Avaliação neuropsicológica

Avaliação NeuropsicológicaA neuropsicologia, como já foi dito, objetiva-se em estudar o comportamento humano através da relação com o sistema nervoso. Nesse post pretendo falar uma pouco acerca da avaliação neuropsicológica, em que consiste, para que...

 

A neuropsicologia, como já foi dito, objetiva-se em estudar o comportamento humano através da relação com o sistema nervoso. Nesse post pretendo falar uma pouco acerca da avaliação neuropsicológica, em que consiste, para que serve, as suas particularidades entre outras coisas…

O que é avaliação neuropsicológica?

Tal avaliação consiste em uma investigação das funções cognitivas de um indivíduo, pode ser feita através de instrumentos padronizados como por exemplo, testes, baterias e escalas. As principais funções avaliadas são:

  1. Linguagem
  2. Atenção
  3. Memória
  4. Inteligência
  5. Raciocínio
  6. Aprendizagem
  7. Funções Motoras
  8. Funções Executivas

Qual o objetivo desta avaliação?

O objetivo da avaliação neuropsicológica, é coletar dados sobre o funcionamento cerebral de alguém para auxiliar em um tratamento. É ela quem vai dizer o grau de intensidade das lesões e quais suas consequências para a vida do indivíduo. É importante salientar que os teste, baterias e escalas têm função auxiliadora em todo o tratamento, pois através de seus resultados, podem ser definidas as melhores estratégias para o tratamento.

Quais as suas particularidades?

Além de avaliar as funções cognitivas, motoras e sensoriais, em alguns casos a avaliação neuropsicológicas identifica algumas patologias relacionadas ao Sistema Nervoso, que são muito comuns como por exemplo, Epilepsia, Depressão, Esquizofrenia, Doença de Parkinson, entre outras doenças neurodegenerativas. Os déficits cognitivos em decorrência de um Trauma crânio-encefálico (TCE) ou de um Acidente Vascular Cerebral (AVC) também são avaliados.

Qual a importância?

A importância dessa avaliação está no fato de que ela pode proporcionar um diagnóstico precoce de determinada doença, bem como seu capacidade evolutiva. Uma vez que for identificado o problema, medidas podem ser tomadas para minimizá-los, aumentando assim, as chances do indivíduo ser inserido novamente na sociedade.

cerebro direito hemisferios tdah

Bem vindo (a) ao blog Juliana no mundo da Neuropsicologia da Educação! Hoje vamos abordar um tema que pode ajudar a esclarecer muito sobre como funciona a mente de um TDAH, vamos falar sobre hemisférios cerebrais.

Mas antes de começar, que tal uma breve explicação sobre o que é TDAH? TDAH é Transtorno de Déficit de Atenção, também conhecido como DDA (Distúrbio do Déficit de Atenção) e atinge de 3 a 5% das crianças e adolescentes. É um transtorno neurobiológico que normalmente é diagnosticado na infância e que acompanha a pessoa durante toda a vida. Os sintomas mais comuns são  desatenção, inquietude e impulsividade.

Mas, o que tudo isso tem a ver com os hemisférios cerebrais? Primeiro precisamos entender um pouco sobre como o cérebro é dividido, mas fique tranquilo que nós não vamos nos aprofundar em neuro anatomia.

O que você precisa saber, na verdade, é que seu cérebro é dividido em dois hemisférios. E que como o ganhador do Prêmio Nobel de 1981, Roger W. Sperrydescobriu, a divisão do cérebro não é apenas física, mas também relativas às suas funções.

Segundo ele, o lado direito era voltado para a criatividade e imaginação, enquanto o esquerdo cuida da lógica e raciocínio. Depois de muito tempo e pesquisas mais avançadas com tecnologias novas, foi descoberto que a coisa não era tão simples assim e o cérebro de cada pessoa possui peculiaridades incríveis.

Outra curiosidade bem legal é que os hemisférios cerebrais também podem ser mais ativos em mulheres do que em homens. Mulheres costumam ter o hemisfério esquerdo – que é responsável pela fala, mais desenvolvido do que o direito, enquanto os homens costumam ter o hemisfério direito (responsável pela localização e percepções espaciais) mais desenvolvidos. Por isso, nada de brigar com sua esposa quando ela errar o caminho ou brigar com o namorado quando você parecer estar fazendo um monólogo. É tudo uma questão de neuro anatomia.

Além disso, algumas funções como reconhecimento de imagens e habilidades musicais são um trabalho para os dois hemisférios do cérebro.

O mais interessante de tudo isso é que todos nós temos um lado do cérebro que é dominante ao outro. E não é preciso fazer muito esforço para saber qual a parte dominante de quem tem TDAH… Obviamente é o lado direito, da criatividade e imaginação. E isso não é apenas dedução não, já existem pesquisas científicas na área que comprovam isso.
hemisferios cerebrais

E como diria o Dr. Lair Ribeiro…  “Um pássaro não voa com uma asa só, por mais forte que ela seja. O ideal é nos equilibrarmos os hemisférios cerebrais

Portanto, procurar balancear os hemisférios cerebrais pode trazer muitos benefícios para quem tem TDAH, chegando até mesmo a diminuir os sintomas.

Como equilibrar os hemisférios direito e esquedo do cerebro?
  • Ginástica cerebral
  • Meditação
  • Auto-hipnose
  • Sons bineurais

Fique ligado aqui no blog pois nós vamos abordar tecnicas para balancer os dois hemisférios.


Alguns especialistas insistem em afirmar que essa separação não existe, mas abaixo podemos ver uma palestra da neurocientista Jill Bolte Taylor, contando suas próprias experiências sobre os hemisférios cerebrais. No vídeo ela conta como ela, uma neurocientista, vivenciou um derrame e como sentiu os 2 hemisférios cerebrais se separassem. 

Recapitulando tudo o que aprendemos aqui:

  • O TDAH tem tudo a ver com os hemisférios cerebrais.
  • Nosso cérebro é dividido em dois hemisférios, um criativo e outro lógico.
  • Quem tem TDAH costuma ter o lado criativo mais ativo.
  • Homens e mulheres tem os hemisférios mas ativos ou inativos, por isso alguns comportamentos são totalmente biológicos e não somente cultural.
  • Para amenizar os sintomas do TDAH  uma boa saída é balancear os dois hemisférios cerebrais através de ginástica cerebral, meditação, auto hipnose e/ou sons bineurais.
  • Mesmo havendo essa separação, o cérebro é um órgão que pode sofrer plasticidade, ou seja, caso algum dos hemisférios venha a sofrer algum problema ou seja retirado, o outro hemisfério vai tomar para sí as funções do outro, fornecendo ao indivíduo a vida mais normal possível.

Espero que tenham gostado desse artigo e se ficaram com alguma dúvida comente, será um prazer ajudar! E se quiserem saber algo mais sobre TDAH ou sobre os hemisférios cerebrais, comente também, quem sabe o nosso próximo artigo não é sobre o que você quer saber?

É serio pode comentar, é de graça 😉

Abrigo de idosos em Itabuna – Lar São Francisco

Abrigar, receber, recolher, atender, proteger, são ações inerentes ao ato de resguardar algo ou alguém das intempéries, intercorrência do tempo, garantindo direitos… O Lar São Francisco consiste num desses lugares de repouso humanizados direcionados aos idosos, onde os mesmos tem possibilidade de manter a socialização no contato contínuo com outras pessoas, bem como realizar atividades com um nível de autonomia que lhes garanta a manutenção do sentimento de utilidade e “independência”. É uma tentativa de tornar o passar dos dias e o repouso, longe de seus familiares mais feliz, quiçá mais saudável.
Tive a oportunidade de conhecer este lugar no final de semana passado. O Lar São Francisco. Ambiente agradável e tranquilo. Chegando lá, conheci uma senhora muito simpática que me mostrou, junto com outras amigas, todos os cômodos do abrigo, dando-nos ciência de todas as atividades desenvolvidas por lá, as relações entre os moradores, o ambiente físicos entre outras diferentes características. O nível de atividade e dinamicidade desta senhora surpreendeu a mim e as outras pessoas presentes. Foi uma feliz surpresa. Uma senhora de 80 anos, que se autodenomina “moça-velha” por nunca ter se casado nem tido filhos. Trabalhou durante muitos anos, morava sozinha e, antes de se mudar para o abrigo, morava com uma sobrinha que, junto com o companheiro, decidiram levá-la para lá.
Ela relatou que, em um primeiro momento não queria ficar longe da sua família mas, hoje está feliz, gosta do ambiente e das amigas, além dos funcionários que a tratam com carinho e cuidado, estando portanto satisfeita. Gosta de se exercitar (apesar de no abrigo não haver aparelhos nem profissionais) ela tenta caminhar por lá, lava sua própria roupa íntima, pinta as unhas, usa perfume e é ágil.
Ao final da conversa ela solicita que, sempre que possível, voltássemos ao Lar, aos sábados e domingos pois sua sobrinha ia de vez em quando mas hoje em dia demora muito. Por um momento, sentimos como se, para a maioria das famílias, ao colocar um idoso no abrigo, encerra-se um ciclo familiar e a co-responsabilização pelo ser passa a ser um fragmento de carinho e amor…
Estou refletindo sobre isso.
Juliana Melo

Professor está sobrecarregado com tarefas que são dos pais

O Professor está sobrecarregado com tarefas que são dos pais, diz educador Marcos Meier ministrou uma palestra na Feira Educar, em SP. Para ele, tecnologia mal utilizada não ajuda em nada a educação.
Ao viajar pelo Brasil dando palestras para professores, o mestre em educação Marcos Meier, que já foi ele mesmo professor de matemática no Paraná, se deparou com uma tendência preocupante a partir dos depoimentos dos docentes. “O professor, que antigamente tinha tempo para ensinar o currículo, hoje tem que gastar 20 minutos de cada aula corrigindo a indisciplina do aluno, fazendo-o sentar, pegar o caderno… Um monte de coisas da área da educação básica das famílias não está pronta, e o professor precisa dar conta disso”, afirmou. Segundo o especialista, o acesso à informação e tecnologia nos últimos anos tem feito com que as relações se modifiquem e os adolescentes de hoje, vivendo em famílias cada vez mais ocupadas e passando horas excessivas do dia com o telefone, o computador e o videogame, não desenvolva os mecanismos de socialização necessários para o convívio pessoal. As famílias, para Meier, não devem ser divididas em “estruturadas” e “desestruturadas” por causa de sua formação, já que o aumento no número de divórcios tem criado novas relações. Ele defende o enfoque na funcionalidade da família. “Existem famílias com papai, mamãe e filhos que são desfuncionais, porque os pais não dão atenção às crianças, e famílias sem o pai, mas em que a mãe faz um trabalho maravilhoso, ou os avós e tios também ajudam”, explicou. A falta de tempo dos pais, também cada vez mais conectados às tecnologias, faz com que os poucos momentos com os filhos sejam de interação, com brincadeiras, jogos e diversão, e provoca a escassez momentos de intimidade necessários para construir uma relação de qualidade entre eles. O resultado é que as crianças e adolescentes de hoje em dia chegam às escolas cada vez mais indisciplinadas, aumentando assim a exigência dos professores para manter a autoridade.

Família, sociedade e escola: onde pretendemos chegar?

A nossa sociedade hoje está sofrendo transformações muito grandes em termos de acesso à informação e tecnologia, que faz com que as relações se modifiquem. Os adolescentes antigamente se reuniam e ficavam horas dançando ou batendo papo, fazendo festas de garagem. Então eles eram obrigados a aprender a lidar com o cara chato, com o sarna, aquele que incomoda. O adolescente tem a característica de corrigir um ao outro, pegar no pé, isso é muito saudável para desenvolver mecanismos de socialização, a pedir com licença, por favor, desculpa.
Com a tecnologia, ele não tem mais a oportunidade do olho no olho, se não gostou de um cara, ele bloqueia no facebook/ whatsapp/ instagram/ twitter. O adolescente não está mais acostumado a aceitar crítica, ele fica frágil, não suporta as críticas. Isso faz também com que, na escola, o professor que exija um pouco mais é mal visto. O adolescente reclama, acha ruim, não está acostumado a receber esse tipo de cobrança do professor que pega no pé.
A indisciplina tem aumentado bastante justamente por causa do tempo. As crianças estão cada vez menos sob orientação de um adulto. O pai dificilmente tem tempo para ficar com os filhos, a mãe trabalhando fora ainda tem todas as atividades da casa. Então ela tem momentos de interação, mas não tem momentos de intimidade. Tem aquela hora de fazer bagunça, e eles deixam regras de lado, ninguém quer pegar no pé do filho porque são tão poucos minutos para ficarem juntos. Então não tem qualidade essa relação. E esse estilo cada vez mais descomprometido tem efeitos na escola também.
As crianças e adolescentes, que deveriam estar aprendendo a ter educação com os pais, acabam chegando na escola totalmente indisciplinadas, batendo e xingando em vez de conversarem. O professor, que antigamente tinha tempo para ensinar o currículo, hoje tem que gastar 20 minutos corrigindo a indisciplina do aluno, fazendo-o sentar, pegar o caderno… Um monte de coisas da área da educação básica das famílias não está pronta, e o professor precisa dar conta disso. De uma aula de 40 ou 50 minutos que poderia estar sendo muito bem aproveitada com conteúdo, 20 minutos com certeza estão sendo jogados no lixo. Isso vai irritando tanto o professor, que depois não tem paciência na hora de explicar o assunto. Ele está sendo exigido além da conta, o professor foi preparado para ensinar currículos escolares, não para dar a educação que a família antigamente ensinava.

Coisas que toda criança com autismo gostaria que você soubesse

por Ellen Notbohm (©2005)

Tradução: Dario Diniz Guedes / Revisão: Mirella Giglio
do livro Ten Things Every Child with Autism Wishes You Knew (2005, Future Horizons, Inc. Re-impresso totalmente com a permissão do autor.
Há certos dias nos quais a única coisa previsível é a imprevisibilidade. O único atributo consistente — a inconsistência. Em meio a tantas incertezas, concorda-se que o autismo é intrigante, mesmo para aqueles que passam suas vidas em torno dele. A criança que vive com autismo pode parecer “normal”, mas o seu comportamento pode ser perplexo e totalmente difícil.
O autismo já foi considerado uma “doença incurável”, mas essa idéia começa ser abalada frente aos conhecimentos e descobertas que surgem mesmo enquanto você lê este texto. Todos os dias, indivíduos com autismo tem nos mostrado que podem superar, compensar e remanejar muitas de suas características mais desafiadoras. Instruir aqueles próximos às nossas crianças com simples compreensões sobre os elementos básicos do autismo tem um enorme impacto no percurso delas para a produtividade e uma vida adulta independente.
Autismo é uma desordem extremamente complexa, mas para o propósito deste artigo podemos dissolver suas milhares de características em quatro áreas fundamentais: Dificuldades de processamento sensorial; atrasos e deficiências na fala/linguagem; ausência de habilidades sociais, e questões da criança como um todo/auto-estima. Ainda que estes quatro elementos possam ser comuns para muitas crianças, tenha em mente o fato de que o autismo é um espectro: não há duas (dez, ou vinte) crianças com autismo completamente iguais. Cada criança estará em um ponto diferente do espectro. E, tão importante quanto, todos os pais, professores e cuidadores estarão também em um ponto diferente do espectro. Criança ou adulto, cada um terá o seu conjunto único de necessidades.
Aqui estão dez coisas que qualquer criança com autismo gostaria que você soubesse:
1. Mais importante e antes de tudo, eu sou uma criança. Meu autismo é apenas um aspecto de toda minha personalidade. Ele não me define enquanto pessoa. Você é alguém com pensamentos, sentimentos e muitos talentos, ou alguém gordo (acima do peso), “míope” (usa óculos), ou “desastrado” (sem coordenação, não tão bom em esportes)? Estas podem ser características que eu percebo quando lhe vejo pela primeira vez, mas não necessariamente tudo que você é.
Sendo adulto, você tem certo controle sobre como define a si mesmo. Se você quiser ser conhecido por uma característica sua, você consegue fazê-la percebida. Em sendo criança, ainda estou me descobrindo. Nem eu ou você sabemos ainda do que sou capaz. Definir-me por uma de minhas características corre o perigo de se ter expectativas muito pequenas. E se eu perceber que você não acha que “sou capaz”, minha resposta natural será: “Para que tentar?”
2. Minhas percepções sensoriais estão desorganizadas.Integração sensorial pode ser um dos aspectos mais difíceis para se entender no autismo, mas é sem dúvida o mais crítico. Significa que todas as visões, sons, cheiros, gostos e toques do dia-a-dia, que talvez você sequer note, podem ser extremamente dolorosos para mim. O próprio ambiente no qual tenho que viver se mostra freqüentemente hostil. Eu posso aparentar estar ausente ou hostil com você, mas eu realmente estou apenas tentando me defender. Aqui está o porquê de uma “simples” ida ao mercado parecer um inferno para mim:
Minha audição pode ser hipersensível. Dúzias de pessoas falando ao mesmo tempo. O auto-falante anunciando as ofertas do dia. O sistema de som toca músicas de fundo. Maquinas fazem ruídos. Caixas registradores apitam e se abrem. O moedor de café se move com ruídos. Os açougueiros fatiam a carne, crianças em pranto, carrinhos rangem, a luz fluorescente fica zunindo! Meu cérebro não consegue filtrar todos estes estímulos e eu fico sobrecarregado.
Meu olfato também pode ser muito aguçado. Sinto o peixe no balcão que não está tão fresco, o homem próximo a nós não tomou banho hoje, o mercado oferece petiscos de salsicha, o bebe à nossa frente sujou a fralda, estão lavando picles com amônia no corredor 3…. não consigo organizar tudo isto! Tenho náuseas horríveis.
Porque sou visualmente orientado (veja mais sobre isto abaixo), este pode ser meu primeiro sentido a ser super estimulado. A luz fluorescente não apenas é clara demais, como chia e zune. O estabelecimento parece pulsar e machuca meus olhos. A luz oscilante bagunça e distorce tudo o que estou vendo – o lugar parece estar mudando constantemente. Há uma claridade na janela, muitas coisas dificultando meu foco (que eu consigo compensar com uma “visão exclusiva”, como um túnel), ventiladores de teto ligados, muitos corpos em constante movimento. Tudo isto afeta meu sistema vestibular e sentidos proprioceptivos, e agora eu nem consigo dizer onde meu corpo se encontra no espaço.
3. Por favor, lembre-se de distinguir “não quero” de “não consigo”. Receptividade, linguagem expressiva e vocabulário podem ser grandes desafios para mim. Não é que eu não escute as instruções, é que eu não consigo entender você. Quando me chama do outro lado do quarto, é isto que escuto: “$%$#%#, Billy. %$#%@#$%…”. Em vez disto, fale diretamente comigo com palavras simples: Por favor, guarde seu livro na prateleira, Billy. É hora de você lanchar”. Assim você me diz o que fazer e o que acontecerá em seguida. Fica bem mais fácil para eu cooperar.
4. Eu penso concretamente. Isto significa que eu interpreto tudo literalmente. É muito confuso quando você diz “Segura as pontas!” quando o que você quer dizer é “Espere até eu voltar”. Não diga que algo é “mamão com açúcar” quando não há nenhuma sobremesa à vista e o que você está realmente falando é “será fácil para você fazer”. Quando você diz “Jamie realmente queimou a pista”, eu imagino uma criança brincando com fósforos. Por favor, apenas diga “Jamie correu muito rápido”.
Gírias, trocadilhos, nuanças, duplo-sentidos, inferências, metáforas, alusões e sarcasmos não fazem sentido para mim.
5. Por favor, seja paciente com meu vocabulário limitado. É difícil dizer para você o que preciso quando eu não conheço as palavras para descrever meus sentimentos. Posso estar com fome, frustrado, amedrontado ou confuso, mas por enquanto estas palavras estão além da minha habilidade de expressão. Fique atento para minha linguagem corporal, isolamento, agitação e outros sinais de que algo está errado.
Ou, tem o lado oposto: Posso me expressar como um “pequeno professor” ou estrela de cinema, despejando palavras ou scripts incomuns para meu nível de desenvolvimento. Estas mensagens eu memorizei do mundo ao meu redor para compensar meus déficits de linguagem, pois sei que esperam que eu responda quando falam comigo. Estes elementos podem vir dos livros, TV, fala de outras pessoas. É conhecido como “ecolalia”. Não necessariamente entendo o contexto ou os termos que estou usando, apenas sei que isto me tira de alguns incômodos por surgir com uma resposta.
6. Como linguagem é muito difícil para mim, eu me oriento muito pela visão. Por favor, mostre-me como fazer alguma coisa mais do que apenas falar comigo. E, por favor, também peço que esteja preparado para me mostrar muitas vezes. Repetições insistentes me ajudam a aprender.
Uma “agenda visual” é de grande ajuda ao longo do meu dia. Assim como a sua rotina, ela me salva do stress de precisar lembrar o que vem depois, ajudando-me a transitar mais suavemente entre as atividades, controlar meu tempo e atingir suas expectativas.
Eu não perco a necessidade de algo assim quando ficar mais velho, mas meu “nível de representação” pode mudar. Antes de poder ler, eu preciso de orientações visuais com fotografias ou desenhos simples. Na medida em que envelheço, uma combinação de imagens e palavras pode funcionar, e depois só as palavras.
7. Por favor, priorize e procure construir a partir do que eu posso fazer mais do que aquilo que não posso fazer. Como qualquer outro ser humano, eu não consigo aprender em um ambiente que constantemente me faz sentir que “eu não sou bom o bastante e preciso me corrigir”. Tentar qualquer coisa nova quando estou quase certo de que vou encontrar criticas, ainda que “construtivas”, se torna algo a ser evitado. Procure pelas minhas virtudes e você vai encontrá-las. Existe muito mais do que só um jeito “certo” para fazer a maioria das coisas.
8. Ajude-me nas interações sociais. Pode parecer que eu não queira brincar com as outras crianças no parquinho, mas algumas vezes o caso é que eu simplesmente não sei como começar uma conversa ou entrar numa brincadeira. Se você encorajar as outras crianças a me convidar para brincar de chutar bola, ou basquete, pode ser que eu fique muito feliz em estar incluído.
Eu participo melhor em atividades estruturadas com começo e fim claros. Eu não sei como “ler” expressões faciais, linguagem corporal ou emoções de outros, e seria muito bom ter auxilio para respostas sociais adequadas. Por exemplo, se dou risada quando Emily cai no chão, não é porque achei isto engraçado, mas é que eu não sei a resposta apropriada. Ensine-me a perguntar “Você está bem?”.
9. Tente identificar o que inicia meus surtos. Surtos, ataques, explosões, ou seja lá como você queira chamar, são ainda mais horríveis para mim do que parecem a você. Eles acontecem porque um ou mais dos meus sentidos se sobrecarregou. Se você conseguir descobrir o porquê de meus surtos acontecerem eles podem ser prevenidos. Faça anotações sobre as situações, horários, pessoas e atividades. Pode surgir um padrão.
Procure se lembrar que todo comportamento é uma forma de comunicação. Ele lhe mostra, quando minhas palavras não conseguem, como eu percebo algo que está acontecendo em meu ambiente.
Pais, mantenham isto em mente: Comportamentos que persistem podem ter uma causa médica associada. Alergia a comidas e sensibilidades, distúrbios do sono e problemas gastrointestinais podem ter profundos efeitos no comportamento.
10. Ama-me incondicionalmente. Elimine pensamentos como “Se ele ao menos…” e “Por que ela não consegue…”. Você não conseguiu corresponder a todas expectativas de seus pais e você não gostaria de ser a todo momento lembrado disto. Não escolhi ter autismo, mas isto está acontecendo comigo e não com você. Sem a sua ajuda, minhas chances de sucesso e vida adulta independente são baixas. Com o seu apoio e orientação, as possibilidades são maiores do que imagina. Eu prometo a você, eu valho a pena.
E por ultimo, três palavras: Paciência, paciência e paciência. Procure enxergar meu autismo mais como uma habilidade diferente do que uma deficiência. Reveja o que você compreende como limitações e descubra as qualidades que o autismo me trouxe. É verdade que tenho dificuldade com contato visual e conversações, mas já percebeu que eu não minto, trapaceio, zombo de meus colegas ou julgo os outros? Também é verdade que provavelmente não serei o próximo Michael Jordan, mas com a minha atenção a detalhes finos e capacidade de foco intenso, posso ser o próximo Einstein, Mozart ou Van Gogh.
Eles podem ter tido autismo também.