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COMO REDUZIR A ANSIEDADE DE CRIANÇAS AUTISTAS?

A criança autista pode ter uma vida completamente normal. O que mais contribui para que ela tenha uma rotina com atividades interessantes e com muito aproveitamento é o fato de o pequeno poder ser estimulado diariamente. No entanto, é importante saber que a criança com espectro autista pode apresentar algumas características comuns à sua situação e a ansiedade é um desses aspectos. A pergunta que muitos pais e profissionais fazem é como diminuir isso entre os autistas infantis.

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Qual a incidência de ansiedade em crianças autistas?

Estima-se que esse quadro se apresente em 30% dos casos em crianças, com uma variação que pode chegar a 40% (segundo algumas estatísticas). A ansiedade pode ser considerada uma comorbidade, que é um transtorno decorrente do espectro autista.

 Quais são as características de uma criança autista com quadro de ansiedade?

Normalmente, o pequeno pode revelar alguma fobia social, fobia específica (medo excessivo de algum animal ou até barulho, por exemplo); comportamento arredio diante de pessoas desconhecidas. Ou então, a criança demonstra algum transtorno que se assemelhe a uma síndrome do pânico.

Importante saber!

Você sabia que animais de estimação fazem bem para crianças autistas? Pois é justamente isso que sugere uma pesquisa realizada pela Universidade de Purdue, nos Estados Unidos. Os pesquisadores reuniram 38 crianças autistas e 76 que não apresentam o transtorno. Durante o estudo, todos os participantes colocaram um aparelho eletrônico no pulso com o objetivo de detectar respostas físicas a situações de ansiedade e interação social.

O próximo passo do levantamento consistiu em pedir às crianças que lessem sozinhas um livro, pelo menos as que têm facilidade com a leitura, para que depois pudessem ler para outras duas crianças. Posteriormente, elas deveriam brincar por 10 minutos. O último passo era brincar por mais esse tempo, mas agora com um porquinho-da-índia.

O resultado foi o seguinte: as crianças com autismo mostraram níveis de ansiedade mais elevados que as demais nas três primeiras situações. O quadro só foi modificado quando o porquinho-da-índia apareceu na brincadeira dos pequenos. A ansiedade diminuiu consideravelmente. O estudo concluiu, então, que a presença de animais ajudou a criança na interação social.

Quais são as brincadeiras que reduzem a ansiedade de crianças autistas?

Nunca é demais relembrar que a criança autista precisa de um tempo muito delimitado para iniciar, permanecer e encerrar a brincadeira. No entanto, há muitas atividades que a induzem ao exercício de coordenação motora e no relaxamento. Exemplos:

  • Desenhos feitos com tinta guache ou outros materiais;
  • Atividades com massinhas;
  • Jogos digitais;
  • Bolinhas coloridas;
  • Companhia de um animal de estimação (sobretudo aqueles que não sejam tão barulhentos);
  • Quando a criança autista tem irmãos, eles podem ser excelentes aliados no desenvolvimento da interação social;
  • Em sala de aula, os educadores podem estimular brincadeiras que aproximem as crianças.

É sempre muito bom saber que os pequenos podem ter uma vida completamente normal, a partir do momento em que há pessoas para auxiliarem-nos em atividades diversas. Lembre-se que é importante ter muito carinho e atenção para que eles possam desenvolver confiança em todos que fazem parte de seu convívio.

Testando a preferência hemisférica das pessoas

Os primeiros indícios da existência da especialização cerebral surgiram durante estudos com pacientes epiléticos nos anos 60. Esta pesquisa concluiu que os hemisférios direito e esquerdo têm funções muito claras e diferenciadas e que o corpo caloso permite aos dois hemisférios compartilharem a aprendizagem e as memórias das pessoas tenham elas TDAH ou não. O Dr. Sperry ganhou o Prêmio Nobel de Medicina em 1981 por suas descobertas nesse campo. Os estudos realizados posteriormente permitiram estabelecer a especialização de cada hemisfério.

TDAH

Hemisfério esquerdo: é o hemisfério da lógica. Monitora as áreas da linguagem, é analítico e avalia os dados de uma forma racional. Compreende a interpretação literal das palavras e detecta o tempo e a sequência. Também reconhece letras, palavras e números escritos em palavras. Conecta-se com o lado direito do corpo.

Hemisfério direito: É o hemisfério intuitivo. Recolhe a informação de imagens, mais do que palavras. Interpreta a linguagem por meio do contexto, ou seja, a linguagem corporal, conteúdo emocional e o tom da voz. É especializado na percepção espacial. Reconhece lugares, rostos e objetos. Conecta-se com o lado esquerdo do corpo.

TDAH

Hemisfério esquerdo Hemisfério direito
Mais verbais analíticos e capazes de resolver problemas. Manipulam melhor o mundo visual do que o verbal
Favorecem as palavras, detalhes e o pensamento racional Favorece o artístico, holístico e o criativo.

 

Teste de Preferência hemisférica

INSTRUÇÕES: entre cada par de orações abaixo, escolha a opção A ou B e faça um círculo ao redor daquela que melhor o (a) descrever. Responda a todas as perguntas. Não existem respostas certas ou erradas.

  1. A. Prefiro encontrar a minha própria forma de realizar uma tarefa nova /inovadora.
    B. Prefiro que me indiquem a melhor forma de realizar uma tarefa nova/inovadora.
  2. A. Prefiro fazer meus próprios planos.
    B. Posso seguir os planos dos outros.
  3. A. Sou uma pessoa muito flexível e, em alguns casos, imprevisível.
    B. ou uma pessoa muito estável e consistente.
  4. A. Guardo cada uma das minhas coisas num lugar específico.
    B. O lugar onde guardo minhas coisas depende do que estou fazendo nesse momento.
  5. A. Consigo distribuir meu trabalho equitativamente ao longo do tempo.
    B. Prefiro fazer o meu trabalho no último momento.
  6. A. Eu sei quando estou certo porque tenho bons argumentos.
    B. Eu sei quando estou certo, embora não tenha argumentos.
  7. A. Necessito de muitas mudanças e variedade na minha vida.
    B. Necessito de uma vida ordenada e planejada.
  8. A. Às vezes tenho ideias demais em situações novas.
    B. Às vezes não me ocorrem ideias em situações novas.
  9. A. Faço as coisas mais simples primeiro e as mais importantes depois.
    B. Faço as coisas importantes primeiro e as mais simples depois.
  10. A. Ao tomar uma decisão difícil, escolho o que sei que é correto. B. Ao tomar uma decisão difícil escolho o que sinto que é correto.
  11. A. Planejo meu tempo para Poder fazer meu trabalho.
    B. Não penso no tempo quando trabalho.
  12. A. Normalmente consigo me autodisciplinar.
    B. Normalmente ajo segundo meus sentimentos.
  13. A. As outras pessoas não entendem como me organizo.
    B. As outras pessoas acham que organizo as coisas bem.
  14. A. Tenho a tendência de aceitar novas ideias antes dos outros.
    B. Tenho a tendência de questionar novas ideias mais do que os outros.
  15. A. Tenho a tendência de pensar mais em imagens.
    B. Tenho a tendência de pensar mais em palavras.
  16. A. Trato sempre de encontrar a melhor forma de resolver um problema.
    B. Trato sempre de encontrar formas diferentes de resolver um problema.
  17. A. Normalmente posso analisar o que vai acontecer depois.
    B. Normalmente posso sentir o que vai acontecer depois.
  18. A. Não sou muito imaginativo no meu trabalho.
    B. Uso minha imaginação em quase tudo o que faço.
  19. A. Começo muitas coisas que nunca termino.
    B. Sempre termino uma coisa antes de começar outra.
  20. A. Sempre procuro uma forma inovadora para realizar rotineiros.
    B. Quando encontro uma maneira de fazer algo bem, faço-o sempre da mesma forma.
  21. A. Divirto-me assumindo riscos.
    B. Divirto-me sem assumir riscos.

PONTUAÇÃO:

Conte o número de respostas A para as perguntas 1, 3, 7, 8, 9, 13, 14, 15, 19, 20 e 21. Escreva esse número na linha.

A ________________________

Conte o número de respostas B para às perguntas restantes. Escreva esse número na linha:

B.______________________

Escreva o total de respostas A e B que você contabilizou.

Total. ___________________

 

O total indica sua Preferência hemisférica de acordo com a seguinte escala :

0 a 5 – Preferência marcante do hemisfério esquerdo.

6 a 8 – Preferência moderada do hemisfério esquerdo.

9 a 12 – Balanço bilateral hemisférico (preferência leve ou inexistente)

13 a 15 – Preferência moderada do hemisfério direito.

16 a 21 – Preferência marcante do hemisfério direito.

 

Gostou?  Comente embaixo. Obrigada pela sua visita. Até a próxima.

Entendendo mais sobre a Síndrome de Asperger

Embora os portadores dessa patologia apresentem características bem próprias assim como limitações no que diz respeito ao aspecto social e interativo também é preciso ressaltar que são, normalmente, portadores uma inteligência acima da média além de criatividade. Mesmo assim é de extrema importância que a família assimile adequadamente qual é o seu papel na formação de uma criança portadora da Síndrome de Asperger pois somente assim será assisti-la da maneira correta e da forma ideal. Entendendo o seu papel a família poderá mais facilmente auxiliar a criança, provendo segurança e compreendo quais são as angústias, os medos, as necessidades e todos os demais fatores que influenciam diretamente sobre o modo muito particular com que agem os portadores da síndrome. Vale lembrar ainda que por mais que durante anos a SA tenha sido muito comparada e associada ao autismo clássico, existem estudos que as diferenciam principalmente nos aspectos referentes à comunicação, linguagem e também na interação social. Essa diferença de características quando comparado com o autismo clássico então é o que leva com que muitas famílias tenham dificuldade na identificação dos sintomas e daí então a demora de procurar um profissional para o diagnóstico. Obviamente que não é uma tarefa fácil enfrentar todas as dificuldades resultantes da criação de uma criança com a Síndrome de Asperger mas certamente as barreiras podem ser diminuídas e as distâncias encurtadas com trabalho, carinho e dedicação, sem falar nos profissionais capacitados. O mais importante que a família de um portador dessa patologia deve saber é que é interessante para a criança que os seus relacionamentos sejam sempre estabelecidos de uma maneira mais natural. Para isso a sociedade, a família e a escola devem trabalhar em conjunto incluindo, respeitando e aceitando o portador da Síndrome de Asperger no convívio social e nas atividades diárias, garantindo os seus direitos. Importante lembrar que um desses direitos, que por sinal é inalienável e igualitário, é o direito à educação, assegurado pela nossa constituição sendo dever da escola adaptar-se para receber essa criança ou qualquer outra com qualquer outro tipo de deficiência. Por fim cabe dizer que é essencial para que a criança portadora da Síndrome de Asperger ter o diagnostico o mais precocemente possível para se desenvolver plenamente com o auxílio da família em integração com a escola e profissionais da saúde. Espero que esse material tenha sido de grande ajuda para você e tenha conseguido responder suas dúvidas e anseios. Até a próxima!

Como agir com a suspeita da Síndrome de Asperger?

Se você identificou em seu filho qualquer um dos sintomas típicos da doença já apresentados aqui não há nada melhor do que buscar uma ajuda profissional. É fundamental que a criança passe por um profissional da área da saúde mental bem como outros profissionais que possam ajudar nesse diagnóstico. Saiba que quando o seu filho é avaliado por um profissional ele passa por uma avaliação psicossocial profunda. Nessa avaliação está incluído um cuidadoso histórico do reconhecimento dos sintomas, de desenvolvimento motor dele, dos padrões de linguagem bem como dos demais aspectos do seu comportamento. Essa avaliação das atividades da criança incluem as suas atividades prediletas, as suas preocupações, os seus hábitos diários e muitos outros pontos importantes para o diagnóstico. Entretanto, a maior ênfase desse processo de avaliação será sobre o desenvolvimento social da criança e isso inclui tanto os problemas presentes como os problemas passados da no que diz respeito ao estabelecimento de relações de amizade e de interação com os demais. Não há motivo para desespero dos pais. Essa avaliação nada mais é do que um meio de identificar as habilidades comunicativas da criança estabelecendo seus pontos fracos e fortes.

O melhor mesmo é encarar a situação de frente e realizar todos os procedimentos necessários de forma mais rápida possível para obter um diagnóstico. Com o diagnostico em mãos então é possível passar a orientar as atividades da criança para que ela tenha um desenvolvimento pleno e saudável, sem maiores problemas. Além disso tudo é sempre muito vantajoso dividir com alguém da família o problema. Lembre-se que não é possível ajudar a criança se você não está sendo capaz nem mesmo de nutrir as próprias necessidades emocionais.

Como ajudar a criança com Síndrome de Asperger

Obviamente não há nada melhor do que buscar a orientação dos profissionais que estão fazendo parte do tratamento do seu filho para ter um direcionamento mais preciso sobre o caso específico dessa criança. Mesmo assim existem algumas dicas que são essenciais e podem ajudar muito aos pais que ainda se sentem inseguros a respeito da forma como devem encaminhar toda a situação. A primeira coisa que você pode fazer é ensinar a criança com AS a ser independente oferendo a ele situações nas quais ele possa botar essa habilidade em prática, claro, sempre com a devida supervisão. Entenda também que nem sempre é claro que a criança possui alguma necessidade especial e é por isso que, como pais, é fundamental que haja esse tipo de esclarecimento quando necessário como para médicos e professores. Também não desanime na busca pelo tratamento ideal. É preciso escolher um tratamento a longo prazo e que foquem especificamente nas necessidades do seu filho. Somente assim será possível para a criança desenvolver as habilidades deficitárias.

Caso haja dúvida sobre o andamento do tratamento saiba que a ASA (Sociedade Americana de Autismo) recomenda que as famílias das crianças busquem sempre o apoio do diretor do programa a fim de melhor determinar se o programa realmente atende a criança em questão e se aborda suas questões específicas. Os pais também não devem nunca esquecer que a criança faz parte do núcleo familiar e que todas as necessidades da criança deve estar em equilíbrio com as necessidades dos demais integrantes dessa família.

Como lidar com uma criança com Síndrome de Asperger

Conforme já foi dito aqui inúmeras vezes cada criança é única e possui talentos e déficits específicos não havendo como estabelecer um padrão. O que é muito comum é que os pais, ao identificarem uma aptidão no filho, acabem incentivando-a demais criando algo conhecido como “ilhas de habilidades”. O problema fica ainda maior no caso das crianças portadoras da Síndrome de Asperger pois esse tipo de ação intensifica ainda mais o interesse focado e restrito dela aumentando o isolamento comportamental desse indivíduo. Isso acaba tornando-o menos flexível quando exposto a novos assuntos ou temas. Pensando justamente em prestar um auxílio ao desenvolvimento das capacidades múltiplas das crianças que possuem SA existem alguns itens que são importantes para quem convive com essa situação. ŸBusque sempre a diversificação dos focos de interesse tentando fazer com que o paciente valorize e dê importância a temas variados, aumentando suas habilidades diminuindo o foco sobre o comportamento restritivo ou repetitivo. ŸEstimule, através de treinamento, o compartilhamento e reconhecimento de expressões faciais e também de emoções a fim de melhorar o prognóstico social dessa criança com SA.

  1. O diálogo também é fundamental sempre e treinar o “falar olhando” ajuda a desenvolver a habilidade de intencionalidade comunicativa.
  2. Não critique o interesse específico da criança com Síndrome de Asperger mas apresente diferentes opções com ela. Uma dica é fazer uso desse interesse inicial para interagir sobre outros temas.

Lembre-se ainda que paciência é fundamental durante o tratamento pois por muitas vezes, devido a sua falta de certas habilidades, a criança pode acabar sendo mal interpretada. Essa má interpretação pode resultar em um desentendimento e consequentemente um quadro de isolamento social ainda maior podendo evoluir para um caso de depressão.

Síndrome de Asperger: diagnóstico, tratamento e tudo mais que você precisa saber sobre ela

O Diagnóstico da Síndrome de Asperger

Algo que é muito importante de ser dito é que os sintomas dessa síndrome podem aparecer já nos primeiros anos de vida de uma criança por isso é preciso atenção desde a mais tenra idade. Entretanto isso não quer dizer que essa é uma síndrome que pode ser facilmente identificada por que muitos desses sintomas acabam sendo ignorados pelos pais ou não sendo considerados como algo negativo, principalmente quando se manifestam com uma intensidade moderada. Além disso os portadores da patologia tentem a funcionar muito bem em grande parte dos aspectos da vida e certos sintomas acabam sendo considerados apenas como atitudes estranhas sem maior importância ou sem consequências. Esse é um dos motivos que leva ao fato de que a grande parte dos diagnósticos é feita em crianças já com idade pré-escolar devido à dificuldade de socialização apresentada nessa etapa do desenvolvimento infantil. A dificuldade de socializar é considerada como uma das caraterísticas mais significativas desse distúrbio e também a que, normalmente, se manifesta com maior intensidade, em conjunto com a falta de interesse em tudo o que estiver relacionado a esse foco de atenção. Os fenômenos relacionados a alta irritabilidade, depressão ou mesmo ansiedade então são os fatores que mais chamam a tenção dos pais juntamente com a falta de habilidade no que diz respeito ao comportamento social.

O mais comum é que os primeiros problemas sejam observados pelos pediatras que encaminham a criança a médicos especializados para um diagnóstico mais preciso e profundo da situação. A principal forma de diagnóstico para a síndrome se dá através da aplicação testes neuropsicológicos realizados através da proposição de tarefas. Assim é possível observar e avaliar aspectos do comportamento da criança, bem como aspectos cognitivos como memória, atenção e sociabilidade. A maior barreira no diagnóstico dessa síndrome, entretanto, é que ainda não há uma uniformidade na abordagem diagnóstica da síndrome no Brasil. Isso por que ferramentas como a ADOS e a AD (questionários com as crianças e com os pais, respectivamente), que são técnicas convencionais nos EUA e Europa, ainda não foram validadas em nosso país. Outro ponto diagnóstico importante é que quem tem essa síndrome apresenta alteração em testes que buscam o reconhecimento de emoções e também nos que avaliam a capacidade de entender o que os outros estão pensando. Em outras palavras pode-se dizer que os portadores dessa patologia possuem uma grande dificuldade de identificar e inferir o que sentem e pensam aqueles que os rodeiam a não ser que essas emoções sejam claramente ilustradas e demonstradas.

Então o diagnóstico da Síndrome de Asperger, assim como a grande parte dos diagnósticos na área da psicologia, devem seguir as recomendações encontradas no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM, na sigla em inglês). É sempre importante considerar para isso a última versão publicada do material na qual a Síndrome de Asperger e o Autismo passam a pertencer ao Transtorno do Espectro Autista, ou TEA, como já foi falado anteriormente aqui. Anteriormente haviam três grupos de sintomas mas segundo esse material, agora são necessários somente dois diferentes grupos de sintomas para que o profissional em psiquiatria, juntamente com um pediatra, possa efetuar o diagnóstico preciso dessa patologia. Isso por que os sintomas de comunicação social e os sintomas de interação social foram agrupados e agora formam um grupo só. Veja então quais são os grupos de sintomas que são considerados na avaliação:

  • Apresentação de um determinado padrão repetitivo e limitativo de interesses, atividades e comportamentos A insistência em uma determinada atividade muito focada, o gosto por rotinas e padrões de comportamento, estereotipias, interesses muito específicos e talvez até incomuns, hipo ou hiperatividade a estímulos sensoriais.

Dificuldade de comunicação e de interação social

Nesse critério é avaliado o déficit ou dificuldade no que diz respeito a reciprocidade das interações sociais. Também são considerados dificuldades nos comportamentos não verbais bem como a dificuldade de manter um diálogo, uma conversação ou mesmo um relacionamento. Especialistas ainda afirmam que, como em qualquer outra patologia, quanto antes o diagnóstico for feito melhor será para a criança. Isso por que uma intervenção logo cedo e que envolva a formação social e educacional é fundamental enquanto o cérebro ainda está em desenvolvimento. Uma dúvida muito presente ainda quando o assunto é a Síndrome de Asperger é sobre essa troca ocorrida no DSM. A dúvida que permanece é se os pacientes que já foram diagnosticados com a Síndrome de Asperger respeitando os critérios anteriores têm que passar por um novo exame para uma reclassificação ou se o seu diagnóstico será mantido.

Conforme já foi falado aqui anteriormente a Síndrome de Asperger, embora possua pontos em comum, apresenta um padrão de comportamento que se difere consideravelmente de uma criança para a outra. Por esse motivo não há um tratamento típico ou exato que possa ser prescrito. Então dependendo das habilidades de cada criança bem como dos seus pontos fracos e dos seus pontos fortes e do seu histórico de desenvolvimento é possível aplicar ações específicas a fim de melhorar e desenvolver habilidades que apresentam déficits. Veja alguns dos tratamentos dos quais as crianças com Síndrome de Asperger podem se beneficiar:

  • Treinamento de suas habilidades sociais
  • Educação especializada
  • Terapia da linguagem
  • Treinos de interação sensorial geralmente aplicados aos mais novos. Pode ser aplicado em crianças que mostram-se insensíveis à estímulos.
  • Terapia cognitiva e psicoterapia de comportamento para crianças com mais idade.

Tratamento multidisciplinar para Síndrome de Asperger

Visto então que cada criança é única e que essa patologia acomete cada uma de uma maneira específica não há nada melhor do que um tratamento multidisciplinar para otimizar os resultados e o desenvolvimento da criança. Por isso integrar neuropsicólogos, pediatras e fonoaudiólogos, psicopedagogos é a melhor solução, sempre de acordo com aquelas limitações identificadas na criança, claro. O interessante é que o tratamento seja pensado como uma medida a longo, prazo visto que se está tratando de um distúrbio crônico, buscando transmitir para a criança as habilidade e demais recursos necessários para que ela consiga melhorar e desenvolver-se. Vale ainda ressaltar que a utilização de medicamentos não acontece diretamente para o tratamento da Síndrome de Asperger e sim para tratar algumas manifestações decorrentes da patologia assim como depressão, irritabilidade e também ansiedade. A importância do tratamento para a Síndrome de Asperger, por sua vez, é muito grande. Isso por que um indivíduo pode chegar a vida adulta mas certamente apresentará sérios problemas de relacionamento tanto na vida pessoal como na profissional e também escolar. Além disso a ausência de tratamento aumenta o risco do aparecimento de outros problemas como o Transtorno Bipolar.

Assim sendo quanto mais cedo acontecer o diagnóstico e quanto mais preciso ele for, assim como o tratamento, maiores são as possibilidades de a criança portadora da síndrome ter um comportamento saudável, flexível, independente e sociável. É importante também que mesmo com profissionais de diferentes áreas trabalhando para o desenvolvimento das habilidades da criança com AS as ações sejam conjuntas e que um profissional saiba o que o outro está fazendo. Muitas vezes os pais tem que atuar como gestores e ajudar no direcionamento dos profissionais para que haja uma interação, mesmo que indireta, entre eles. Além disso é extremamente importante envolver também as pessoas que fazem parte do universo da criança tais como babás, amigos da família e parentes próximos. Não subestime a importância de montar um tratamento adequado para a criança e envolva todos os profissionais possíveis e necessários para que isso seja feito da melhor maneira.

Síndrome de Asperger: Histórico, sintomas.

Tudo sobre a Síndrome de Asperger

Basicamente pode-se dizer que a Síndrome de Asperger (AS) é um neurobiológico que pertence a um grupo de condições conhecidas como Transtorno do Espectro do autismo. Esse “espectro” faz referência a uma grande variedade de deficiências do desenvolvimento e nele estão incluídos o autismo e outras doenças que também possuem características semelhantes. Essas patologias são denominadas como transtorno do espectro por que as combinações dos seus sintomas bem como a gravidade e a intensidade de cada um deles pode variar bastante entre cada indivíduo que as desenvolve. É totalmente possível que duas crianças que possuem o mesmo diagnóstico, por exemplo, desenvolvam uma grande variedade de capacidades e também habilidades distintas embora, provavelmente, irão compartilhar um certo padrão comportamental. Dessa forma se desenvolveram diversos termos gerais com a estrita finalidade de descrever as crianças nas quais o comportamento podem ser considerados como dentro do espectro. Esses termos podem ser “transtornos invasivos do desenvolvimento”, “de alto funcionamento”, “de baixo funcionamento”, “tendências autistas”. Vale ainda ressaltar que as crianças que apresentam a Síndrome de Asperger compartilham diversos sintomas e padrões com as pessoas que são classificadas com “autismo de alto funcionamento”.

Breve introdução à Síndrome de Asperger

Em meio a um universo permeado de diferentes patologia pode-se dizer que a Síndrome de Asperger ainda é um mistério para pesquisadores e interessados da área médica no mundo inteiro. Embora tenham acontecido muitos avanços recentes e descobertas significativas para o entendimento dessa patologia o fato é que o que foi encontrado até agora são series de aspectos ou mesmo características marcantes, muito específicas e que, de certa maneira, auxiliam para a compreensão global da mesma. É muito importante dizer que mesmo com características bem específicas e definidas a pessoa portadora dessa síndrome tem total possibilidade de levar uma vida normal, tanto no âmbito familiar como no social, claro, de acordo com suas limitações e necessidades individuais. Outro avanço no que diz respeito à Síndrome de Asperger é que atualmente já é bem grande o número de pessoas portadoras da doença que frequentam a escolha regular ou a escola especial fazendo valer seus direitos assegurados pela constituição. Assim sendo a criança poderá contar com a ajuda da escola também para auxiliar no seu desenvolvimento, potencializando então as ações que já são realizadas no âmbito familiar e também com a ajuda de profissionais da medicina especializada.

Essa patologia foi nomeada graças ao pediatra vienense chamado Hans Asperger, que no ano de 1944 descreveu pela primeira vez na história o conjunto de padrões comportamentais apresentados por alguns de seus pacientes, predominantemente do sexo masculino. Em seus estudos o doutor constatou que as crianças apresentavam o desenvolvimento da linguagem e a inteligência normais mas possuíam um comprometimento grave na capacidade de comunicação, nas habilidades sociais e também no que dizia respeito a coordenação motora. De acordo com a Asperger Syndrome Coalition of the United States, ainda é possível que essa patologia só se manifeste mais tarde do que o típico autismo ou então que só seja identificado mais tardiamente. Embora muitas crianças tenham seu diagnóstico já logo após os três anos de idade a maioria só é realmente diagnosticada mas tarde, entre os 5 e 9 anos de idade. É importante dizer também que as crianças portadores dessa síndrome são totalmente capazes de levar uma vida diária normal porém com uma tendência mais forte à imaturidade social. Por isso acabam se relacionando de forma melhor com pessoas adultas do que com os seus pares. É por isso também que muitas vezes são considerados estranhos ou um tanto quanto excêntricos.

A doença então, segundo especialistas segue continuamente de quem a desenvolve e dura por toda a vida. O que pode acontecer é que os sintomas aumentem ou diminuam no decorrer da vida. Por esse motivo é que o diagnóstico e o tratamento precoce podem ser fundamentais para uma criança que possui essa patologia. A seguir então vamos ver muito mais sobre a Síndrome de Asperger e muitos outros aspectos importantes bem como as formas de tratamento. Aproveite!

Visão geral da Síndrome de Asperger: origem, histórico epidemiologia

Em uma visão geral a Síndrome de Asperger nada mais é do que um transtorno neurobiológico que se enquadra dentro dos transtornos conhecidos como transtornos globais do desenvolvimento. Embora o primeiro estudo sobre a síndrome tenha sido feito pelo psiquiatra austríaco Hans Asperger há bastante tempo o reconhecimento internacional da patologia veio somente no ano de 1994, quando ela foi finalmente incluída no DSM (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders), o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais. Uma curiosidade é que essa Síndrome foi, por muitos e muitos anos, considerada como uma condição relacionada ao autismo, porém sempre considerando ambos como condições distintas. Entretanto foi somente em maio do ano de 2013 que que certas mudanças importantes foram feitas através da quinta edição do DSM-V. Algumas dessas importantes mudanças, por exemplo, foram a alteração dos nomes de certas doenças e condições já conhecidas e também novos diagnósticos. Já no que diz respeito diretamente à Síndrome de Asperger ela foi agrupada a uma nova terminologia médica, juntamente com o autismo, passando a fazer parte do grupo TEA, ou Transtorno de Espectro do Autismo, no DMS. Essa nova definição faz com que a síndrome então passe a ser considerada como uma forma menos severa de autismo. Assim os pacientes podem ser diagnosticados analisando somente os graus de comprometimento tornando o diagnóstico ainda mais completo. Vale lembrar que diferentemente do que acontece no autismo clássico, os portadores da Síndrome de Asperger não apresentam nenhum tipo de comprometimento do intelecto ou na sua capacidade cognitiva. Essa é uma das razões que leva a maioria dos pais a ignorar os primeiros sinais ou sintomas dessa síndrome que são muitas vezes confundidos com temperamento ou características da personalidade do paciente. Já no que diz respeito ao número de portadores dessa doença ou condição ainda não há uma contagem exata justamente pelo fato de a doença só ter sido reconhecida como um TEA recentemente. O que é importante ressaltar é que os meninos apresentam uma propensão de três a quatro vezes maior do que as meninas de serem acometidos pela Síndrome de Asperger. O que acontece é que casos menos intensos da doença estão agora sendo identificados com mais facilidade e isso faz com que os números pareçam estar aumentando. Entretanto as estimativas mostram que a sua ocorrência é bem mais comum do que se imaginava afetando uma entre cada 250 crianças. Esses números variam bastante de acordo com o país e nos Estados Unidos o número cai drasticamente para uma em cada 10 mil crianças.

Causas da Síndrome de Asperger

Assim como o Transtorno de Espectro do Autismo, o TEA, a Síndrome de Asperger tem suas causas ainda desconhecidas. Entretanto existem linhas que acreditam que a patologia possa ser causada por alguma anormalidade no cérebro da criança. Assim sendo acredita-se que a causa da Síndrome de Asperger pode ser causada por anormalidades cerebrais visto que existem diferenças na estrutura e no funcionamento de certas regiões específicas do cérebro. Também é possível que haja algum padrão hereditário na AS pois existem pesquisas que indicam que em alguns casos ela pode estar diretamente associada a doenças ligadas à saúde mental. Essas doenças de saúde mental podem ser o transtorno bipolar e a depressão então podem ter relação direta com a Síndrome de Asperger e com o TEA bem como a combinação de genes e também fatores ambientais, segundo sugerem algumas pesquisas. Entretanto, diferentemente do que se pensa, a Síndrome de Asperger não tem qualquer relação com privação emocional ou pela forma como os pais educam ou disciplinam os filhos. Um ponto que sempre posto em evidência nos estudos sobre a Síndrome de Asperger é que também não depende de fatores sociais, circunstância econômicas ou a qualquer tipo de falha própria. A Síndrome de Asperger é uma patologia neurobiológica cujos fatores causadores ainda não são completamente conhecidos.

Quais são os sintomas da Síndrome de Asperger

Assim como qualquer outra doença os sintomas da Síndrome de Asperger podem apresentar variações de acordo com a pessoa que possui além de também variarem muito de intensidade ou mesmo gravidade. Entretanto existem alguns sintomas mais comuns que são mais facilmente identificados na maioria dos casos já diagnosticados. Veja quais são esses sintomas:

  • Rituais: É muito comum que as crianças que apresentam essa síndrome desenvolvam rituais os quais se neguem a alterar. Essas práticas podem ser as mais variadas tais como banhar-se lavando os membros sempre na mesma ordem ou vestir-se sempre na mesma sequência, por exemplo.
  • Interesses limitados: As crianças portadoras dessa patologia comumente desenvolvem um interesse bem intenso, chegando quase a uma obsessão, por um determinado assunto, se interessando muito pouco ou nada por demais temas que fujam do foco escolhido. O foco do interesse pode ser sobre carros, mapas, clima, robótica ou qualquer outro assunto.
  • Habilidades sociais: Conforme já falado aqui anteriormente é comum que as crianças portadoras da Síndrome de Asperger apresentem dificuldades de interação sendo comum que se portem de uma maneira tida como estranha em certas situações de sociabilização. Essas crianças apresentam dificuldades em fazer amigos pois não têm facilidade em iniciar ou mesmo manter uma conversação com outra pessoa.
  • Comportamento repetitivo ou atípico: Essa condição costuma fazer com que seus portadores desenvolvam comportamentos anormais que podem envolver movimentos repetitivos tais como estralar os dedos ou torcer os punhos.
  • Talentos: É muito comum que as crianças portadoras da Síndrome de Asperger sejam extremamente inteligentes e possuam algum talento especial em uma determinada área do conhecimento como matemática ou mesmo música.
  • Coordenação motora: As crianças que têm a Sindrome de Asperger podem apresentar falta de coordenação parecendo desajeitadas o que normalmente causa muito constrangimento para os mesmos.
  • Comunicação comprometida: As crianças portadoras dessa patologia podem apresentar dificuldade de estabelecer contato visual ao falar com uma pessoa. Além disso ainda possuem dificuldade na gesticulação e com a utilização de expressões faciais. Por isso apresentam uma linguagem corporal particular. Assim como a dificuldade de utilizar as expressões faciais as crianças portadoras dessa síndrome também apresentam dificuldade de interpretá-las. Além disso é comum que essas crianças seja muito literais no uso da linguagem apresentado certa dificuldade com a linguagem e expressões no sentido figurado. É muito importante ressaltar ainda que não existe, atualmente, uma cura para a Síndrome de Asperger. Entretanto a maioria dos portadores dessa patologia conseguem levar uma vida plena ainda mais quando a criança conta com recursos educacionais reforçados e direcionados para a sua condição.

Dificuldade na identificação dos sintomas

Embora o TEA seja definido justamente pela presença de certos déficits persistentes no que diz respeito a interação e comunicação em diversos contextos existe uma certa dificuldade na identificação dos sintomas, principalmente pelos pais. Isso por que é comum que os portadores da patologia apresentem um QI com níveis acima dos normais. Além disso eles normalmente possuem um vocabulário extenso, bem desenvolvido e com palavras rebuscadas o que acaba gerando nos pais a ideia de que os filhos são superdotados. Além disso o interesse restrito e exagerado por apenas um assunto, como aviões, carros ou robôs é outra característica importante e frequentemente ignorada ou mal interpretada pelos parentes do portador que acabam muitas vezes, mesmo sem querer, incentivando essa restrição do interesse até mesmo por meio de presentes ou abordagens que valorizam bastante o tema. Outra característica bem forte dos portadores da Síndrome de Asperger é que tendem a ser muito inflexíveis principalmente no que diz respeito a regras prendendo-se muito a elas. Isso faz com que não consigam agir de maneira flexível de acordo com a necessidade de cada situação. Desse modo pode-se dizer que as crianças portadoras da Síndrome de Asperger possuem dificuldade de sociabilização, podem apresentar tiques, ou ações motoras repetitivas, interesse limitado e intenso por poucos ou somente um determinado assunto além de uma linguagem mais rebuscada.

Esses são então os principais fatores que devem ser observados para o diagnóstico dessa patologia e estão presentes já desde os primeiros anos de vida da criança. É por isso que imensamente importante ficar sempre atento a qualquer tipo de comportamento que possa parecer estranho, diferente ou fora do padrão. Além disso questionar-se sobre o que é um comportamento aceitável e o que pode ser parte de um distúrbio é fundamental para um diagnóstico precoce.

AUTISMO NÃO É DOENÇA (TEA)!

Autismo não é Doença!

O Autismo ou os Transtornos do Espectro Autista (TEA) são condições médicas que levam a problemas no desenvolvimento da linguagem, na interação social, nos processos de comunicação e do comportamento social da criança. Ele está classificado, hoje, dentro dos Transtornos do Desenvolvimento e atinge cerca de 0,8% a 1% das crianças, na proporção de 1 para cada 51 nascimentos. Há muito deixou de ser raro e seus efeitos são severamente sentidos pela criança, pelos cuidadores e pelas instituições que as abrigam.

A definição de doença como conhecemos leva em conta o caráter consumptivo e mórbido que desencadeia com riscos de morte, degradação física e de órgãos internos. Por esta linha de pensamento, o TEA não seria uma doença, mas sim um transtorno mental que pode ser trabalhado, reabilitado, modificado e tratado para poder se adequar ao convívio social e às atividades acadêmicas. Mas devido ao seu grande potencial de gerar doença, o TEA deve ser encarado como um problema de saúde pública!

Existem casos onde o TEA se associa a doenças que podem evoluir para morte, como distúrbios metabólicos e degenerativos. Nestes casos, a maior importância está em conduzir os efeitos destas doenças, as internações e os efeitos epileptógenos que podem conter no seu quadro clínico. Na maioria das vezes, a essência do tratamento é a condução multidisciplinar precoce (de preferência antes dos 3 anos) com ênfase em abordagens psicossociais, reabilitação de atrasos de desenvolvimento, medicações e suporte escolar. A direção das intervenções deve levar para a redução dos atrasos e dos sinais autísticos, pois deve-se paulatinamente remediar atrasos e potencializar habilidades com o intuito  de ajudar esta criança a ser autônoma e permitir que venha a gozar de vida social recíproca e que se aproprie de adequados recursos de comunicação.

O TEA não atinge somente a criança, mas também leva, em muitos casos, uma sensação de fracasso aos seus cuidadores. Pais ou responsáveis por autistas têm maior risco de desenvolver transtornos de ansiedade e de humor, especialmente em casos de separação conjugal ou abandono afetivo por um dos cônjuges. Não raro, os pais choram no consultório, pois se veem perdidos e com expectativas frustradas em relação ao seu filho. Na perspectiva e na realidade familiar há perda de potencial econômico, restrição financeira (pois a criança deverá ocupar muito a atenção de um dos pais) e as intervenções interdisciplinares necessárias reduzem o tempo de lazer e de convívio recíproco do casal.

Assim, não considerá-lo como doença de nada adiantará, pois o transtorno é um gerador de desestabilização da saúde tanto da criança quanto daqueles que a cercam. Os agentes políticos devem se sensibilizar para que sejam criadas estratégias para aliviar este ciclo nocivo onde a falta de uma atenção primária tem feito os pais decrianças com TEA buscarem recursos sem salvaguardas ou garantias de que realmente estão no caminho certo das evidências científicas.

Aspectos Neurológicos de Aprendizagem

No Brasil, em torno de 40% das crianças na escola apresentam dificuldades no processo de aprendizagem escolar. A grande maioria desta cifra decorre de insuficiências do ambiente pedagógico, falta de infraestrutura, baixo nível de capacidade didática do professor, problemas emocionais ou por questões culturais e incoerências curriculares. Uma parte destas crianças, porém, podem não conseguir aprender adequadamente por motivos internos, intrínsecos, oriundos, de uma disfunção cognitiva específica que nada tem a ver com o ambiente em sua volta, mas definido por inadequado funcionamento cerebral que afeta sua capacidade de absorver e memorizar aprendizagens que dependam do acesso fluente à leitura, à escrita e à habilidade matemática. São os Distúrbios ou Transtornos de Aprendizagem.

Esta condição não tem forma física e não costuma levar a alterações em exames médicos, fazendo com que sua identificação seja difícil e subestimada em muitas crianças portadoras. Afetam aspectos pontuais do desenvolvimento infantil e do seu comportamento, especialmente em tarefas que exigem percepção e memória e estes surgem mais contundentes na fase pré-escolar e escolar. Muitas vezes, os professores consideram estes sinais normais e “no tempo da criança”, pois não existem em nosso país mecanismos na área educacional que sustentem o conceito de “etapas normais de aprendizagem escolar” desprezando quaisquer parâmetros. Este contexto desestimula a sua identificação e o diagnóstico muitas vezes só será cogitado e, por extensão, confirmado no período final do Fundamental I ou no início do Fundamental II.

Atualmente, nas classificações de transtornos mentais, os Transtornos de Aprendizagem são enquadrados como um transtorno de desenvolvimento, isto é, que aparece na fase de desenvolvimento neuropsicomotor e modifica aquisições de determinadas habilidades cognitivas de linguagem e de percepções visuais, espaciais e auditivas levando a problemas significativos de aprendizagem dos símbolos gráficos sem, no entanto, prejudicar a capacidade intelectual/inteligência. Sempre devemos suspeitar de sua existência quando uma criança ou adolescente inteligente e autônomo em seu cotidiano não consegue manter o mesmo nível de aquisição de aprendizagem na escola ano a ano em comparação com seu potencial e com a turma que o cerca. Dificuldades na memorização de sequências de números, de dados de leitura, de figuras espacialmente dispostas e a percepção inadequada da forma e do som das letras em idade que não se admite e tendo esta criança em estimulação escolar adequada desde tenra idade, podem ser um valioso sinal de alerta.

 

Fonte: http://neurosaber.com.br/artigos/aspectos-neurologicos-de-aprendizagem/?inf_contact_key=25aa188cab3d8b9e5be54cf116028c7c7f05f1711cfde5120439d5a9d1dd53b7

Por ser uma criança com potencial intelectual preservado (e até acima do normal), esta fica ansiosa, estressada, com baixa auto-estima e com a sensação frequente de frustração e incompreensão com os paradoxais resultados de sua aprendizagem, pois fora da escola ela tem uma performance normal. As cobranças da família se avolumam a cada bimestre, tanto direcionadas para o filho quanto para a sua escola, a qual é colocada em xeque e no centro de constante desconfiança e conflito a cada reunião de pais com professores. A incompreensão acerca do que está acontecendo gera discussões, ameaças e uma fratura na relação dos educadores com a família.

Portanto, frente a este panorama, a escola e a família devem prontamente buscar avaliação interdisciplinar. Esta criança deve ser encaminhada para uma sequência de avaliações com diversos profissionais de áreas afins (psicólogos, fonoaudiólogos, psicopedagogos e médicos especializados) com o intuito de analisar profundamente seu quadro – embasado em manejo clínico e desenvolvimental – com aplicação de testes específicos para interpretar melhor seus déficits cognitivos, na linguagem e nos processos perceptivos e de memória em direção a um diagnóstico definitivo.

O que é neuropsicologia mesmo?!

Neuropsicologia é uma especialidade da Psicologia, reconhecida pelo Conselho Federal de Psicologia (CFP) desde o ano de 2004.

Um neuropsicólogo possui um amplo espaço para sua atuação, seus estudos se concentram na relação do sistema nervoso com o comportamento do organismo, ou seja, como o funcionamento cerebral pode explicar aspectos como: comportamento, cognição (linguagem, juízo, atenção, imaginação, memória, raciocínio) e emoções. Para isso, o profissional, emprega conhecimentos de algumas ciências como medicina, fisiologia, anatomia, psicologia entre outras.

A investigação pode ser tanto qualitativa como quantitativa. Através de entrevistas e questionários são fornecidos ao profissional dados qualitativos. Os dados quantitativos são obtido através do uso de testes específicos e de exames, como por exemplo, ressonância magnética que são de extrema importância, pois são eles que mostram com precisão dados como localização e gravidade das lesões e/ou disfunções cognitivas.

Ainda sobre a atuação do Neuropsicólogo, podemos destacar uma outra área interligada à neuropsicologia que é a Reabilitação Neuropsicológica. Onde o profissional vai atuar com pacientes com ou sem danos cerebrais consideráveis, oriundos de: a) um acidente no decorrer da vida em que ocorreu uma lesão no Sistema Nervoso Central; b) falta de capacidade adaptativa para o manejo de atividades pessoais, sociais, profissionais ou acadêmicas; c) condição genética de má formação ou desestruturação do SNC. O neuropsicólogo cria formas de intervenção para melhorar, compensar ou adaptar o indivíduo às limitações. Juntamente com a família, que tem um papel importantíssimo no processo reabilitativo e outros profissionais que compõe a equipe multiprofissional, o neuropsicólogo irá contribuir para a inserção ou re-inserção do paciente em sua comunidade.