manu

Eleições na floresta

Caso cômico foi o que aconteceu no dia do lançamento da candidatura do Papagaio Louro à Administração Geral da floresta.

        A clareira onde os bichos faziam suas reuniões foi tomada por um bom número de ouvintes, curiosos pela plataforma política do candidato. Depois, a luta estava no seu ponto mais alto, nervosa e empatada entre os dois únicos candidatos àquele honroso cargo: o já citado Papagaio Louro e a senhorita Galinhoca, presidente do C.F.C (Clube Feminino da Floresta).

        Como se disse antes, a preferência do eleitorado não estava definida. Os bichos ouviam por ouvir ambas as partes, para mais tarde cada qual escolher o que mais lhe conviesse.

        Naquele dia, a bicharada ouviria Papagaio Louro. O comício da candidata Galinhoca havia sido um escândalo, por que no momento em que ia falar, fez um esforço tão grande, que não é que botou um ovo? A expectativa do discurso do Papagaio Louro era, portanto, de consagração final.

        Foi sob aplausos que o candidato subiu no palanque, que era um toco velho, e pigarreou para limpar a garganta e silenciar os ouvintes. Como o pigarro continuasse, pediu uma cuia de água, nascente ali por perto. O Macaquildo, excelente garçom, trouxe ao candidato a sua cuia com água tão fresquinha que parecia gelada.

        O orador bebeu – a toda de uma vez. Logo sorriu para a platéia, testou novo pigarro e começou:

        – Meus queridos bichos – purutaco – as aves e insetos da nossa floresta – purutaco. Eu hic – pupu – hic – rutaco – espero – hic – … e, indo assim por diante. Foi provocando um festival de gargalhadas, porque o Papagaio Louro pegou num soluço de não sair do pupu – hic – rutaco – hic, etc.

        Os adversários aproveitaram a ocasião para empatar o eleitorado em suas preferências. O Papagaio não mais se recuperou e, por levar tantos tapinhas nas constas, quase foi parar no hospital.

        Como terminou a história?

        Assim: sendo os candidatos incompetentes, foi eleito em caráter excepcional o Canarinho da Terra que, mesmo não fazendo nada, já estaria contribuindo, e muito, com seus belos trinados de notável canto.

                                  Wagner Antônio Calmom Ferreira

1 pensamento em “manu”

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *