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05/07 – Governistas invadem o Congresso e agridem oposicionistas na Venezuela

Vários parlamentares foram atacados e mais de 10 pessoas ficaram feridas.
Segundo testemunhas, a guarda bolivariana assistiu a tudo sem reagir.

Cerca de cem manifestantes favoráveis ao governo do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, invadiram, nesta quarta-feira (5), a Assembleia Nacional, controlada pela oposição. O país está mergulhado num caos.

A invasão aconteceu durante uma sessão especial. Um grupo entrou no prédio, atirando pedras e disparando tiros. Vários parlamentares foram atacados e mais de dez pessoas ficaram feridas. Entre elas, funcionários da Casa, jornalistas e cinco deputados.

Segundo testemunhas, a guarda nacional bolivariana assistiu a tudo sem reagir. Trezentas e cinquenta pessoas foram impedidas de deixar o edifício. Durante o ataque, o presidente Nicolás Maduro acompanhava um desfile militar em comemoração ao dia da independência. Ao tomar conhecimento dos fatos, Maduro condenou a violência e pediu uma investigação.

Desde o início de abril, a Venezuela está mergulhada numa crise, e enfrenta escassez de alimentos e remédios. Protestos favoráveis e contrários ao governo acontecem quase que diariamente.  Os confrontos entre manifestantes e as forças de segurança já deixaram 91 mortos.

A imprensa no país tem sido alvo de ataques do governo. Canais de tevê foram fechados. De acordo com dados do Instituto de Imprensa e Sociedade da Venezuela, só este ano, mais de 40 emissoras de rádio foram fechadas em todo o país. Os jornalistas estrangeiros também sofrem pressão e vários correspondentes foram obrigados a deixara Venezuela. Repórteres estrangeiros precisam de autorização especial para trabalhar.

Segundo a agência de notícias France-Presse, o cerco ao parlamento venezuelano durou ao menos nove horas. Equipamentos usados por jornalistas também foram tomados pelos apoiadores do presidente Nicolás Maduro. Na noite desta quarta, o Mercosul expressou repúdio aos atos de violência. Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai pediram que Caracas ponha fim às ações que incentivam uma polarização maior na Venezuela.

Os Estados Unidos também condenaram a invasão, que chamaram de ataque aos princípios democráticos.

Fonte: Jornal Nacional

Em cem anos, transformações da Rússia abalaram o mundo.

Dentro de um quarteirão, séculos de evolução da arquitetura. Fácil explicar porque a Praça Vermelha é o ponto mais visitado de Moscou.

Mas os turistas correm para dentro de uma caixa de concreto e mármore. Lá dentro, o corpo de Lenin pode ser visto, mas não pode ser filmado ou fotografado. Ele é o retrato da revolução comunista. O homem que tirou a família imperial do poder em nome da classe operária, exatamente cem anos atrás.

Como Stalin reagiria ao se ver representado por um ator em busca de uns trocados? Não é difícil imaginar. O mais temido líder comunista combateu o capitalismo com mão de ferro. A maior parte dos russos o condena por pelo menos 20 milhões de mortes em 30 anos à frente do país. Mas o celebra por derrotar a Alemanha nazista na Segunda Guerra Mundial e anexar países à União Soviética.

“A ideia de líderes fortes atrai os comunistas. Stalin gostava dos monarcas pré-revolução como Pedro, o Grande”, analisa Dmitry Tsigankov, professor de história da Universidade de Moscou.

A incoerência de um líder comunista inspirado por um imperador tem justificativa. Pedro, o Grande também fez o país ser temido e crescer. O czar, representado em uma estátua de cem metros de altura, fundou São Petersburgo, criou a Marinha Local e integrou a Rússia ao Ocidente.

Cada czar, imperatriz ou imperador russo tinha uma personalidade diferente, mas algo os unia: todos eles eram autocratas. Governavam praticamente sozinhos e com poderes ilimitados. Podiam ser cruéis e ainda assim populares. O trono russo deixou de existir em 1917, mas a descrição dos principais líderes do país desde então não mudou muito.

O último secretário-geral do Partido Comunista foi a exceção. Mikhail Gorbatchev ensinou ao mundo os significados de glasnost e perestroika, liberdade política e econômica.

“Ele talvez tenha dado o inestimável presente da liberdade para os russos, coisa que eles nunca tiveram, mas essa liberdade era justamente a de dizer ‘a gente não quer mais você’, ‘a gente não quer mais os comunistas”, disse o jornalista Pedro Bial.

Com o fim da União Soviética, em 1991, surgiu a Rússia capitalista. As empresas, antes estatais, passaram para as mãos de grandes oligarquias e os índices de desigualdade social e corrupção se tornaram marca do país. Como presidente ou primeiro-ministro, Vladimir Putin está no poder desde 1999. Um líder russo à moda antiga com mais de 80% de aprovação popular.

“A pergunta que se faz é: ‘Quem é o senhor Putin’? Ele tenta juntar várias tradições políticas de épocas diferentes e consegue esconder quem é de verdade”, completa Dmitry Tsigankov.

Em russo, Vladimir é um nome com dois significados: “senhor da paz”, ou “senhor do mundo”. O futuro dirá qual dos dois foi o senhor Putin.

Fonte: Jornal Nacional