Arquivos da categoria: Capítulo 10 – Revoluções e unificações na Europa do século XIX

COMUNA DE PARIS

A Comuna de Paris foi a primeira tentativa na história de implantação de um governo socialista. Em 1871, após a derrota da França na Guerra Franco-Prussiana, Adolphe Thiers assumiu o poder francês e assinou um acordo de paz com o chanceler prussiano Otto Bismarck. Como o acordo era extremamente favorável à Prússia, a classe operária não concordou com o contrato firmado e se revoltou contra o governo francês. Com apoio da Guarda Nacional, a classe de trabalhadores tomou o poder de Paris, instaurando a Comuna.

O governo na comuna foi composto por noventa representantes eleitos, que seguiam diferentes vertentes socialistas, entre elas o marxismo. Boa parte desses representantes pertencia à Associação Internacional dos Trabalhadores (AIT), também conhecida como Primeira Internacional, a primeira organização de trabalhadores a superar as fronteiras nacionais.

A principal meta da comuna era a melhoria das condições de vida e trabalho dos operários. Entre as principais medidas tomadas estão:

  • Fixação de um salário mínimo para os trabalhadores;

  • Estabelecimento do ensino gratuito para todos, bem como do ensino noturno;

  • Redução da jornada de trabalho;

  • Autogestão nas fábricas, tornando os operários responsáveis pela organização;

  • Declaração da igualdade entre homens e mulheres

  • Criação do Estado Laico, através da separação entre Igreja e Estado.

Após a instauração da Comuna de Paris, ocorreram diversas outras tentativas de criação de comunas em toda a França. Para impedir o avanço do movimento, os governos francês e prussiano, que recém haviam se enfrentado em uma guerra, se uniram para derrubar a comuna parisiense. Com apoio das tropas prussianas, o antigo governo de Paris invadiu a cidade e recuperou o poder. Após curtos 72 dias de existência, chegava ao fim a primeira experiência de um governo socialista de composição operária.

Fonte: Politize

Nacionalismo

Nacionalismo é um conceito desenvolvido para a compreensão de um fenômeno típico do século XIX: a ascensão de um certo sentimento de pertencimento a uma cultura, a uma região, a uma língua e a um povo (ou, em alguns dos argumentos nacionalistas, a uma raça) específicos, tendo aparecido pela primeira vez na França comandada por Napoleão Bonaparte e nos Estados Unidos da América. Tal fenômeno passou a ser assimilado pelas forças políticas que haviam absorvido os ideais iluministas de rejeição do Antigo Regime absolutista e que procuravam a construção de um Estado nacional de viés democrático e constitucional, no qual seus membros fossem cidadãos, e não súditos do rei.

Nesse sentido, o sentimento nacional do século XIX alcançou a condição de ideologia política. Diferentemente dos Estados nacionais europeus que se formaram nos séculos XVI e XVII, os Estados Nacionais do século XIX identificavam sua soberania no contingente de cidadãos que compunham a nação, e não na figura do monarca. Por esse motivo, a tendência ao regime político republicano tornou-se comum nesse período.

Além dessas características, há também um elemento indispensável para o entendimento do nacionalismo: a formação do exército nacional por cidadãos comuns, e não por aristocratas e mercenários, como ocorria nos Estados absolutistas. O exército napoleônico foi o primeiro grande exército nacional composto por pessoas que lutavam pela “nação francesa” e identificavam-se como membros de um só “corpo nacional”, de uma só pátria.

Sendo assim, o nacionalismo, desenvolvido no século XIX, compreendeu um conjunto de sentimentos, ideias e atitudes políticas que resultaram na formação dos Estados-nações contemporâneos. Acompanham a formação desses Estados-nações as noções de soberania e de cidadania, garantidas por uma Constituição democrática. Além disso, noções como “povo”, fronteiras nacionais e herança cultural (incluindo a língua) dão suporte para a ideologia nacionalista. Processos históricos como a Unificação Italiana e a Unificação Alemã derivaram dessa ideologia.

Entretanto, o desenvolvimento dessa forma de organização política combinado com o advento das massas (grande aglomerado de pessoas em centros urbanos), que foi provocado pela Revolução Industrial, culminou, nas primeiras décadas do século XX, na Primeira Guerra Mundial e, posteriormente, na ascensão de regimes totalitários de viés nacionalista extremista, como o nazismo e o fascismo. As teorias racistas e defensoras da superioridade da raça ariana (branca) e da escolha do povo alemão como um povo encarregado de construir um império mundial, elaboradas pelo nazismo, foram variantes catastróficas da ideologia nacionalista.

Fonte: Mundo Educação

 

Liberalismo

Liberalismo é o nome dado à doutrina que prega a defesa da liberdade política e econômica. Neste sentido, os liberais são contrários ao forte controle do estado na economia e na vida das pessoas. Em outras palavras, o liberalismo defende a ideia de que o Estado deve dar liberdade ao povo, e deve agir apenas se alguém lesar o próximo (conhecido como Princípio do Dano). No mais, em boa parte do tempo, as pessoas são livres para fazer o que quiserem, o que traz a ideia de livre mercado.

O liberalismo surgiu da concepção de um grupo de pensadores imersos na realidade da Europa dos séculos XVII e XVIII. Vigorava ainda a filosofia do absolutismo em praticamente todos os governos europeus, pois o rei, como legítimo representante de Deus na terra, teria natural primazia sobre todos os assuntos que envolvessem a nação. As ideias iluministas vão gradualmente implodir tal sistema de excessiva intervenção do estado, auxiliadas pelo espírito empreendedor e autônomo da burguesia, abrindo espaço para outras possibilidades na relação entre os homens e o mundo. O burguês, que se lançava ao mundo para o comércio e usava a somente a própria iniciativa para alcançar seus objetivos, destoava de todo um período anterior onde os homens colocavam-se subservientes ao pensamento religioso.

Então, como uma reação natural à ordem anterior de coisas, vários pensadores se mobilizam no esforço de dar sentido àquele mundo que se transformava. Surge um ponto fundamental do pensamento liberal quando é concebida  a ideia de que o homem tinha toda sua individualidade formada antes de perceber sua existência em sociedade. Para o liberalismo, o indivíduo estabelecia uma relação entre seus valores próprios e a sociedade.

Além de construir uma imagem positiva do individuo, o liberalismo vai defender a ideia de igualdade entre todos. O direito que o homem tem de agir pelo uso da sua própria razão, segundo o liberalismo, só poderia garantir-se pela defesa das liberdades. No aspecto político, o liberalismo vai demonstrar que um regime monárquico, comandado pelas vontades individuais de um rei, não pode colaborar na garantia à liberdade, pois a vontade do rei subjuga o interesse social, impedindo os princípios de liberdade e igualdade.

O pensamento liberal reinou hegemônico até o início do século XX. As mudanças trazidas pelas duas revoluções industriais, a Primeira Guerra Mundial e a Revolução Russa de 1917, e mais tarde, da quebra da bolsa de Nova Iorque em 1929, fizeram com que a doutrina liberal entrasse em declínio. Mais recentemente, na década de 90, surge o neoliberalismo, resgatando boa parte do ideal liberal clássico.

Fonte: infoescola

4 PONTOS PARA ENTENDER O COMUNISMO

O comunismo é uma ideologia política e socioeconômica que pretende estabelecer uma sociedade igualitária, através da abolição da propriedade privada, das classes sociais e do próprio Estado. Embora a ideia de igualdade baseada no fim das classes tenha sido defendida por filósofos desde a antiguidade, o comunismo está associado sobretudo à teoria dos pensadores Friedrich Engels e Karl Marx. Entenda como surgiu o comunismo e quais são as principais ideias defendidas pelos adeptos a essa ideologia.

OS IDEAIS DE IGUALDADE NA ANTIGUIDADE E NA ERA MEDIEVAL

Embora Marx e Engels sejam apontados como os precursores do comunismo, os ideais de uma sociedade igualitária podem ser encontrados desde o período da antiguidade clássica. Em uma de suas obras mais importantes, intitulada A República, Platão formula um modelo de sociedade ideal, baseada na extinção da propriedade privada e da família. Segundo o filósofo, o fim da propriedade privada causaria o fim do conflito entre o Estado e o cidadão em particular, e a abolição da família teria como resultado uma maior devoção do indivíduo ao bem público.

Na sociedade idealizada por Platão, não existiriam vínculos matrimoniais e os filhos gerados pelos cidadãos, além de desconhecerem os seus pais, ficariam sob o cuidado permanente do Estado, que garantiria seu sustento e educação.

Com o passar do tempo, esses mesmos ideais foram constantemente reformulados. Entre os séculos XII e XV, grupos dissidentes da Igreja Católica pregavam o repúdio à propriedade privada e aos bens materiais em geral, a convivência humana em padrões de uma vida simples e a necessidade de uma vida comunitária, onde todos deveriam trabalhar e conviver em igualdade. Destacaram-se nessa corrente o abade Joaquim de Fiore, o franciscano frei Dolcino e o protestante Thomas Munzer.

O COMUNISMO NA IDADE CONTEMPORÂNEA

No século XIX, a Revolução Industrial transformou o contexto econômico e social dos países europeus. Ao mesmo tempo em que ocorria um pleno desenvolvimento do novo sistema capitalista, boa parte da população vivia em condições de miséria e exploração. Buscando uma solução para os diversos problemas que atingiam as sociedades na Europa, intelectuais da época passaram a propor sistemas políticos e econômicos que fossem uma alternativa ao sistema capitalista. Uma dessas proposições foi o comunismo, que está no cerne da teoria marxista.

Situado dentro do socialismo científico, o marxismo é uma corrente de pensamento criada por Karl Marx e Friedrich Engels. Para eles, em todas as épocas da história a sociedade foi marcada por uma luta de classes, sendo essa relação caracterizada pelo antagonismo entre uma classe opressora e uma oprimida. Na sociedade capitalista, essas classes são representadas respectivamente pela burguesia, que detém os meios de produção e por consequência boa parte da riqueza gerada, e o proletariado, que nada possui além da própria mão de obra, vendida como mercadoria ao proprietário do capital.

De acordo com a teoria marxista, os trabalhadores são tidos como uma mercadoria como qualquer outro artigo comercial, submetidos à concorrência e às oscilações do mercado. Nas fábricas, são amontoados e vigiados, tratados como servos da classe burguesa, do Estado burguês e do proprietário da fábrica, que possui como único objetivo o lucro.

O socialismo marxista propõe a abolição da propriedade privada, a socialização dos meios de produção, o fim da divisão de classes e a abolição do trabalho. Para Marx e Engels, quando a classe proletária fosse capaz de tomar consciência da sua situação e buscar uma organização de luta, assumindo o poder e administrando o sistema de forma justa e em prol de todos, as classes sociais seriam abolidas e com ela chegaria ao fim também o Estado. A partir desse momento, a sociedade estaria preparada para o sistema comunista.

QUAL A DIFERENÇA ENTRE SOCIALISMO E COMUNISMO?

Embora o socialismo e o comunismo sejam frequentemente tratados como sinônimos, existem algumas diferenças entre eles. Na teoria marxista, o socialismo é uma etapa para se chegar ao comunismo.

No sistema socialista, o Estado e o governo se mantêm no controle da vida social. Contudo, diferente do capitalismo, o Estado seria conduzido pelos trabalhadores e a produção e distribuição de bens controlados nas mãos do governo, que organizaria um sistema de igualdade e cooperação.

O comunismo, por sua vez, trata-se de um estágio posterior ao socialismo, quando já havendo igualdade absoluta entre os cidadãos, o Estado poderia ser abolido, eliminando as formas de opressão social, e a sociedade encontraria formas de se auto regulamentar. Assim, os trabalhadores se tornariam proprietários do seu trabalho e dos bens de produção.

QUAL A DIFERENÇA ENTRE COMUNISMO E ANARQUISMO?

Já entendemos que a sociedade sem classes, a abolição do Estado e o fim da propriedade privada são importantes objetivos dos adeptos ao comunismo. Mas esses princípios podem ser vistos também em uma outra corrente de pensamento: o anarquismo. Por apresentarem propostas semelhantes do que seria uma sociedade ideal, pode ser um pouco difícil distinguir as duas correntes ideológicas. Vejamos a principal diferença.

O anarquismo é uma filosofia política que busca a eliminação total de todas as formas de coerção. Seus adeptos são contra qualquer tipo de ordem hierárquica que não seja socialmente aceita e defendem uma organização baseada na livre associação.

A principal diferença entre o comunismo e o anarquismo está no processo por onde se atingirá a sociedade ideal. No anarquismo, isso ocorreria de forma abrupta, em uma passagem direta do capitalismo para o novo sistema. Alguns autores, como o russo Mikhail Bakunin, defendem que essa mudança através de uma revolução violenta. Para Pierre-Joseph Proudhon, a passagem deveria ser pacífica, baseada na fraternidade e na cooperação entre os homens.

Já no comunismo, a sociedade ideal seria alcançada através de um processo de transição formado por três etapas: primeiro a superação do capitalismo através da revolução, decorrente da tomada de poder pelo proletariado; em seguida, o socialismo seria estabelecido; e por fim se chegaria ao comunismo. O comunismo só pode existir após o estabelecimento do sistema socialista.

A sociedade idealizada por Marx e Engels nunca chegou a ser implementada em nenhum país. Embora o sistema socialista tenha sido adotado por algumas nações, até então nenhuma delas conseguiu atingir a etapa final, que é o comunismo. Muito se discute se esse modelo seria possível ou apenas uma idealização.

Referências:
MARX, K; ENGELS, F. Manifesto do partido comunista. São Paulo: Martin Claret; 2014.

Fonte: Politize

Marx, Socialismo e a Luta de Classes

Os estudos de Karl Marx devem ser os mais citados, mas ao mesmo tempo pouco compreendidos pelo homem contemporâneo. Esse entendimento limitado, politizado e descontextualizado da teoria marxiana denigrem a sua enorme importância, tanto sociológica, quanto filosófica, para o mundo atual.

Sua maior obra, “O Capital”, trata do retrato mais preciso do nascimento do capitalismo na Inglaterra do final do século XIX, da exploração do trabalhador e dos problemas sociais gerados por ele. Devido a isso, é possível compreender o radicalismo de Marx, que nasce das atrocidades e situação radicalmente desumana à qual os trabalhadores estavam submetidos em seu contexto histórico.

O capitalismo do período de Marx seria inaceitável e extremamente cruel para a sociedade de hoje. Não havia leis trabalhistas, férias e muito menos sindicatos. Os trabalhadores tinham uma jornada de trabalho que girava em torno de 14 a 18 horas de segunda a domingo (sendo que crianças poderiam trabalhar 10-12 horas por dia), em um ambiente insalubre e sem qualquer controle de segurança. Era normal os operários morrerem em acidentes de trabalho, de doenças geradas pelo ambiente laboral ou de exaustão.

Neste contexto, o capitalismo, literalmente selvagem, existia em sua forma mais pura. A busca pelo lucro, o maior possível, justificava qualquer ação por parte das corporações. Aqueles que não eram os donos dos meios de produção, estavam condenados a uma existência miserável, próxima da escravidão.

Fábrica típica da revolução industrial: ambiente insalubre, trabalho infantil e jornadas de trabalho de até 18 horas por dia. (foto: National Archives – USA)

É dessa contradição que nasce a luta de classes, conceito caro ao pensamento marxiano: ou se é o dono dos meios de produção (burguesia) ou se vende a força de trabalho (proletariado). Essa relação explorador versus explorado, no sistema capitalista, tende a permanecer, pois é a fonte da riqueza da burguesia. É nesse contexto que Marx formula o conceito de ideologia, entendido como o mecanismo utilizado para a perpetuação da exploração, por meio do ataque à consciência. Por meio dela, o trabalhador vive em uma constante alienação, o que impede a tomada de consciência de que a realidade é resultado das escolhas humanas e, portanto, que é possível transformá-la.

Nesse ambiente, Marx acreditava que a busca incessante do lucro e a luta de classes, provocariam a destruição do próprio capitalismo (dialética marxiana), por meio da revolução do proletariado. E o resultado seria a transformação da realidade material, o nascimento do comunismo, em que não haveria propriedade privada dos meios de produção, portanto, não haveria exploração, e muito menos a alienação do homem.  Para Marx, o fim da propriedade privada acabaria com as guerras, a inveja e as diferenças entre homens.

O proletariado teria a consciência da sua condição de escravo e traria o colapso para o capitalismo. (foto: Pintura de Giuseppe Pellizza da Volpedo)

O que Marx não contava era com a capacidade do capitalismo de se reinventar, garantindo que a ruptura não acontecesse. É importante compreender que, nunca houve um sistema socialista ou comunista de acordo com a Teoria Marxiana. A Revolução Russa, Cubana, Chinesa e todas as outras tentativas, mais ou menos cruéis, nunca foram o que Marx pensou. Há uma diferença enorme entre as ideias de Marx e a realidade histórica de todos essas tentativas.

Podemos deduzir que Marx nunca desejou a criação de regimes totalitários como o da União Soviética, apesar de acreditar na necessidade de uma ditadura do proletariado, na primeira fase da revolução, para minimizar as diferenças sociais e proporcionar o bem-estar coletivo.

O seu objetivo último foi o de pensar um sistema econômico em que os homens pudessem ser felizes, tendo todas as suas necessidades atendidas, e não fosse reduzido a apenas um objeto, uma coisa (reificação).

Julgar o pensamento de Marx, utilizando como referencial as realidade vividas no séc. XX, principalmente pelos crimes e atrocidades ocorridos nas falidas tentativas de implantar o socialismo é o mesmo que julgar Jesus por atos criminosos cometidos por alguns cristãos, ou julgar Maomé pelos atos criminosos cometidos por alguns mulçumanos, ou julgar um pai pelos atos criminosos cometidos pelos filhos.

Fonte: Jornal Estado de Minas

Pontos positivos e negativos do comunismo

Negativos
  • A produção é menor, pois não há o estímulo do capitalismo;
  • Há menos iniciativa privada, ocorrendo um atraso tecnológico industrial em relação ao capitalismo;
  • Há um bloqueio por parte do mundo capitalista;
  • Há poucas expetativas de ascensão social, pois aqueles que estão no topo do poder, asseguram que ninguém tome o lugar deles.
Positivos
  • Maior nível de igualdade, principalmente na saúde e educação;
  • Melhor formação científica (corrida espacial).

 

 

Mais-valia segundo Karl Marx

A acepção da mais-valia está associada à exploração da mão de obra assalariada, em que o capitalista recolhe o excedente da produção do trabalhador como lucro.

O trabalhador assalariado vende sua força de trabalho por um salário no final do mês

mais-valia é o termo utilizado por Karl Marx em alusão ao processo de exploração da mão de obra assalariada que é utilizada na produção de mercadorias. Trata-se de um processo de extorsão por meio da apropriação do trabalho excedente na produção de produtos com valor de troca. Para entendermos melhor, precisamos considerar que Marx via o trabalho como:

“(...) um processo de que participam o homem e a natureza, processo em que o ser humano com sua própria ação impulsiona, regula e controla seu intercâmbio material com a natureza. Defronta-se com a natureza como uma de suas forças. Põe em movimento as forças naturais de seu corpo, braços e pernas, cabeça e mãos, a fim de apropriar-se dos recursos da natureza, imprimindo-lhes forma útil à vida humana. Atuando assim sobre a natureza externa e modificando-a, ao mesmo tempo modifica sua própria natureza. Desenvolve as potencialidades nela adormecidas e submete ao seu domínio o jogo das forças naturais.”

Portanto, o trabalho era o ato definidor do homem, seu meio direto de interação com o mundo e, ainda mais importante, a forma como garantiria sua sobrevivência no mundo anterior ao período vivido por Marx, isto é, um mundo agrário onde o ser humano tinha ligação direta com a terra, de onde tirava seu sustento. Porém, isso se modificou na nova sociedade que surgiu no período que sucedeu a Revolução Industrial, que se baseou no sistema econômico do capitalismo.

Para Marx, o capitalismo baseia-se na relação entre trabalho assalariado e capital, mais especificamente na produção do capital por meio da expropriação do valor do trabalho do proletário pelos donos dos meios de produção. A esse fenômeno Marx deu o nome de mais-valia.

Todavia, antes de entendermos o conceito da mais-valia, é preciso entender que, assim como outros teóricos da economia, como Adam Smith e David Ricardo, Karl Marx sustentava a ideia de que o valor de troca de uma mercadoria é determinado pela quantidade de trabalho aplicado em sua produção. O próprio trabalho, de acordo com Marx, possui valor agregado, que é determinado pelo valor dos meios de subsistência (comida, habitação, transporte etc.) necessários para que o trabalhador sobreviva. Dessa forma, todo trabalho empregado na produção de um sapato, por exemplo, agrega custos em seu valor de troca final.

Nesse processo, a força de trabalho comprada pelo proprietário dos meios de produção por meio do salário pago ao trabalhador também se torna uma mercadoria, que é comprada para que o produto seja manufaturado. No curso da produção, o trabalho utilizado na produção agrega valor ao produto final, que é vendido pelo capitalista pelo valor de troca determinado pelo mercado.

Entretanto, não é suficiente para o capitalista que o valor de venda do produto seja igual ao valor que ele investiu inicialmente. O dono dos meios de produção deseja obter lucros, o que não pode fazer vendendo o produto mais caro do que seu preço de mercado. O trabalhador, por sua vez, espera receber pela quantidade de trabalho que empregou na produção da mercadoria em questão. É aqui que Marx verifica o fenômeno da mais-valia. O empregador, para que obtenha lucro em sua transação, exige uma quantidade maior de força de trabalho do que paga para o trabalhador, que se vê obrigado a trabalhar além do que lhe é pago, pois só receberá seu salário se cumprir com o que foi proposto.

♦ Mais-valia absoluta e Mais-valia relativa

A partir do conceito de mais-valia, Marx fez distinção de duas formas de extorsão da força de trabalho: a mais-valia absoluta e a mais-valia relativa.

mais-valia absoluta ocorreria em função do aumento do ritmo de trabalho, da vigilância sobre o processo de produção ou mesmo da ameaça da perda do trabalho caso determinada meta não fosse alcançada, ainda que em detrimento da saúde e do bem-estar do trabalhador. O empregador exige maior empenho na produção sem oferecer nenhum tipo de compensação em troca e recolhe o aumento da produção de excedentes em forma de lucro.

Já a mais-valia relativa estaria ligada ao processo de avanço científico e do progresso tecnológico. Uma vez que não consegue mais aumentar a produção por meio da maior exigência de seus empregados, o capitalista lança mão de melhorias tecnológicas para acelerar o processo de produção e aumentar a quantidade de mercadoria produzida. Esse processo acontece sem que, no entanto, seja oferecida qualquer bonificação ao trabalhador. Este passa ser aos poucos substituído pelo maquinário tecnológico, de modo que a quantidade de trabalho social é diminuída e a mão de obra humana é trocada por uma mão de obra mecânica.

Entre o arcabouço teórico das obras marxistas, o conceito de mais-valia é central para a discussão sobre as relações de trabalho que surgiram nas sociedades capitalistas. As obras de Karl Marx, mais especificamente seu trabalho mais citado, “O capital”, foram enormes empreendimentos dedicados à compreensão das profundas relações existentes na nova configuração social que surgiu em seu tempo. Marx, assim como outros estudiosos de sua época, estava preocupado com os novos problemas sociais que se agravavam nos centros urbanos. Sua proximidade com os movimentos trabalhistas da época influenciou profundamente seus trabalhos e sua forma de abordagem dos fenômenos associados à nova configuração do sistema econômico que surgia.

*Referência: MARX, Karl. O capital, Volume I – Trad. J. Teixeira Martins e Vital Moreira, Centelha – Coimbra, 1974.

Fonte: Mundo Educação

História do Comunismo

1820

28 de novembro – Nascimento de Friedrich Engels, filósofo comunista

Friedrich Engels vem de uma família de industriais. Ele estudou filosofia e se tornou amigo de Karl Marx que ele conheceu em Paris em 1844. Eles se estabeleceram na Bélgica e fundou o Comitê de Correspondência Comunista. Graças às idéias de Engels, Marx escreveu o “Manifesto Comunista”, que é publicado anonimamente em 1848. Expulso da Bélgica, mas também em Colônia, para onde se mudaram depois, eles acabam por se estabelecer em Londres.

Para se sustentar, Engels trabalhou durante um tempo com seu pai. É dentro da associação internacional dos trabalhadores. Quando Marx decide, Engels dedicada à publicação dos escritos de seu amigo.

1893

26 dezembro – Nascimento de Mao Zedong

Mao Tsé-tung nasceu 26 de dezembro de 1893. Ele fundou a República Popular da China depois de lutar contra o Kuomintang nacionalista de Chiang Kai-shek e as invasões japonesas. Famosa por sua longa marcha, Libertação do Povo do Exército venceu a guerra civil em 1949. Mao impôs coletivismo e ditadura do partido comunista, e distancia-se da URSS. Durante a Revolução Cultural, ele eliminou seus rivais para estabelecer um regime totalitário até sua morte em 1976.

1895

05 de agosto – Morte de Friedrich Engels

Friedrich Engels nasceu em 1820 em uma família de industriais. Filósofo, ele se mudou para Manchester, em 1842, onde ele fala sobre a classe operária trabalhava. Intelectualmente perto de Karl Marx, os dois homens que procuram unificar os partidos comunistas da Europa e preparar as bases da ideologia revolucionária. Engels era ativo na Primeira e Segunda Internacional e garante a transmissão das idéias de Karl Marx morreu em 1883. Ele desapareceu 5 de agosto de 1895.

1895

14 de dezembro – Nascimento de Paul Eluard

Paul Eluard, também conhecido como Eugene Emile Paul Grindel, nasceu 14 de dezembro, 1895. Adere ao lado do Dadaísmo seu amigo André Breton, antes de os dois não são as bases do surrealismo. Matriculou-se como um cidadão, dentro do Partido Comunista Francês. A Guerra Civil Espanhola até o fim do Picasso que ele dedica uma admiração real. Após a Segunda Guerra Mundial, alistou-se para a paz e morreu em 1952.

1904

22 agosto – Nascimento de Deng Xiaoping

Deng Xiaoping nasceu 22 de agosto de 1904 na província de Sichuan, em Guang’an, em uma família de agricultores. Ele ingressou no Partido Comunista Chinês em 1923, onde se tornou o Secretário-Geral 1956-1967. Em seguida, dirige o fato de República da China 1978-1992. O que se acredita ser a causa do desenvolvimento econômico da China morreu 19 de fevereiro de 1997, com a idade de 92 anos, enfraquecido pela doença de Parkinson e uma infecção pulmonar.

1906

19 de dezembro – Nascimento de Leonid Brezhnev

Leonid Brezhnev nasceu 19 de dezembro de 1906 em Kamenskoïe. Este político era o secretário Soviética geral do Partido Comunista da União Soviética de 1964-1982, ano em que morreu. Se ele teve o seu apogeu nos anos 70, o seu poder desceu gradualmente e foi recuperado por membros da nomenklatura. Ele marcou o início do relaxamento com o Ocidente, simbolizada pela visita de Richard Nixon na URSS em 1972.

1915

05 de setembro – Zimmerwald Conferência

A maioria dos partidos socialistas europeus têm renegou seus compromissos e programas, votando a favor da Primeira Guerra Mundial, em nome da união sagrada de suas nações. De 5 a 08 de setembro de 1915, os socialistas decepcionados ações de seus partidos reuniram-se em Zimmerwald a refletir sobre a luta contra a guerra e chauvinismo. Esta conferência produziu um manifesto escrito por Leon Trotsky, acusando o capitalismo trouxe guerra e barbárie.

1915

28 de setembro – Nascimento de Ethel Rosenberg

Nascido em Nova York 28 de setembro de 1915, Ethel Rosenberg foi preso por espionagem com o marido Júlio durante a guerra fria. Em 1949, enquanto a URSS se recuperou bastante informação dos Estados Unidos para construir por sua vez, da bomba atômica, o senador Joseph McCarthy lança “caça às bruxas”.

No ano seguinte, os Rosenberg e casal judeu comunista, em Nova York, foram presos. Tentou em 1951, eles são executados em 1953 na prisão Cante Cante quando eles têm consistentemente mantido a sua inocência.

1915

20 de novembro – Nascimento de Hu Yaobang

Nascido 20 de novembro de 1915 em Linyang, China, Hu Yaobang juntou-se à Liga da Juventude Comunista a 14 anos antes de ingressar no Partido Comunista Chinês aos 18 anos. Depois de servir no Exército Vermelho, ele se tornou secretário regional do Partido em 1949, após a fundação da República Popular da China. Repetidamente removido e depois voltou para a graça, ele se tornou secretário-geral do Partido Comunista Chinês em 1980, o então presidente do Partido em 1981. Ele partiu em 1987, após manifestações estudantis pela democracia. Ele morreu em 1989 de um ataque cardíaco.

1919

15 janeiro – Assassinato de Rosa Luxemburgo

Sob o comando de Gustav Noske, os agentes de execução sumária de Espartaquista revolucionária à frente da insurreição em Berlim Karl Liebknecht e Rosa Luxemburgo. Este último, preso por quase toda a Primeira Guerra Mundial Primeira seu compromisso com a paz extrema esquerda, foi liberado após a revolução de novembro de 1918. Ela foi a principal teórico do comunismo alemão.

1919

31 de agosto – Criação do Partido Comunista americano do Trabalho

Em 1919 um novo movimento político rompeu com o Partido Socialista da América. Composto por membros envolvidos na Revolução Russa, ele surgiu em resposta ao fracasso da junção do Partido Socialista com o Comintern, o Partido Comunista da União Soviética. Ele se tornou o americano do Trabalho do Partido Comunista, 31 agosto de 1919 em Chicago. Primeiro forçado a se esconder por causa de temores sobre a Revolução Russa, foi legalizado apenas alguns meses após sua criação.

1921

13 mar – Fundação do Partido Revolucionário Popular da Mongólia

O Partido Popular da Mongólia foi criado 13 de março de 1921 e continuará a ser o único partido no país até 1990. Foi fundada por Damdin Sükhbaatar, também chamado de “mongol Lenin” por causa de sua participação na doutrina comunista. Ele recebe apoio da URSS para perseguir os chineses no país e estabeleceu um governo provisório. Mongólia se tornou membro da “União das Repúblicas Socialistas Soviéticas.” Em 1924, o país tornou-se República Popular da Mongólia, seu capital foi rebatizada Ulaanbaatar (herói vermelho) em honra de Sükhbaatar.

1922

06 de fevereiro – A partir do pontificado de Pio XI

Ambrogio Damiano Achille Ratti nasceu 31 de maio de 1857 na Itália. 06 de fevereiro de 1922 ele foi eleito Papa e adotou o nome de Pio XI. Seu pontificado será marcado por vários eventos, incluindo o Tratado de Latrão, assinado em 1929, que regulamenta a questão de Roma e ver o nascimento do Estado Vaticano. Além disso, Pio XI testemunhando a ascensão do comunismo na Europa Oriental, a Alemanha nazista, o fascismo em seu próprio país ea ascensão do estado anti-semitismo, contra a qual está posicionado. Ele morreu 10 de fevereiro de 1939 de parada cardíaca. Alguns têm acusado Mussolini de estar por trás de sua morte.

1937

09 de março – Divini Redemptoris, Pio XI encíclica

Pio XI escreveu uma encíclica chamada “Divini Redemptoris”, 09 março de 1937. Esta carta aos bispos condenaram o comunismo ateu. Alemanha nazista e todos os outros governos do Eixo queria tomar essa posição da igreja para invadir a URSS, mas Pio XI foi contra. Dias antes, ele publicou uma encíclica chamada “Mit Brennender Sorge” nazismo reprimir.

1948

25 de fevereiro – Controle comunista em Praga

Após duas semanas de pressão soviética, os comunistas Checa operar “golpe de Praga”. Acumulando uma onda de demissões e os movimentos comunistas do lançamento de Street e greves, os comunistas liderados por Klement Gottwald conseguem tomar o controle do país. Presidente Eduard Benes, enfraquecida e isolada, aposentou-se e renunciou, deixando uma democracia popular para resolver a evitar a guerra civil. Assim, no coração da Guerra Fria, o caso especial da Checoslováquia termina.

Os países com uma tradição democrática, parecia de fato na encruzilhada dos modelos comunistas e liberais, tanto politicamente e geograficamente: o governo propôs uma coligação democrática constituída por comunistas e nacional-socialistas em um país, na fronteira da Cortina de Ferro.

Depois do golpe, em Praga, Checoslováquia passou definitivamente para o leste deste último.

1948

30 de abril – Criação da OEA em Bogotá

30 de abril de 1948, vinte e um países das Américas assinaram a Carta da OEA (Organização dos Estados Americanos). O objetivo deste tratado é proteger a democracia e direitos humanos. Ele também ajuda na luta contra o crime, contra o tráfico de drogas e contra o tráfico de influência. Finalmente, ajuda ao comércio entre países do continente. A Carta de Bogotá é dirigida contra o comunismo, que está em Cuba para ser excluido.

1949

20 de janeiro – Anúncio do Fair Deal

A Fair Deal foi uma medidas econômicas e sociais que se seguiram os programas do New Deal de Franklin D. Roosevelt. Esta reforma foi anunciada em janeiro de 1949 pelo presidente dos EUA, Harry S. Truman. Nessa conferência, ele usa o conceito de primeiro país “subdesenvolvido” e propõe a oferecer-lhes assistência. Esta manobra foi destinado em especial, para evitar esses países pobres, deriva para o comunismo, o flagelo do tempo.

1949

20 de agosto – A República Popular da Hungria é proclamada

Montada poder, o Partido Comunista proclamou a República Popular da Hungria. Após o armistício assinado com a URSS, a reforma agrária foi introduzida em 1945 por um governo provisório, dando pequenos territórios feudais. Em novembro de 1945, as eleições foram realizadas e levou apenas o Partido Agrário no topo do país. Uma vez proclamada a República, Zoltan Tildy foi eleito presidente. Hungria, no entanto, permaneceram sob influência soviética, que apoiou os comunistas, reunidos sob Matyas Rakosi. Em 1947, o partido foi vítima de conspiração, o que levou à vitória nas eleições de agosto, uma coalizão de esquerda, na cabeça de que era o Partido Comunista. Rákosi, então, levar uma política de cooperação com a URSS, a nacionalização ea repressão vis-à-vis a oposição, será representado pela prisão do cardeal Mindszenty e do Ministro László Rajk.

1949

01 de outubro – Fundação da República Popular da China

Da varanda da Cidade Proibida, em Pequim, Mao Zedong proclamou a República Popular da China. Mao, o Partido Comunista Chinês, encerrou anos de guerra civil entre nacionalistas e comunistas. O “Grande Timoneiro” tornou-se presidente do Governo Central. Este evento se estende também a Guerra Fria na Ásia. China de Mao conduzir com mão de ferro até sua morte, 09 de setembro de 1976.

2005

02 de abril – Morte de João Paulo II

Papa João Paulo II (cujo verdadeiro nome é Karol Wojtyla) morreu em 9:37 a 84 anos, após 26 anos de pontificado. Ele foi atormentado por doença por vários anos e havia passado por várias operações. Mais de 60.000 pessoas lotaram a Praça de São Pedro, em Roma, para o anúncio de sua morte. Será lembrado por seu pontificado (o mais longo o terceiro na história) suas peregrinações muitos países visitados (104), a luta contra o comunismo eo nazismo, a reconciliação entre as religiões, e seu apego aos valores tradicionais.

Fonte: www.linternaute.com