, construídas há cinco mil anos.

Origem da lista

A origem da lista é duvidosa, normalmente atribuída ao poeta e escritor grego Antípatro de Sídon, que escreveu sobre as estruturas em um poema. Outro documento que contém tal lista é o livro De septem orbis miraculis, do engenheiro grego Philon de Bizâncio. A lista também é conhecida como Ta hepta Thaemata (“as sete coisas dignas de serem vistas”).

Os gregos foram os primeiros povos a relacionar as sete maravilhas do mundo entre os anos 150 e 120 a.C.. Extraordinários monumentos e esculturas erguidos pela mão do homem, construídos na antigüidade fascinam por sua majestade, riqueza de detalhes e magnitude até hoje. Podemos imaginar o aspecto que outros monumentos e esculturas tinham a partir de descrições e reproduções estilizadas em moedas.

 

As Pirâmides de Gizé

As grandes pirâmides de Gizé, única antiga maravilha do mundo ainda existente
As grandes pirâmides de Gizé, no Egito, única antiga maravilha do mundo ainda existente.

As três pirâmides de Gizé (ou Guiza,  nome mais próximo do original – Gizé é um galicismo) ocupam a primeira posição na lista das sete maravilhas do mundo antigo.

Keóps, Quéfren e Miquerinos, foram construídas como tumbas reais para os reis Khufu (Keóps), Quéfren, e Menkaure (pai, filho e neto), que dão nome às pirâmides. A primeira delas, Queóps, foi construída há mais de 4.500 anos, por volta do ano 2550 a.C., chamada de Grande Pirâmide, a majestosa construção de 147 metros de altura foi a maior construção feita pelo homem durante mais de quatro mil anos, sendo superada apenas no final do século XIX (precisamente em 1889), com a construção da Torre Eiffel.

A grande diferença das Pirâmides de Gizé em relação às outras maravilhas do mundo é que elas ainda persistem, resistindo ao tempo e às intempéries da natureza, encontrando-se em relativo bom estado e, por este motivo, não necessitam de historiadores ou poetas para serem conhecidas, já que podem ser vistas.

O curioso é que as pirâmides de Gizé já eram as mais antigas dentre todas as maravilhas do mundo antigo pois, na época já fazia mais de dois mil anos que haviam sido construídas e são justamente as únicas que se mantém até hoje.

Aproximadamente dois milhões de blocos de pedras foram utilizados para a construção das pirâmides.


120 metros em mármore

O Farol de Alexandria

O Farol de Alexandria foi construído a mando de Ptolomeu no ano 280 a.C. pelo arquiteto e engenheiro grego Sóstrato de Cnido. Era uma torre de mármore situada na ilha de Faros (por isso, “farol“), próxima ao porto de Alexandria, Egito.

Com três estágios superpostos – o primeiro, quadrado; o segundo, octogonal; e o terceiro, cilíndrico -, dispunha de mecanismos que assinalavam a passagem do Sol, a direção dos ventos e as horas. Por uma rampa em espiral chegava-se ao topo, onde à noite ardia uma chama que, através de espelhos, iluminava até 50 km de distância para guiar os navegantes.

Diz à lenda que Sóstrato procurou um material resistente à água do mar e por isso a torre teria sido construída sobre gigantescos blocos de vidro. Mas não há nenhum indício disso.

À exceção das pirâmides de Gizé, foi a que mais tempo durou entre as outras maravilhas do mundo, sendo destruída por um terremoto em 1375. Suas ruínas foram encontradas em 1994 por mergulhadores, o que depois foi confirmado por imagens de satélite.

 

Os Jardins Suspensos da Babilônia


Seis montanhas artificiais

A terceira maravilha são os Jardins Suspensos da Babilônia, construídos por volta de 600 a.C., às margens do rio Eufrates, na Mesopotâmia – no atual sul do Iraque. De todas as maravilhas os Jardins Suspensos da Babilônia são os menos conhecidos já que até hoje encontram-se poucos relatos e nenhum sítio arqueológico foi encontrado com qualquer vestígio do monumento. O único que pode ser considerado “suspeito” é um poço fora dos padrões que imagina-se ter sido usado para bombear água.

Os jardins, na verdade, eram seis montanhas artificiais feitas de tijolos de barro cozido, com terraços superpostos onde foram plantadas árvores e flores. Calcula-se que estivessem apoiados em colunas cuja altura variava de 25 a 100 metros. Para se chegar aos terraços subia-se por uma escada de mármore; entre as folhagens havia mesas e fontes. Os jardins ficavam próximos ao palácio do rei Nabucodonosor II, que os teria mandado construir em homenagem à mulher, Amitis, saudosa das montanhas do lugar onde nascera.

 

O Templo de Artêmis


200 anos de construção

A quarta maravilha do mundo antigo é o templo de Artêmis (Diana, para os romanos) em Éfeso, construído para a deusa grega da caça e protetora dos animais selvagens, foi o maior templo do mundo antigo. Localizado em Éfeso, atual Turquia, o templo foi construído em 550 a.C. pelo arquiteto cretense Quersifrão e por seu filho, Metagenes. O templo tinha 90 metros de altura, como a estátua da Liberdade, em Nova York – e 45 de largura, o templo era decorado com magníficas obras de arte e  Ártemis foi esculpida em ébano, ouro, prata e pedra preta.

Após concluído, o templo virou atração turística com visitantes de diversos lugares entregando oferendas, e foi destruído em 356 a.C. por Eróstrato, que acreditava que destruindo o templo de Ártemis teria seu nome espalhado por todo o mundo. Sabendo disso, os habitantes da cidade não revelaram seu nome, só conhecido graças ao historiador Strabo. Alexandre (Link para Alexandre) ofereceu-se para restaurar o templo, mas ele começou a ser reconstruído só em 323 a.C., ano da morte do macedônio. Mesmo assim, em 262 d.C., ele foi novamente destruído, desta vez por um ataque dos godos. Com a conversão dos cidadãos da região e do mundo ao cristianismo, o templo foi perdendo importância e veio abaixo em 401 d.C; e hoje existe apenas um pilar da construção original em suas ruínas.

Ruínas do templo de Artemis em Éfeso, Turquia
Ruínas do templo de Artêmis em Éfeso, Turquia

A Estátua de Zeus


Marfim, ébano e pedrarias

A quinta maravilha é estátua de Zeus em Olímpia. Foi construída no século V a.C. pelo ateniense  Fídias, em homenagem ao rei dos deuses gregos — Zeus. Supõe-se que a construção da estátua tenha levado cerca de oito anos. Zeus (Júpiter, para os romanos) era o senhor do Olimpo, a morada das divindades. A estátua media de 12 a 15 metros de altura – o equivalente a um prédio de cinco andares – e era toda de marfim e ébano. Seus olhos eram pedras preciosas.

Fídias esculpiu Zeus sentado num trono. Na mão direita levava a estatueta de Nike, deusa da Vitória; na esquerda, uma esfera sob a qual se debruçava uma águia. Supõe-se que, como em representações de outros artistas, o Zeus de Fídias também mostrasse o cenho franzido. A lenda dizia que quando Zeus franzia a fronte o Olimpo todo tremia.

Após 800 anos foi levada para Constantinopla (hoje Istambul), onde acredita-se ter sido destruída em 462 d.C. por um terremoto.

Mausoléu de Halicarnasso


Pirâmide de 24 degraus

O mausoléu de Halicarnasso foi o suntuoso túmulo que a rainha Artemísia II de Cária mandou construir sobre os restos mortais de seu irmão e marido, o rei Mausolo, em 353 a.C.. Foi construído por dois arquitetos gregos — Sátiro e Pítis — e por quatro escultores gregos — Briáxis, Escopas, Leocarés e Timóteo. Sendo esta a sexta maravilha do mundo antigo.

Halicarnasso era a capital da Cária – região que englobava cidades gregas ao longo do mar Egeu e das montanhas do interior e hoje faz parte da Turquia.

O romano Plínio descreveu o mausoléu como um suntuoso monumento sustentado por 36 colunas. Com quase 50 metros de altura, ocupava uma área superior a 1200 metros quadrados. Acima da base quadrada, erguia-se uma pirâmide de 24 degraus que tinha no topo uma carruagem de mármore puxada por quatro cavalos.

Dentro ficavam as estátuas de Artemísia e Mausolo, além de trabalhos de Escopas, considerado um dos maiores escultores da Grécia do século IV. Algumas dessas esculturas, como uma estátua de 4,5 metros, provavelmente de Mausolo, encontram-se no Museu Britânico. O túmulo foi destruído, provavelmente por um terremoto, em algum momento entre os séculos XI e XV. As pedras que sobraram da destruição acabaram sendo aproveitadas na construção de edifícios locais.

Hoje, os fragmentos desse monumento são encontrados no Museu Britânico, em Londres, e em Bodrum, na Turquia. A palavra mausoléu é derivada de Mausolo.

 

O Colosso de Rodes

Um pé em cada margem

O Colosso de Rodes, sétima maravilha do mundo antigo,  era uma gigantesca estátua do deus grego Hélios colocada na entrada marítima da ilha grega de Rodes. Ela foi finalizada em 280 a.C. pelo escultor Carés de Lindos, tendo 30 metros de altura e setenta toneladas de bronze, de modo que qualquer barco que adentrasse a ilha passaria entre suas pernas, que possuía um pé em cada margem do canal que levava ao porto. Na sua mão direita havia um farol que guiava as embarcações à noite. Era uma estátua tão imponente que um homem de estatura normal não conseguia abraçar o seu polegar. Foi construída para comemorar a retirada das tropas macedônias que tentavam conquistar a ilha, e o material utilizado para sua confecção foram armas abandonadas pelos macedônios no lugar. Apesar de imponente, ficou em pé durante apenas 55 anos, sendo abalada por um terremoto que a jogou no fundo da baía. Ptomoleu III se ofereceu para reconstruí-la, mas os habitantes da ilha recusaram por achar que haviam ofendido Hélios. E no fundo do mar ainda era tão impressionante que muitos viajaram para vê-la lá em baixo, onde foi esquecida até a chegada dos árabes, que a venderam como sucata.

Fonte: Só História