Todos os posts de Heber

COMUNA DE PARIS

A Comuna de Paris foi a primeira tentativa na história de implantação de um governo socialista. Em 1871, após a derrota da França na Guerra Franco-Prussiana, Adolphe Thiers assumiu o poder francês e assinou um acordo de paz com o chanceler prussiano Otto Bismarck. Como o acordo era extremamente favorável à Prússia, a classe operária não concordou com o contrato firmado e se revoltou contra o governo francês. Com apoio da Guarda Nacional, a classe de trabalhadores tomou o poder de Paris, instaurando a Comuna.

O governo na comuna foi composto por noventa representantes eleitos, que seguiam diferentes vertentes socialistas, entre elas o marxismo. Boa parte desses representantes pertencia à Associação Internacional dos Trabalhadores (AIT), também conhecida como Primeira Internacional, a primeira organização de trabalhadores a superar as fronteiras nacionais.

A principal meta da comuna era a melhoria das condições de vida e trabalho dos operários. Entre as principais medidas tomadas estão:

  • Fixação de um salário mínimo para os trabalhadores;

  • Estabelecimento do ensino gratuito para todos, bem como do ensino noturno;

  • Redução da jornada de trabalho;

  • Autogestão nas fábricas, tornando os operários responsáveis pela organização;

  • Declaração da igualdade entre homens e mulheres

  • Criação do Estado Laico, através da separação entre Igreja e Estado.

Após a instauração da Comuna de Paris, ocorreram diversas outras tentativas de criação de comunas em toda a França. Para impedir o avanço do movimento, os governos francês e prussiano, que recém haviam se enfrentado em uma guerra, se uniram para derrubar a comuna parisiense. Com apoio das tropas prussianas, o antigo governo de Paris invadiu a cidade e recuperou o poder. Após curtos 72 dias de existência, chegava ao fim a primeira experiência de um governo socialista de composição operária.

Fonte: Politize

Nacionalismo

Nacionalismo é um conceito desenvolvido para a compreensão de um fenômeno típico do século XIX: a ascensão de um certo sentimento de pertencimento a uma cultura, a uma região, a uma língua e a um povo (ou, em alguns dos argumentos nacionalistas, a uma raça) específicos, tendo aparecido pela primeira vez na França comandada por Napoleão Bonaparte e nos Estados Unidos da América. Tal fenômeno passou a ser assimilado pelas forças políticas que haviam absorvido os ideais iluministas de rejeição do Antigo Regime absolutista e que procuravam a construção de um Estado nacional de viés democrático e constitucional, no qual seus membros fossem cidadãos, e não súditos do rei.

Nesse sentido, o sentimento nacional do século XIX alcançou a condição de ideologia política. Diferentemente dos Estados nacionais europeus que se formaram nos séculos XVI e XVII, os Estados Nacionais do século XIX identificavam sua soberania no contingente de cidadãos que compunham a nação, e não na figura do monarca. Por esse motivo, a tendência ao regime político republicano tornou-se comum nesse período.

Além dessas características, há também um elemento indispensável para o entendimento do nacionalismo: a formação do exército nacional por cidadãos comuns, e não por aristocratas e mercenários, como ocorria nos Estados absolutistas. O exército napoleônico foi o primeiro grande exército nacional composto por pessoas que lutavam pela “nação francesa” e identificavam-se como membros de um só “corpo nacional”, de uma só pátria.

Sendo assim, o nacionalismo, desenvolvido no século XIX, compreendeu um conjunto de sentimentos, ideias e atitudes políticas que resultaram na formação dos Estados-nações contemporâneos. Acompanham a formação desses Estados-nações as noções de soberania e de cidadania, garantidas por uma Constituição democrática. Além disso, noções como “povo”, fronteiras nacionais e herança cultural (incluindo a língua) dão suporte para a ideologia nacionalista. Processos históricos como a Unificação Italiana e a Unificação Alemã derivaram dessa ideologia.

Entretanto, o desenvolvimento dessa forma de organização política combinado com o advento das massas (grande aglomerado de pessoas em centros urbanos), que foi provocado pela Revolução Industrial, culminou, nas primeiras décadas do século XX, na Primeira Guerra Mundial e, posteriormente, na ascensão de regimes totalitários de viés nacionalista extremista, como o nazismo e o fascismo. As teorias racistas e defensoras da superioridade da raça ariana (branca) e da escolha do povo alemão como um povo encarregado de construir um império mundial, elaboradas pelo nazismo, foram variantes catastróficas da ideologia nacionalista.

Fonte: Mundo Educação

 

Liberalismo

Liberalismo é o nome dado à doutrina que prega a defesa da liberdade política e econômica. Neste sentido, os liberais são contrários ao forte controle do estado na economia e na vida das pessoas. Em outras palavras, o liberalismo defende a ideia de que o Estado deve dar liberdade ao povo, e deve agir apenas se alguém lesar o próximo (conhecido como Princípio do Dano). No mais, em boa parte do tempo, as pessoas são livres para fazer o que quiserem, o que traz a ideia de livre mercado.

O liberalismo surgiu da concepção de um grupo de pensadores imersos na realidade da Europa dos séculos XVII e XVIII. Vigorava ainda a filosofia do absolutismo em praticamente todos os governos europeus, pois o rei, como legítimo representante de Deus na terra, teria natural primazia sobre todos os assuntos que envolvessem a nação. As ideias iluministas vão gradualmente implodir tal sistema de excessiva intervenção do estado, auxiliadas pelo espírito empreendedor e autônomo da burguesia, abrindo espaço para outras possibilidades na relação entre os homens e o mundo. O burguês, que se lançava ao mundo para o comércio e usava a somente a própria iniciativa para alcançar seus objetivos, destoava de todo um período anterior onde os homens colocavam-se subservientes ao pensamento religioso.

Então, como uma reação natural à ordem anterior de coisas, vários pensadores se mobilizam no esforço de dar sentido àquele mundo que se transformava. Surge um ponto fundamental do pensamento liberal quando é concebida  a ideia de que o homem tinha toda sua individualidade formada antes de perceber sua existência em sociedade. Para o liberalismo, o indivíduo estabelecia uma relação entre seus valores próprios e a sociedade.

Além de construir uma imagem positiva do individuo, o liberalismo vai defender a ideia de igualdade entre todos. O direito que o homem tem de agir pelo uso da sua própria razão, segundo o liberalismo, só poderia garantir-se pela defesa das liberdades. No aspecto político, o liberalismo vai demonstrar que um regime monárquico, comandado pelas vontades individuais de um rei, não pode colaborar na garantia à liberdade, pois a vontade do rei subjuga o interesse social, impedindo os princípios de liberdade e igualdade.

O pensamento liberal reinou hegemônico até o início do século XX. As mudanças trazidas pelas duas revoluções industriais, a Primeira Guerra Mundial e a Revolução Russa de 1917, e mais tarde, da quebra da bolsa de Nova Iorque em 1929, fizeram com que a doutrina liberal entrasse em declínio. Mais recentemente, na década de 90, surge o neoliberalismo, resgatando boa parte do ideal liberal clássico.

Fonte: infoescola

Revolução Islâmica

Revolução Islâmica fez do Irã uma república baseada nos preceitos religiosos do islamismo.

Irã é um país do Oriente Médio muito presente nos noticiários por conta de seu governante autoritário e agressivo. Muito do que o país é hoje é fruto de uma revolução ocorrida na década de 1970 que colocou os dogmas da religião islâmica acima de todos os valores democráticos comuns nos outros países do mundo.

Na década de 1970 o Irã era governado pelo xá Reza Pahlevi, o qual desenvolvia um governo concentrando os poderes em um pequeno círculo de amigos e aliados. Desde a década de 1940 o líder do país se mantinha no governo do Estado, sem se preocupar muito com as diferenças entre os pobres e os ricos, esta se intensificou no decorrer da década de 1970. O regime do xá Reza Pahlevi gerava críticas ao plano econômico, mas principalmente quanto ao seu modo autoritário de conduzir a política no país.

A monarquia autoritária do xá possuía grande afinidade com o Ocidente, o que suscitava mais críticas dos opositores. O personagem com voz mais expressiva na oposição ao governante do Irã era o aiatolá Ruhollah Khomeini. O líder religioso e da oposição vivia exilado em Paris e de lá mesmo comandou as forças de oposição ao governo do xá, defendendo reformas sociais e econômicas no Irã, além de recuperar os valores religiosos e tradicionais do islamismo.

Somente no ano de 1979 que o líder da oposição conseguiu retornar ao Irã, no dia 1º de fevereiro, o que intensificou um quadro de estabilidade social e protestos. Nas vésperas do retorno de Khomeini ao Irã, a população do país deu início a um levante de oposição ao tipo de governo desenvolvido pelo xá Pahlevi, a chegada de Khomeini fez aguçar os protestos. Por vários lugares estouraram os confrontos entre os opositores e os partidários do regime vigente.

O clima de enfrentamento no país se intensificou e atingiu níveis cruéis para o Irã. Além dos protestos violentos, greves foram deflagradas em protesto e atingiram em cheio o seio da economia iraniana. Opositores de esquerda, liberais e xiitas, todos se uniram contra o governante em função e deram início a um processo revolucionário.

Finalmente, em 1979, o xá Pahlevi foi deposto do poder, no dia 1º de abril, e o Irã foi declarado uma República Islâmica. Reza Pahlevi fugiu do país e o aiatolá Khomeini assumiu o cargo de chefe religioso e governante do país. A Revolução Islâmica alterou profundamente a estrutura social do país, estabelecendo novas doutrinas que passavam em primeiro lugar pela questão religiosa. O processo revolucionário que inicialmente era guiado por anseios democráticos e de melhorias das condições de vida dos iranianos, resultou no governo de um chefe religioso que transformou o país em um Estado teocrático.

A postura do governo assumida pelo novo chefe do país foi extremamente radical, novas leis, baseadas no islamismo, entraram em vigor, e uma ação de militantes islâmicos tomou americanos como reféns na embaixada dos Estados Unidos em Teerã. O Irã decretava o fim das afinidades com os Estados Unidos e o rompimento das relações.

Ao longo da Guerra Fria, o governo iraniano se posicionou como opositor dos Estados Unidos e também da União Soviética. Por se tratar de um Estado fundamentado nas doutrinas religiosas do islamismo, a questão em vigor era declarar inimizade com os “infiéis”, fossem capitalistas ou socialistas. A revolução mudou a vida dos iranianos, os castigos corporais foram liberados, a pena de morte entrou em vigor contra os defensores do xá, prostitutas, homossexuais, marxistas e judeus, além de hábitos ocidentais como vestuário, minissaia, maquiagem, música ocidental, jogos e cinema.

A postura do governo iraniano se manteve radical mesmo após a Guerra Fria, Bill Clinton chegou muito perto de reabrir diálogos com o Irã, mas seu sucessor na presidência dos Estados Unidos, George W. Bush, colocou o país no “eixo do mal”, juntamente com Iraque e Coréia do Norte. Desse modo, as relações voltaram a uma situação extrema, até hoje o diálogo do Ocidente com o Irã é complicado.

Fonte: infoescola

Desobediência Civil

Ao discutirmos a ação das leis na sociedade, temos uma relativa facilidade em encontrar pessoas que não concordam com alguns pontos das regras que orientam nossos direitos e deveres. Notando essa situação, o pensador americano Henry D. Thoreau lançou mão de um conceito de ação política bastante peculiar: a desobediência civil. Em termos mais simples, a desobediência consistiria na organização de atos pelos quais as pessoas simplesmente iam a público não cumprir uma determinada lei.

A princípio, a desobediência civil pode parecer um ato de desrespeito às leis ou uma forma de se promover um novo tipo de anarquia. Nesse sentido, o conceito de Thoreau pareceria uma afronta à ordem e um desrespeito ao processo democrático que determina a aprovação das leis existentes. Contudo, a desobediência civil segue alguns padrões que extrapolam o simples não cumprimento daquilo que é ordenado.

Um primeiro princípio de sustentação da desobediência é a luta contra as leis que detêm um comportamento nitidamente injusto. Dessa forma, notamos que tais atos não são organizados de forma deliberada e muito menos tenham a pretensão de subverter todas as leis que regulamentam o Estado. A feição da desobediência civil é reformadora, na medida em que a mobilização requer a formulação de uma outra lei que satisfaça a demanda dos seus participantes.

Outro ponto fundamental é que os atos de desobediência civil devem expressamente evitar a violência. Por esta razão, ela não pode ser vista como uma afronta ao sistema democrático que determina a aprovação das leis. Caso seus participantes não consigam transformar a lei, eles não utilizam da força para que a mesma seja modificada ou para coagir outras pessoas a não cumpri-la. Dessa forma, o desejo da maioria fica sendo corretamente resguardado.

Entre os vários exemplos de desobediência civil ocorridos na história, podemos destacar os protestos em que as mulheres britânicas se acorrentavam em praça pública a fim de conseguirem o direito ao voto. Entre as décadas de 1920 e 1940, Mahatma Gandhi liderou milhares de indianos em marchas pacifistas que requeriam o fim da dominação inglesa em seu país. Durante a Guerra do Vietnã, jovens norte-americanos rejeitavam o alistamento obrigatório por não concordarem com as razões do conflito.

De fato, podemos ver que a desobediência civil é um ato que reforça o sistema democrático ao representar a própria liberdade de opinião. Por outro lado, também assinala o papel político do cidadão ao valorizá-lo enquanto ser que pensa as leis de forma dinâmica. Afinal de contas, a transformação dos valores de uma sociedade gera o desenvolvimento de outras necessidades que só se satisfazem com a revisão da nossa própria organização.

Fonte: Brasil Escola

Genocídio em Ruanda – Trabalho nº 2

Assistir ao filme “Hotel Ruanda” e fazer uma resenha de 10 linhas sobre o filme.

Realize uma pesquisa sobre Genocídio:

  • Conceito;
  • Características dos hutus e tutsis;
  • Descrever o genocídio;
  • O que foram as gacacas?
  • Qual o papel da ONU no genocídio?

Por último, responder à pergunta em forma de comentário neste post:

O que você pode fazer para diminuir a indiferença às questões sociais?

Leve sua resposta para sala, pois alguns alunos serão selecionados para ler em sala.

DATA DA ENTREGA: 24/08/2017                                      VALOR: 4,0 pontos

Ódio Social – Trabalho n° 3

“Peguem suas armas e resistam! Declarem guerra por Alá!”

Foi o que postou nas redes sociais Omar Al-Abed, de 19 anos, que invadiu uma casa e matou três israelenses no dia 21/07/2017.

Leia os textos disponíveis no blog do professor “A face do Ódio” e “Círculo do ódio.

No texto A face do Ódio”, deixe seu comentário respondendo às perguntas:

  • O que alimenta o ódio?
  • Qual pode ser a consequência de se pertencer a um grupo?
  • Quais as raízes do ódio?
  • Como se propaga o ódio?
  • Ao analisar as zonas cerebrais, o que espantou os cientistas?
  • Como vencer o ódio?

DATA DA ENTREGA:  14/09/2017                                                   VALOR: 3,0 pontos

Os Três Aspectos da Lei de Deus

1 – A Lei de Deus – “Então falou Deus todas essas palavras…” Ex 20.1

Os três aspectos da Lei de Deus
Os Mandamentos na Antiga e na Nova Aliança.

A pergunta dos fariseus.
Sl 119.73 – “As tuas mãos me fizeram e me afeiçoaram; ensina-me para que aprenda os teus mandamentos”.

A Lei de Deus é um dos temas mais presentes nas Escrituras e, possivelmente, um dos mais mal compreendidos pelo Povo de Deus. Mesmo com o extenso tratamento que Paulo dá ao assunto, nos primeiros 8 capítulos da carta aos Romanos, muitos crentes compreendem a Lei apenas como uma expressão da atuação de Deus no Antigo Testamento, com pouco significado para os nossos dias. Não se disputa que a Lei de Deus contrasta com o pecado, mas existe uma atitude quase de desprezo, quanto à sua aplicação contemporânea. Precisamos dar a devida importância a esse tema tão precioso. O salmista Davi o o considerou tão importante que o colocou como pedra fundamental de todo o Salmo 119. Nesse salmo a Lei de Deus é mencionada sob vários sinônimos em praticamente todos os seus versículos. Necessitamos encontrar o papel da Lei na nossa vida diária e descobrir nela a misericórdia e graça de Deus para cada um de nós. Ela aponta a trilha correta a ser seguida, em nossa vida, e representa a expressão concreta do nosso amor para com ele.

Somos todos pecadores. Mas pecadores redimidos pelo sangue do nosso Senhor Jesus Cristo devem reconhecer que a Lei de Deus enfatiza tanto a sua santidade como a nossa insuficiência perante ele. Além disso, temos na Lei o caminho traçado por Deus para demonstrarmos amor a ele e ao nosso próximo. Não podemos conseguir a salvação seguindo leis, mas não devemos desprezar essa dádiva graciosa de Deus para nossa instrução. Ou seja, é verdade que não podemos conseguir a salvação seguindo a Lei. É igualmente verdade, entretanto, que demonstramos amor quando obedecemos os mandamentos de Deus (Jo 14.15, 21).

Uma das dificuldades no nosso entendimento desse assunto, é que a expressão “Lei de Deus” é bastante abrangente e pode ter vários significados  e aspectos bíblicos. Necessitamos estudar especificamente aquilo que conhecemos como a Lei Moral de Deus. Mais precisamente, devemos examinar o resumo dessa Lei Moral apresentado pelo próprio Deus nos Dez Mandamentos e também por Jesus Cristo, na sua resposta aos Fariseus (Mt 22.34-40).

Os três aspectos da Lei de Deus.

Voltemos, portanto, à pergunta – o que é a Lei de Deus? Deus proferiu e revelou diversas determinações e deveres para o homem, em diferente épocas na história da humanidade.  Sua vontade para o homem, constitui a sua Lei e ela representa o que é de melhor para os seus. Quando estudamos a Lei de Deus, mais detalhadamente, devemos, entretanto, discernir os diversos aspectos, apresentados na Bíblia, desta lei.  Como devemos classificá-la e entendê-la? Muitos mal-entendidos e doutrinas erradas podem ser evitadas, se compreendermos que a Palavra de Deus apresenta os seguintes aspectos da lei:

   1.  A Lei Civil ou Judicial- Representa a legislação dada à sociedade ou ao estado    de Israel, por ex.: os crimes contra a propriedade e suas respectivas punições.

   2. A Lei Religiosa ou Cerimonial -Esta representa a legislação levítica do Velho   Testamento, por ex.: os sacrifícios e todo aquele simbolismo cerimonial.

   3. A Lei Moral -Representa a vontade de Deus para com o homem, no que diz    respeito ao seu comportamento e seus deveres principais.

Mas como devemos entender a validade desses aspectos da lei? São todos válidos aos nossos dias? Quanto à aplicação da Lei, devemos exercitar a seguinte compreensão:

1. A Lei Civil:  Tinha a finalidade de regular a sociedade civil do estado teocrático de Israel. Era temporal e necessária para a época à qual foi concedida, mas foi específica para aquele estado teocrático. Como tal, não é aplicável normativamente em nossa sociedade.  Um exemplo de erro de compreensão é encontrado nos Sabatistas (Adventistas do Sétimo Dia). Eles erram em querer aplicar parte dela, ao nosso dia-a-dia, mas terminam em incoerência, pois nunca vão conseguir aplicá-la, nem fazê-la requerida, em sua totalidade.

2. A Lei Religiosa :  Tinha a finalidade de impressionar aos homens a santidade de Deus e concentrar suas atenções no Messias prometido, Cristo,  fora do qual não há esperança.  Como tal, foi cumprida com Sua vinda e não se aplica aos nossos dias.  Mais uma vez, como exemplo de falta de compreensão desse aspecto da lei, temos os Adventistas, que erram em querer aplicar parte dela nos dias de hoje (como por exemplo as determinações dietéticas) e em misturá-la com a Lei Civil.

3. A Lei Moral :  Tem a finalidade de deixar bem claro ao homem os seus deveres, revelando suas carências e auxiliando-o a discernir o bem do mal.  Como tal, é aplicável em todas as épocas e ocasiões e assim foi apresentada por Jesus, que nunca a aboliu.  Neste caso, os Adventistas acertam em considerá-la válida, porem erram em confundi-la e em misturá-la com as duas outras, prescrevendo uma aplicação confusa e desconexa.

O gráfico a seguir apresenta este entendimento da Lei e pode nos auxiliar na visualização da aplicabilidade das Leis de Deus, ao período atual em que vivemos:

Como entender o gráfico? Note que os Dez Mandamentos, ou a Lei Moral de Deus, possui validade total, isto é: tanto histórica – está entrelaçada na história da revelação de Deus e da redenção do seu Povo; como didática – ela nos ensina o respeito ao nosso Criador e aos nossos semelhantes; como reveladora – ela nos revela o caráter e a santidade de Deus, bem como a pecaminosidade das pessoas; como normativa – ela especifica com bastante clareza o procedimento requerido por Deus a cada uma das pessoas que habitam a sua criação, em todos os tempos.

Por outro lado, a Lei Religiosa ou Cerimonial, no cômputo geral, possui validade parcial, isto é: A validade histórica é total – está igualmente entrelaçada na história da revelação de Deus e da redenção do seu Povo; a validade didática também é total – cada detalhe dela demonstra a insuficiência dos sacrifícios repetitivos e a intensidade dos pecados individuais que nos separam de Deus; sua validade reveladora é também intensa (bastante), mas menor do que as duas precedentes – ela era mais reveladora para os santos do antigo testamento, apontando para o Messias, do que para nós, que contamos com a completa descrição histórica da vinda do Messias prometido, Jesus Cristo; Sua validade normativa, entretanto, não existe aos nossos dias – a Lei Cerimonial, tendo sido cumprida em Cristo, não tem validade normativa para aqueles que existem em nossa era, após a vinda do Messias prometido.

Os Dez Mandamentos.

Na dádiva das “Tábuas da Lei”, ou seja nos Dez Mandamentos (Ex. 20:1-13), Deus resumiu a sua Lei Moral apresentando-a formalmente, e registrando-a, sucinta e objetivamente, para o benefício do seu povo.

É necessário atentarmos para o contexto histórico da ocasião.  Foi a primeira vez que Deus falou coletivamente ao Seu Povo.  Existiram inúmeras preparações necessárias para ouvi-lo. Essas estão todas relatadas em detalhes a partir do início do capítulo 19 do livro de Êxodo. Quando nós lemos os dois capítulos (19 e 20) cuidadosamente, procurando nos colocar na situação atravessada pelo Povo de Deus naquela ocasião, verificamos como o texto transmite o temor do povo perante a santidade de Deus. Isso é impressionante!  Após ouvir ao Senhor e a Moisés, inicialmente, o povo suplicou a Moisés que intermediasse este contato com Deus, tamanho era o temor (20.19), perante a majestade do Deus soberano.

O incidente da dádiva da Lei, e os acontecimentos que se seguiram, evidenciam a fragilidade do Povo de Deus e do Homem, em geral.  Após tal demonstração de poder e santidade, logo se esqueceram de suas obrigações e, evidenciando ingratidão, caíram em idolatria, adorando o bezerro de ouro (Ex 32).  Isto mostra o desprezo do ser humano, caído, pela Lei.

Os Dez Mandamentos estabelecem obrigações e limites para o Homem.  O seu estudo aprofundado mostra a sabedoria infinita de Deus, bem assim como a harmonia reinante em Sua Palavra.  Revela também nossa insignificância perante  Ele, nossa dependência e necessidade de redenção, em virtude do nosso pecado. O Homem pecou em Adão e desde então é incapaz de cumprir a Lei de Deus. Os Dez Mandamentos, reforçam nossas obrigações para com o nosso Criador, e para com os nossos semelhantes, em todos os sentidos.

Os Dez Mandamentos e o Amor – A Pergunta dos Fariseus.

Um incidente bíblico reafirma a validade da Lei Moral de Deus em todos os tempos, tanto na antiga como na nova aliança, e reforça o relacionamento da lei com o amor. Referimo-nos ao trecho encontrado em Mt 22.34-40. Os Fariseus não estavam inquirindo em sinceridade, mas queriam, como sempre, confundir a Jesus. Perguntaram a ele qual o maior dos mandamentos. Eles se entregavam a esse tipo de discussão continuamente e geravam grande controvérsia, com a defesa de um ou de outro mandamento. Nesse sentido, pensavam que qualquer que fosse a resposta de Jesus, iriam indispô-lo, com um grupo ou com outro. Jesus, entretanto, não cita nenhum mandamento específico do decálogo, mas faz referência, conjuntamente, a dois trechos conhecidos das Escrituras (Dt 6.5 e Lv 19.18), fornecendo um resumo dos dez mandamentos. Os dez mandamentos podem ser divididos da seguinte forma:

Mandamentos 1 a 4 Nossas obrigações para com o nosso criador – Deus
Mandamentos 5 a 10 Nossas obrigações para com o nossos semelhantes

Jesus apresenta exatamente esse entendimento da Lei, em Mt 22.37-40:

Mandamentos 1 a 4 V. 37 – Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento.
Mandamentos 5 a 10 V. 39 – Amarás o teu próximo como a ti mesmo.

Jesus Cristo, portanto, não descarta a lei. Ele foi o exemplo de cumprimento dela e aqui ele a resume, utilizando declarações do próprio Antigo Testamento. O seu ensino expande o entendimento anterior que se possuía da lei. Deus está interessado não apenas no cumprimento externo da lei – naquele evidenciado aos circunstantes, mas naquele cumprimento que procede de uma profunda convicção interna: do amor tanto por Deus como pelo próximo. Esse é o cumprimento que surge de uma vida transformada, tocada e operada pelo Espírito Santo de Deus.

Temos nos acostumado a considerar “amor” algo intangível, indescritível, totalmente subjetivo, abstrato. Mas o conceito bíblico do amor é bem diferente. Ele é tangível – somos recebedores e experimentamos o amor de Deus e temos a capacidade de amar a Deus e aos nossos semelhantes; ele é descritível (1 Co 13); ele é totalmente objetivo, mas, sobretudo, o verdadeiro amor se demonstra em ações concretas que agradam a Deus, pelo cumprimento de suas diretrizes (Jo 14.15 – “se me amais, guardareis os meus mandamentos”). Assim o amor se relaciona com a lei. A forma de demonstrarmos amor a Deus é pelo cumprimento de seus mandamentos, principalmente dos primeiros quatro, que representam nossas obrigações diretas para com ele. A forma de demonstrarmos amor para com o nosso próximo é demonstramos respeito através do preenchimento de nossas obrigações para com os nossos semelhantes – ou seja, pelo cumprimento dos últimos seis mandamentos.

A Lei de Deus Hoje.

Qual a nossa compreensão da lei de Deus? Estamos negligenciando o seu estudo? Estamos desprezando a sua validade, como um instrumento de direcionamento às nossas ações? Será que temos sentimentos de auto-justiça e estamos insensíveis quanto à nossa pecaminosidade e quebra dos preceitos divinos?

Vivemos numa era que despreza absolutos.  Hoje em dia a filosofia “da hora” é dizer que não existe uma verdade, mas múltiplas “verdades”, algumas dessas contraditórias entre si. Podemos ver como esse pensamento é contrário ao Deus vivo e verdadeiro e à sua revelação? Podemos ver que, na sua lei moral, ele indicou verdades absolutas que estabelecem a linha de demarcação entre o certo e o errado? Podemos entender, quando Jesus Cristo se apresenta como “o caminho, a verdade e a vida”, que o pluralismo de opiniões, nas doutrinas cardeais da fé cristã, é uma idéia nociva à igreja de Deus?

Nosso grande desafio, em nossa era, é a apresentação de uma filosofia de vida que é absoluta e exclusivista em sua essência. A fé cristã verdadeira tem todas as suas premissas básicas estabelecidas na objetiva palavra de Deus, escrita para o nosso conhecimento real e verdadeiro e para o direcionamento dos nossos passos. Lembremo-nos das afirmações bíblicas sobre Deus e nosso mediador, Jesus Cristo: “Ouve, ó Israel, o Senhor vosso Deus, é o único Deus…” e  “… ninguém vem ao pai, senão por mim…”

O ensinamento do Catecismo Maior de Westminster (perguntas 91 a 98):

P. 91. Qual é o dever que Deus requer do homem?
R. O dever que Deus requer do homem é obediência à sua vontade revelada.
Ref. Dt 29.29; Mq 6.8; 1Sm 15.22

P. 92. Que revelou Deus primeiramente ao homem como regra da sua obediência?
R. A regra de obediência revelada a Adão no estado de inocência, e a todo o gênero humano nele, além do mandamento especial de não comer do fruto da árvore da ciência do bem e do mal, foi a lei moral.
Ref. Gn 1.27; Rm 10.5 e 2.14,15; Gn 2.17

P. 93. Que é a lei moral?
R.
 A lei moral é a declaração da vontade de Deus, feita ao gênero humano, dirigindo e obrigando todas as pessoas à conformidade e obediência perfeita e perpétua a ela – nos apetites e disposições do homem inteiro, alma e corpo, e no cumprimento de todos aqueles deveres de santidade e retidão que se devem a Deus e ao homem, prometendo vida pela obediência e ameaçando com a morte a violação dela.
Ref. Dt 5.1, 31, 33; Lc 10.26-28; Gl 3.10; 1Ts 5.23; Lc 1.75; At 24.16; Rm 10.5

P. 94. É a lei moral de alguma utilidade ao homem depois da queda?
R.
 Embora nenhum homem, depois da queda, possa alcançar a retidão e a vida pela lei moral, todavia ela é de grande utilidade a todos os homens, tendo uma utilidade especial aos não regenerados e outra aos regenerados.
Ref. Rm 8.3; Gl 2.16; 1Tm 1.8

P. 95. De que utilidade é a lei moral a todos os homens?
R.
 A lei moral é de utilidade a todos os homens, para os instruir sobre a natureza e vontade de Deus e sobre os seus deveres para com ele, obrigando-os a andar conforme a essa vontade; para os convencer de que são incapazes de a guardar e do estado poluto e pecaminoso da sua natureza, corações e vidas; para os humilhar, fazendo-os sentir o seu pecado e miséria, e assim ajudando-os a ver melhor como precisam de Cristo e da perfeição da sua obediência.
Ref . Lv 20.7,8; Rm 7.12; Tg 2.10, 11; Mq 6.8; Sl 19.11,12; Rm 3.9, 20, 23 e 7.7, 9, 13; Gl 3.21,22; Rm 10.4.

P. 96. De que utilidade especial é a lei moral aos homens não regenerados?
R. A lei moral é de utilidade aos homens não regenerados para despertar as suas consciências a fim de fugirem da ira vindoura e forçá-los a recorrer a Cristo; ou para deixá-los inescusáveis e sob a maldição do pecado, se continuarem nesse estado e caminho.
Ref. 1Tm 1.9,10; Gl 3.10, 24; Rm 1.20, 2.15.

P. 97. De que utilidade especial é a lei moral aos regenerados?
R. Embora os que são regenerados e crentes em Cristo sejam libertados da lei moral, como pacto de obras, de modo que nem são justificados, nem condenados por ela; contudo, além da utilidade geral desta lei comum a eles e a todos os homens é ela de utilidade especial para lhes mostrar quanto devem a Cristo por cumpri-la e sofrer a maldição dela, em lugar e para bem deles, e assim provocá-los a uma gratidão maior e a manifestar esta gratidão por maior cuidado da sua parte em conformarem-se a esta lei, como regra de sua obediência.
Ref. Rm 6.14 e 7.4, 6; Gl 4.4,5; Rm 3.20 e 8.1, 34 e 7.24,25; Gl 3.13,14; Rm 8.3,4; 2Co 5.21; Cl 1.12-14; Rm 7.22 e 12.2; Tt 2.11-14.

P. 98. Onde se acha a lei moral resumidamente compreendida?
R. A lei moral acha-se resumidamente compreen­dida nos dez mandamentos, que foram dados pela voz de Deus no monte Sinai e por ele escritos em duas tábuas de pedra, e estão registrados no capítulo vigésimo do Êxodo. Os quatro primeiros mandamentos contêm os nossos deveres para com Deus e os outros seis os nossos deveres para com o homem.
Ref. Dt 10.4; Mt 22.37-40.

Existe Diferença entre a Lei Moral e a Cerimonial?

Às vezes, encontramos nas Escrituras Sagradas algumas afirmações que parecem se contradizer. Uma hora ela fala que a lei é eterna e não pode ser abolida; outra hora, que a lei passou. A que se deve essa aparente confusão? E como oficialmente as diversas denominações cristãs têm interpretado a questão da divisão de leis?

A cristandade, em seus mais variados ramos denominacionais, nunca teve em seu conceito a inexistência da divisão de leis, que a lei é supostamente “una”, que não há preceits de caráter moral, cerimonial, civil ou que os Dez Mandamentos não têm nada a ver com a Lei de Cristo nem com os princípios de “amar a Deus sobre todas as coisas” e “ao próximo como a ti mesmo”, apenas por tais dizeres simplesmente nem aparecerem nas tábuas da lei.

De tudo que está registrado, veremos que a posição oficial expressa nos documentos confessionais cristãos históricos é que a lei divina nas Escrituras se apresenta, dentre outras formas, em:
—> Lei Moral — sumariada nos Dez Mandamentos, e
—> Lei Cerimonial — representada pelos sacrifícios e ordenanças rituais para Israel.
Sendo que a parcela cerimonial, por ser prefigurativa do sacrifício de Cristo, findou na cruz, mas os mandamentos de caráter moral prosseguem válidos e vigentes para os cristãos, devido a sua natureza eterna. Fato esse reconhecido por doutíssimas autoridades em Teologia do presente e do passado, pertencentes às mais diferentes confissões. Isso sim é o que sempre constituiu o pensamento geral de toda a cristandade, e não somente “aparece na teologia adventista”, como alegam alguns mal-intencionados, tola e estupidamente dizendo que essa classificação de leis só é feita “para salvar a guarda do sábado”.

—> Assembléia de Deus

Eis um comentário bíblico muito usado nos meios pentecostais, cujas “notas e comentários são de inteira responsabilidade da Casa Publicadora das Assembléias de Deus” (p. IV), que nos responde a questão com esta clara definição:

    • “Se Jesus não veio abolir a lei, todas as leis do A.T. ainda se aplicam a nós hoje? É preciso lembrar que havia três categorias de leis: a cerimonial, a civil e a moral.

 

    • “(1) A Lei Cerimonial diz respeito especificamente à adoração por parte de Israel (Levítico 1.2,3). Seu propósito primário era apontar adiante, para Cristo, portanto, não seria mais necessária depois da morte e ressurreição de Jesus. Mesmo não estando mais ligados à lei cerimonial, os princípios que constituem a base da adoração — amar e adorar a Deus Santo — ainda se aplicam. Jesus foi frequentemente acusado pelos fariseus de violar a lei cerimonial.

 

    • “(2) A Lei Civil se aplicava à vida cotidiana em Israel (Deuteronômio 24.10,11). Pelo fato de a sociedade e a cultura modernas serem tão radicalmente diferentes das daquele tempo, esse código como um todo não pode ser seguido. Mas os princípios éticos contidos nos mandamentos são atemporais, e devem guiar nossa conduta. Jesus demonstrou estes princípios por meio de sua vida exemplar.

 

    “(3) A Lei Moral (como os Dez Mandamentos) é a ordem direta de Deus, exige uma obediência total (Êxodo 20.13), pois revela sua natureza e vontade. Assim, ainda é aplicável em nossos dias. Jesus obedeceu completamente à Lei Moral.” — Extraído de “Bíblia de Estudos e Aplicação Pessoal”, p. 1224 do Novo Testamento. Ver comentário sobre Mateus 5:17. Tradução de Almeida. CPAD — “Casa Publicadora das Assembléias de Deus”. Grifos acrescentados.

O Pr. Orlando Spencer Boyer, teólogo, professor, pastor, comentarista, escritor, e autor de muitos livros, nos apresenta aquilo que tem aprendido de Deus, em anos de estudo da Palavra:

    “Algumas pessoas dão ênfase à distinção entre mandamentos ‘morais’ e mandamentos ‘cerimoniais’. As exigências ‘morais’ são aquelas que em si mesmas são justas e nunca podem ser revogadas. Ao contrário, as leis ‘cerimoniais’ são aquelas sobre observâncias, sobre o cumprimento de certos ritos, por exemplo: os mandamentos acerca dos holocaustos e o incenso. (…) As leis ‘cerimoniais’ podem ser ab-rogadas na mudança de dispensação, mas não as leis ‘morais’. É certo que existe tal distinção.” — Em “Marcos: O Evangelho do Senhor”, p. 38–39. Grifos acrescentados.

E o Pr. Antonio Gilberto, também da Assembléia de Deus, confirma:

    “A parte moral da lei é eterna e universal”. — Em “Manual da Escola Dominical”, p. 86.

—> Igreja Presbiteriana

O erudito bíblico John D. Davis, autor presbiteriano de um dos mais famosos dicionários bíblicos que já alcançou várias edições, assegura:

    • “Os Dez Mandamentos, sendo a lei fundamental e sumária de toda moral, permanecem firmes; baseiam-se na imutável natureza de Deus e nas relações permanentes do homem sobre a terra. A respeito do quarto mandamento, disse Jesus: ‘O sábado foi feito para o homem’; segue-se, pois, que a lei permanece em toda sua força enquanto o homem existir sobre a terra.

 

    “A Lei Cerimonial a que se refere a Carta aos Hebreus 8:7, como o primeiro pacto, ela a declara como antiquada e prestes a perecer, v.13 comparar com os caps. 8 a 10. O apóstolo não julgou necessário obrigar a ela os gentios, atos 15:23–28. Tinha função transitória, apontando para cristo, nosso sumo pontífice por meio de seu sacerdócio, de seus sacrifícios, de suas cerimônias e de seus símbolos. Chegado que foi o antítipo, cessaram de uma vez os tipos, sem contudo perder de vista a importância que eles tem em todas as idades futuras.” — Em “O Novo Dicionário da Bíblia”, p. 356–357. Grifos acrescentados.

Vejamos qual a posição oficial presbiteriana encontrada na “Confissão de Fé de Westminster”:

    • “III. Além dessa lei (os Dez Mandamentos), geralmente chamada Lei Moral, foi Deus servido dar ao seu povo de Israel, considerado uma igreja sob a sua tutela, leis cerimoniais que contêm diversas ordenanças típicas. Essas leis, que em parte se referem ao culto e prefiguram Cristo, as suas graças, os seus atos, os seus sofrimentos e os seus benefícios, e em parte representam várias instruções de deveres morais, estão todas ab-rogadas sob o Novo Testamento.

 

    “IV. A esse mesmo povo, considerado como um corpo político, Deus deu leis civis que terminaram com aquela nacionalidade, e que agora não obrigam além do que exige a sua eqüidade geral.” — Em “Confissão de Fé de Westminster” (1647), cap. XIX. Grifos acrescentados.

O Dr. Albert Barnes, respeitado comentarista presbiteriano, em seu comentário sobre Mateus 5:18 e 19, declara:

    • “As leis dos judeus estavam geralmente divididas em morais, cerimoniais e judiciais. As leis morais são aquelas que emanam da natureza das coisas, que não podem, por conseguinte, ser mudadas — tais como o dever de amar a Deus e Suas criaturas. Estas não podem ser abolidas, pois jamais poderá ser correto odiar a Deus ou aos nossos semelhantes. Dessa natureza são os Dez Mandamentos; e estes, nosso Salvador não aboliu nem suprimiu.

 

    • “As leis cerimoniais são as determinadas para atender a certos estados da sociedade, ou regulamentar ritos religiosos e cerimônias do povo. Estas poderão ser mudadas quando mudarem as circunstâncias, e não obstante, a Lei Moral permanece inalterável.

 

    “Aprendemos, portanto: 1. Que toda a Lei de Deus é obrigatória para os cristãos. (Comparar com S. Tiago 2:10). 2. Que todos os mandamentos de Deus devem ser ensinados, em seu lugar apropriado, pelos ministros cristãos. 3. Que aqueles que pretendem que haja leis de Deus tão pequenas que não precisem obedecer-lhes, são indignos de Seu reino. 4. Que a verdadeira piedade demonstra respeito para com todos os mandamentos de Deus. (Comparar com Salmos 119:6).” — Em “Notes, Explanatory and Practical on the Gospel” (1860), vol. 1, p. 65–66. Grifos acrescentados.

E eis a excelente exposição do ministro presbiteriano Mauro Fernando Meister:

    • “Quanto à aplicação da Lei, devemos exercitar a seguinte compreensão:

 

    • “(a) A Lei Civil tinha a finalidade de regular a sociedade civil do estado teocrático de Israel. Como tal, não é aplicável normativamente em nossa sociedade. (…)

 

    • “(b) A Lei Religiosa (Cerimonial) tinha a finalidade de imprimir nos homens a santidade de Deus e apontar para o Messias, Cristo, fora do qual não há esperança. Como tal, foi cumprida com sua vinda. (…)

 

    • “(c) A Lei Moral tem a finalidade de deixar bem claro ao homem os seus deveres, revelando suas carências e auxiliando-o a discernir entre o bem e o mal. Como tal, é aplicável em todas as épocas e ocasiões. (…)

 

    “Assim sendo, é fundamental que, ao ler o texto bíblico, saibamos identificar a que tipo de lei o texto se refere e conhecer, então, a aplicabilidade dessa lei ao nosso contexto. As leis civis e cerimoniaisa lei que permanece ‘vigente’ em nossa e em todas as épocas é a Lei Moral. Ela valeu para Adão assim como vale para nós hoje”.

—> Igreja Batista

Eis as seguintes declarações de um teólogo batista que muito estudou a Bíblia:

    • “Jesus não deu um novo código moral. Ele não foi um segundo Promulgador de leis, como Moisés. Ele era muito superior, e Seus ensinos morais situam-se num plano muito mais elevado do que os de Moisés. Ele não Se preocupava tanto com enunciar regras detalhadas para regular a vida moral, e sim em enunciar princípios eternos pelos quais os homens deviam viver sob Deus e em falar sobre motivos e propósitos que deviam governar todos os nossos atos.

 

    “Jesus não concedeu um novo código, mas também não disse que os ensinamentos do Velho Testamento estavam suspensos. As leis cerimoniais e ritualísticas do Velho Testamento foram ab-rogados para o cristão, mas não os Dez Mandamentos.” — J. Philip Hyatt, “The Teacher” (publicação batista), outubro de 1943, vol. 57, nº 10, p. 5.

O renomado teólogo batista Weldon E. Viertel afirma o seguinte quanto à divisão de leis:

    • “A Lei pode ser dividida em três tipos: cerimonial, civil e moral. (…) De acordo com o livro de Hebreus, as leis cerimoniais eram sombras de Cristo. A sombra foi substituída pela realidade de Cristo e Seu ato redentor. As leis cerimoniais foram cumpridas; portanto, a Igreja não observa as leis sacrificiais e os festivais. As leis cerimoniais foram aplicadas a Cristo, em grande parte pelo uso da tipologia.

 

    “… A Lei Moral continua efetiva; todavia, Cristo deu-lhe outro nível de sentido e aplicação. Lidou com a raiz das atividades éticas, incluindo atividades e motivos (o coração do homem).” — Em “A Interpretação da Bíblia”, p. 194.

O Pr. Antonio Neves de Mesquita, Doutor em Teologia, e professor de seminários teológicos batistas de grande projeção, registra estas palavras:

    “O concerto divide-se em três partes: Lei Moral ou os Dez Mandamentos (20:1–17); Lei do Altar ou Cerimonial, meio de aproximação a Deus (20:22–26 e o livro de Levítico); e Lei Civil (21:1–23:19).” — Em “Estudo no Livro de Êxodo”, p. 131. Grifos acrescentados.

Veja o que se encontra no próprio “Catecismo da Doutrina Batista”:

    “Todos nós temos a obrigação de cumprir a Lei Moral… que é a que nos prescreve as obrigações para com Deus e o próximo. (…) A lei se acha expressa com maior minuciosidade nos Dez Mandamentos, dados por Deus a Moisés no Sinai.” — Por Pr. W. D. T. MacDonald, p. 28–29. Grifos acrescentados.

E a posição oficial batista, extraída da Confissão de Fé de Londres (1689):

    • “Além desta lei (os Dez Mandamentos), comumente chamada de Lei Moral, Deus houve por bem dar leis cerimoniais ao povo de Israel, contendo diversas ordenanças simbólicas: em parte, de adoração, prefigurando Cristo, as suas graças, suas ações, seus sofrimentos, e os benefícios que conferiu; e, em parte, estabelecendo várias instruções de deveres morais.

 

    • “As leis cerimoniais foram instituídas com vigência temporária, pois mais tarde seriam ab-rogadas por Jesus, o Messias e único Legislador, que, vindo no poder do Pai, cumpriu e revogou essas leis.

 

    “Deus também deu diversas leis judiciais ao povo de Israel, que expiraram juntamente com o antigo Estado de Israel e agora não possuem caráter obrigatório” — Art. XIX, tomo III e IV. Grifos acrescentados.

—> Igreja Luterana

Diz a “Confissão de Fé Helvética”:

    “Para maior clareza, distinguimos: a Lei Moral contida no Decálogo ou nas duas Tábuas e expostas nos livros de Moisés; a Lei Cerimonial, que determina as cerimônias e o culto de Deus; e a Lei Judiciária, que versa questões políticas e domésticas.” — Em “Da Lei de Deus”.

A posição oficial da Igreja Luterana pode ser exposta nas palavras de um dos seus catecismos mais conhecidos:

    • “23. Que espécies de leis deu Deus no Velho Testamento?

 

    • “Três espécies: 1. A Lei Eclesiástica Cerimonial; 2. A Lei Civil; 3. A Lei Moral.

 

    • “24. Qual destas leis está ainda em vigor?

 

    • “A Lei Moral, a qual está contida nos Dez Mandamentos.

 

    • “25. Pode esta lei ser abolida?

 

    “Não; pois ela está fundamentada sobre a natureza santa e justa de Deus.” — Em “Epítome of Pontoppidan’s Explanation of Martin Luther’s Small Catechism” (1935), p. 6–7. Grifos acrescentados.

Vejamos o que as autoridades luteranas declaram sobre o catecismo que acabamos de citar acima:

    • “Catecismo Menor — É um livro… escrito pelo Doutor Martinho Lutero em 1529. O Catecismo Menor contém as partes principais da doutrina cristã. São elas: Os Dez Mandamentos; O Credo (Apostólico); O Pai Nosso; O Sacramento do Santo Batismo; (…) Estas doutrinas foram tiradas da Escritura Sagrada.” — Em “História das Confissões Luteranas”, art. 4. Grifos acrescentados. Esse catecismo pode ser encontrado no seguinte web site:

http://www.textosdareforma.net/modules.php?op=modload&name=News&file=article&sid=22&mode=thread&order=0&thold=0

    (acessado a 22/09/2007).

—> Igreja Metodista

John Wesley nos respondeu sua firme posição nos “Trinta e Nove Artigos de Religião” (1571), documento confessional há séculos acatado não só por metodistas, mas também por metodistas livres, episcopais e anglicanos, ao estipular em seu artigo 7, sobre a lei divina:

    • “O Velho Testamento não é contrário ao Novo; porquanto em ambos, tanto Velho como Novo, se oferece a vida eterna ao gênero humano, por Cristo, que é o único mediador entre Deus e o homem sendo ele mesmo Deus e homem. (…) Ainda que a Lei de Deus, dada por meio de Moisés, no que respeita a Cerimônia e Ritos, não obrigue os cristãos, nem devem ser recebidos necessariamente os seus preceitos civis em nenhuma comunidade; todavia, não há cristão algum que esteja isento, da obediência aos Mandamentos que se chamam Morais.” — Ver também em “Constituição da Igreja Metodista Episcopal”, em “Methodist Episcopal Church Doctrines and Discipline” (1928), p. 7. E em “Free Methodist Discipline”. Grifos acrescentados. Essa confissão de fé pode ser encontrada no seguinte website:

http://www.monergismo.com/textos/credos/39artigos.htm

     (acessado a 22/09/2007).

Posição confirmada por outro documento oficial da denominação, o “Catechism” da Igreja Metodista, números 1 e 2, onde encontra-se este ensinamento catequético:

    • “Pergunta: Que requer do homem?

 

    • “Resposta: Obediência a Sua vontade revelada.

 

    • “Pergunta: Qual é a norma de nossa obediência?

 

    • “Resposta: A Lei Moral.

 

    • “Pergunta: Onde é a Lei Moral apresentada?

 

    • “Resposta: Nos Dez Mandamentos.

 

    • “Pergunta: Estão todos os cristãos sob a obrigação de guardar a lei?

 

    “Resposta: Sim” — N° 1, p. 18; n° 2, p. 38. Grifos acrescentados.

E no “Buck’s Theological Dictionary”, usado muito por metodistas e episcopais ou anglicanos, em seu artigo sobre a “Lei”, há estas afirmações:

    “A Lei Moral é aquela declaração da vontade de Deus que orienta e obriga moralmente a todos os homens, em todas as épocas e em todos os lugares, em seu inteiro dever para com Ele. Ela foi solenissimamente proclamada pelo próprio Deus no Sinai. (…) É chamada perfeita (Sl. 19:7), perpétua (Mt. 5:17 e 18), santa, boa (Rm. 7:12), espiritual (Rm. 7:14), amplíssima (Sl. 119:96).” — P. 230.

—> Igreja Congregacional

O capítulo 24 de “Os Vinte e Oito Artigos da Breve Exposição das Doutrinas Fundamentais do Cristianismo” tem por título “Da Lei Cerimonial e dos Ritos Cristãos” e declara o seguinte:

    “Os ritos judaicos, divinamente instruídos pelo ministério de Moisés, eram sombras de bens vindouros e cessaram quando os mesmos bens vieram. Os ritos cristãos são somente dois: o batismo d’água e a Ceia do Senhor.”

A “Declaração de Savóia” contém a mesma “Confissão de Fé de Westminster” que declara:

    • “III. Além dessa lei (os Dez Mandamentos), geralmente chamada Lei Moral, foi Deus servido dar ao seu povo de Israel, considerado uma igreja sob a sua tutela, leis cerimoniais que contêm diversas ordenanças típicas. Essas leis, que em parte se referem ao culto e prefiguram Cristo, as suas graças, os seus atos, os seus sofrimentos e os seus benefícios, e em parte representam várias instruções de deveres morais, estão todas ab-rogadas sob o Novo Testamento.

Hb.10:1

    • ; Gl.4:1–3; Cl.2:17; Êx.12:14; I Co.5:7; II Co.6:17; Cl.2:14,16–17; Ef.2:15–16.

 

    • “IV. A esse mesmo povo, considerado como um corpo político, Deus deu leis civis que terminaram com aquela nacionalidade, e que agora não obrigam além do que exige a sua eqüidade geral.

 

    • Êx.21:1–36,22:1–29;

Gn.49:10

    ; Mt.5:38–39.” — Cap. XIX. Grifos acrescentados.

—> Igreja Anglicana/Episcopal

No “Buck’s Theological Dictionary”, usado muito por metodistas e episcopais ou anglicanos, em seu artigo sobre a “Lei”, há estes afirmações:

    “A Lei Moral é aquela declaração da vontade de Deus que orienta e obriga moralmente a todos os homens, em todas as épocas e em todos os lugares, em seu inteiro dever para com Ele. Ela foi solenissimamente proclamada pelo próprio Deus no Sinai. (…) É chamada perfeita (Sl. 19:7), perpétua (Mt. 5:17 e 18), santa, boa (Rm. 7:12), espiritual (Rm. 7:14), amplíssima (Sl. 119:96).” — P. 230. Grifos acrescentados.

E direto da lição da escola dominical da denominação, podemos extrair o seguinte:

    “A Lei Moral é parte da lei natural do Universo. Justamente como uma lei natural violada, no mundo material, traz suas conseqüências inevitáveis, assim a Lei Moral transgredida traz suas inevitáveis conseqüências nos mundos espiritual e mental.” — Extraído de “The Episcopal Church Sunday School Magazine” (Revista da Escola Dominical), junho-julho de 1942, p. 183-184. Grifos acrescentados.

—> Igreja Católica

Vamos atentar para o que escreveu o erudito Pe. Júlio Maria, esclarecendo o problema:

    • “Os preceitos do Antigo Testamento dividem-se em três gêneros:

 

    • “1º Os preceitos morais, que prescrevem aos homens os seus deveres para com Deus e para com o próximo.

 

    • “2º Os preceitos cerimoniais, que indicam os ritos exteriores e as cerimônias que os judeus deviam seguir no culto divino.

 

    • “3º Os preceitos judiciais, que determinam o modo de administrar a justiça ao povo.

 

    • “Destes três gêneros de preceitos, só o primeiro fica em pé, integralmente; os outros preceitos só têm o valor que lhes comunica a palavra de Jesus Cristo.

 

    “A lei antiga, na sua parte cerimonial, era apenas uma figura da nova lei, e é por isto que cessou, desde que foi promulgada a lei nova.” — Em “Ataques Protestantes”, p. 96–97. Grifos acrescentados.

Segundo os católicos, os preceitos morais permanecem; os cerimoniais, eram uma figura, “sombra dos bens futuros”, e foram substituídos pela Realidade: Cristo; e os judiciais, só existiram enquanto havia a nação de Israel como uma teocracia (governada por Deus)! E os dez mandamentos morais tratam do amor a deus e do amor ao próximo.
_________________
“Escute as minhas palavras e preste atenção em tudo o que vou dizer…
“Darei a minha opinião com franqueza; as minhas palavras serão sinceras, vindas do coração.” (Jó 33:1,3).

Por Marllington Klabin Will

Fonte: https://adventismoemfoco.wordpress.com/2009/07/30/existe-diferenca-entre-a-lei-moral-e-a-cerimonial/